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Concurso Público de Canaã é o mais disputado da história das prefeituras do Pará

Se a força das prefeituras está na capacidade de apresentar contas equilibradas e pagar remunerações satisfatórias a seus servidores, garantindo a circulação da massa salarial e aquecendo todos os setores da economia local, a de Canaã dos Carajás já está no caminho e vai tremer quando receber seus aprovados em concurso público. O motivo é simples: o certame da Prefeitura Municipal de Canaã dos Carajás (PMCC), cujas provas estão previstas para serem aplicadas no próximo domingo (13), é o mais disputado da história do Pará, em se tratando de prefeituras municipais.
Quem passar e tomar posse firmará vínculo empregatício com um município cujo primeiro nome remete à “Terra Prometida”, chega a 33 mil habitantes este ano, está em franca ascensão e deve tornar-se a maior potência econômica do Estado nos próximos dez anos, em decorrência da extração de minério de ferro do projeto S11D, da mineradora Vale, que deve começar a operar em 2017.
Nem mesmo os concursos públicos realizados por seu município-mãe, Parauapebas, deram, proporcionalmente, tanta gente. Os concursos da “Capital do Minério” sempre tiveram fama de arrebanhar multidões haja vista o fato de a prefeitura local pagar salários razoavelmente acima da média, mas, agora, a “Terra Prometida” roubou a cena.
Na seleção de Canaã, 12.114 candidatos estão no páreo por alguma das 879 vagas, de acordo com a demanda divulgada pela Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), organizadora do certame. É um contingente de candidatos vindos de norte a sul do país equivalente a mais de um terço (ou 36%) da população local.

A demanda média está na casa dos 14 candidatos por vaga. Até aí, tudo bem. Mas o que assusta a negada é a demanda para determinados cargos – particularmente, para quem vai concorrer a eles.
O concurso da Prefeitura de Canaã vive dois extremos. De um lado, faltou candidato para preencher as vagas do cargo de agente funerário – foram oferecidas duas, mas apenas uma pessoa pretende cuidar dos defuntos locais. É o concorrente contra seu próprio fantasma. Para concorrer ao cargo, que paga R$ 789,70 por uma jornada de 40 horas semanais, a exigência é unicamente ensino fundamental (no mínimo, 4ª série do ensino fundamental).
De outro lado, o cargo de agente fazendário oferece duas vagas e tem 279 interessados, numa média de 139,5 candidatos para cada uma. O cargo em questão paga R$ 1.744,72 por 40 horas semanais e os requisitos são ensino médio completo e curso de informática.
A ocupação com o maior número de vagas, agente de serviços gerais (230), tem 1.374 inscritos e demanda de 5,97. Quem passar – e comprovar pelo menos a 4ª série – vai receber mensalmente R$ 789,70 para trabalhar 40 horas semanais.
A segunda função em número de vagas, agente de serviços administrativos (166), será disputada por 2.264 pessoas, conferindo média de 13,64 candidatos por vaga. A Prefeitura de Canaã paga, a quem passar e apresentar diploma de ensino médio mais curso de informática, R$ 977,04 para trabalhar de segunda a sexta, manhã e tarde.


ATRÁS VEM GENTE

Salário para engenheiro da PMCC é o maior das prefeituras de interior

Os candidatos a alguns cargos de nível superior vão enfrentar uma barra. O de procurador, por exemplo, que tem três vagas e paga R$ 5.696,11 para meio expediente diário (20 horas semanais), tem nada menos que 285 inscritos no páreo – média de 95 candidatos por vaga. É o concurso de procurador municipal mais disputado do Norte e Nordeste fora das capitais. Parauapebas liderava na demanda pelo cargo, até então, com 83 candidatos por vaga no concurso para o quadro geral realizado em 2009.
Em segundo lugar, está o cargo de enfermeiro, com dez vagas e a “lapada” de 900 inscritos (portanto, 90 candidatos por vaga). O que está em jogo é um salário de R$ 3.596,19.
Em seguida, há um batalhão composto por 72 bacharéis em Ciências Contábeis, Economia, Administração e Direito e por tecnólogos em Gestão Pública disputando uma suada vaguinha para o cargo de analista de controle interno, que paga R$ 3.018,19.

Já para o cargo de engenheiro civil, que oferece duas vagas e tem 118 inscritos, há 59 na guerra visando a cada uma delas, que paga R$ 5.696,11, indiscutivelmente o melhor salário para engenheiro pago por uma prefeitura do Norte e Nordeste fora das capitais. Junto com o cargo de procurador, o de engenheiro civil está arrebanhando pessoas de todas as partes do país. Basta ver que o número de inscritos supera a quantidade de formados em Engenharia Civil (cerca de 60) das duas turmas de 2008 de Parauapebas, as únicas da Universidade Federal do Pará (UFPA) fora de Belém e Tucuruí. Parauapebas serve como referência porque é o município mais populoso relativamente próximo a Canaã e o maior polo de profissionais de engenharia da região de Carajás.
Outros cargos de nível superior bastante procurados são os de biomédico (58 candidatos por vaga), analista de políticas públicas e farmacêutico (ambos com 51 por vaga), assistente social (50,73 por vaga), professor de português (44 por vaga) e dentista (42,67 por vaga).
É verdade que os salários médios de Canaã ainda estão, em sua maioria, abaixo dos que são pagos por Parauapebas, mas a “Terra Prometida” já mostrou que tem bala na agulha para aumentar o valor da remuneração e, em pouco tempo, ultrapassar a “Capital do Minério” como o paraíso do funcionalismo público municipal, o que deverá se dar a partir de 2017, quando a PMCC multiplicará a atual receita por dez e terá condições efetivas de remunerar melhor.
Dados do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE) apontam que, hoje, a prefeitura é a segunda maior empregadora de Canaã, atrás da mineradora Vale, que tem empregados espalhados nos projetos Sossego (de cobre) e S11D (de minério de ferro). Já em Parauapebas, a prefeitura local emprega mais que a Vale.

Reportagem: André Santos – Coladorador do Portal Pebinha de Açúcar

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