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Cobre põe Marabá e Canaã em evidência no mundo dos negócios internacionais

Os dois projetos de cobre que a Vale mantém no Brasil, Sossego, em Canaã dos Carajás, e Salobo, em Marabá, apresentaram vigor distinto no primeiro semestre deste ano se comparado ao mesmo período do ano passado. Enquanto a extração de cobre em Canaã apresentou recuo de 6,8%, caindo de 56,6 mil toneladas (t) para 52,8 mil t, a produção em Marabá aumentou impressionantes 54,6%, saltando de 26,4 mil t para 40,8 mil t. Curiosamente, no semestre que passou, a produção de cobre apresentou oscilações, com Marabá recuando no segundo trimestre em relação ao primeiro, e Canaã fazendo o movimento contrário.
Em seu “Relatório de Produção 2T2014” divulgado na manhã desta quinta (24), a Vale informa que no Sossego, projeto de Canaã, os teores de cobre retornaram às médias históricas, mas que a operação da usina foi restrita em junho devido aos reparos efetuados no britador primário e no moinho SAG, moinho em cujo processamento de cobre e ouro a Vale é pioneira, diga-se de passagem.
Sobre o Salobo, empreendimento mineiro de Marabá, a empresa descreve que o mesmo operou com 80% de sua capacidade de produção e que houve alguns atrasos em face da interligação dos processos de Salobo I a Salobo II, este último uma expansão do primeiro.

EXPORTAÇÕES
Na cesta de commodities vendidas do Pará para o mundo, o cobre tem quase a mesma importância do minério de ferro, guardadas, evidentemente, as devidas proporções. Países como China, Alemanha, Bulgária, Coreia do Sul, Coreia do Norte, Suécia, Japão, Estados Unidos, Polônia e Índia, entre outros, fazem fila para fechar negócio envolvendo o metal paraense. As informações são do balanço semestral do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
É um comércio tão bom que tornou Marabá o 65º maior exportador do semestre entre todos os municípios brasileiros. Sem falar que fez da “Rainha do Tocantins” o município de 42º maior saldo na balança comercial. Foram US$ 404,5 milhões exportados majoritariamente em cobre e um lucro de US$ 288 milhões à conta-corrente do Brasil.
A procura pelo cobre do Sossego é tão excepcional que Marabá (leia-se: Vale) fecha negócios com os cinco continentes e conseguiu conquistar uma carteira com 25 países, seus clientes gringos.
Desbancado por Marabá na lista dos municípios poderosos, Canaã dos Carajás apresenta a 82ª melhor performance em exportações do país, bem como a 44ª colocação em saldo comercial. E tudo isso só tem um nome: o cobre do Sossego, produto negociado a seletíssimos três blocos econômicos, dos quais fazem parte apenas oito países.
De Canaã foram exportados no primeiro semestre deste ano quase US$ 318 milhões em cobre, o que rendeu US$ 297,3 milhões de superávit para todo o Brasil se esbaldar.
A partir de 2018, quando o projeto para extrair minério de ferro da Serra Sul, o S11D, começar a operar, extraindo 90 milhões de toneladas anuais dessa commodity, como pretende a Vale, Canaã deverá ocupar o topo das exportações nacionais, posto atualmente pertencente a quem lhe deu origem: Parauapebas.


EMPREGOS
Diferentemente do que ocorre em Parauapebas, em se tratando de empregabilidade, Marabá e Canaã dos Carajás não estão nada mal. Marabá, município centenário traquejado no enfrentamento às mais diversas crises econômicas, encerrou os seis primeiros meses deste ano ofertando 2.126 vagas para primeiro emprego, segundo aponta o Ministério do Trabalho e Emprego. Os dados oficiais mostram, ainda, que a “Rainha do Tocantins” tem uma das menores taxas de desemprego entre jovens no Pará, ao lado de Canaã dos Carajás, Altamira e Castanhal.
Mas, no caso marabaense, os efeitos práticos da mina de cobre do Salobo (a não ser para a Vale, que comemora a cada relatório os números de produção do metal, e para a prefeitura local, que recebe royalties de mineração – pouco, mas o legalmente devido) são quase imperceptíveis.
Primeiro, o Salobo não tem uma massa trabalhadora genuinamente marabaense, embora o empreendimento esteja em solo de Marabá. A sede do projeto fica mais próxima à cidade de Parauapebas; logo, os operários são, em sua maioria, de lá. Segundo, sem essa massa trabalhadora, não há dinheiro para circular no comércio local. Ou há quem creia que os milhões de dólares exportados em minérios fiquem escondidos perto de algum chafariz das praças de Marabá, à espera de serem gastados?
Os empregos que têm colocado Marabá no cenário dos 100 municípios que mais abrem novas oportunidades de trabalho estão todos centrados nos setores de comércio e serviços.
Em Canaã dos Carajás, sim, está havendo grande muvuca de oportunidades desencadeadas pela mineração. Temporários ou não, o número de empregos na “Terra Prometida” está fazendo se repetir para lá a mesma novela de migração a que Parauapebas assistiu num passado não muito distante e que lhe deixou como sequelas vários problemas socioespaciais e infraestruturais.
Com 33 mil habitantes, Canaã é, hoje, o 29º município que mais contrata no país. O saldo positivo, entre contratações e demissões, foi de 3.778 novas oportunidades de janeiro a junho deste ano. É um número superior ao de capitais gigantes, como Fortaleza (CE), que possui quase 2,6 milhões de habitantes, é a quinta maior cidade do país, mas deu novas oportunidades a somente 2.673 pessoas.

No Pará, Canaã só não gera mais empregos que Altamira, que, por conta dos trabalhos temporários na Usina Hidrelétrica de Belo Monte, conseguiu bater todos os recordes antes pertencentes a Parauapebas. No semestre que passou, por exemplo, a “Princesinha do Xingu” teve saldo de 7.150 vagas de trabalho e ficou em sétimo lugar nacional entre os maiores empregadores do Brasil, superada apenas pelas metrópoles São Paulo (SP), Brasília (DF), Curitiba (PR), Goiânia (GO), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ). Nenhum lugar do Pará havia conseguido tanto.
No caso de Canaã, não é necessariamente a extração de cobre que gera novas oportunidades. É o minério de ferro, uma commodity onipresente que, via projeto S11D, tem levado a cidade a assumir a posição de zona de prosperidade e trabalho antes condicionada a Parauapebas, que agora amarga números negativos.
Quando o S11D chegar ao pico das obras, o número de empregos deverá triplicar. Hoje, a “Terra Prometida” tem 15.849 trabalhadores com carteira assinada, praticamente metade de sua população. Nenhum lugar da Amazônia, que tem 792 municípios, tem proporção de trabalhadores tão elevada assim, nem mesmo a emergente Altamira. É sabido, entretanto, que quando cessar a etapa de implantação do S11D e do Ramal Ferroviário Sudeste do Pará (RFSP), outra importante obra responsável pelos empregos diretos, Canaã ficará com uma grande aglomeração de trabalhadores “rodados” ou de cara para cima. Aí será a hora de o “muso” do cobre, futuro galã do minério de ferro, reiventar-se econômica, social e moralmente. Que esteja consciente e preparado até lá.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

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