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Estradas brasileiras atrasam o desenvolvimento do País

Matéria do “Fantástico”, da Rede Globo, veiculada no último domingo (9), mostrou que as estradas do Brasil são esburacadas, lentas e perigosas. Além disso, atrasam a economia do País e tiram vidas. A repórter Sônia Bridi percorreu as principais rodovias do País, de Norte a Sul e constatou, por exemplo, que não é fácil construir na Amazônia, pois o período sem chuvas é curto para trabalhar o solo.

Na primeira parte da matéria, o enfoque foi para a Rodovia BR-163, a Santarém–Ciuabá, uma espinha dorsal que passa pelo centro do País, do Pará até o Rio Grande do Sul.
De Santarém até a divisa com o Mato Grosso, são 980 quilômetros. Mas, 460 quilômetros ainda estão em estrada de chão. Entretanto, devido ao estado em que se encontra esse trecho, segundo o caminhoneiro José Roberto Pereira, não dá para dirigir a mais de 10 quilômetros por hora: “Tem muito transtorno a viagem. Falar que é uma viagem maravilhosa não é. É uma viagem bem dificultosa”, afirma ele.
Para quem transporta 20 toneladas de soja em cada viagem, como o também caminhoneiro Gregory Ferreira, é mais difícil ainda: “Na época que não chove, na seca, é muita poeira. E na chuva é muita água, muito barro”, conta ele.


São 12 trechos de obra. Um está sendo tocado pelo Exército, com o resto do percurso, intercala asfalto e terra. Falta pavimentar 40 quilômetros, mas vai demorar.
“Este ano, aproximadamente 20 quilômetros de asfalto. E no próximo ano, 20 quilômetros. Entregando essa estrada para essa população por volta do mês de dezembro de 2014”, afirma o coronel Sérgio Henrique Codelo, comandante do 8º BEC (Batalhão de Engenharia e Construção).
Na maior parte do ano, a chuva dá pouca trégua. E quando volta, é de enxurrada. Basta meia hora de chuva para a estrada ficar alagada o que, além de provocar erosão e encher a estrada de buracos, faz do trabalho de construção na Amazônia um grande desafio.

Há pontes prontas, mas sem o aterro nas cabeceiras. Na última estação de seca os militares entregaram as mais urgentes, como a Ponte da Enxurrada.
Em um trecho de 112 quilômetros entre Itaituba e Rurópolis, no Pará, a BR-163 se funde com a Transamazônica. Essa estrada que foi aberta no começo dos anos 70 do século passado pelos militares e que, só agora, 40 anos depois, tem sinais de que o asfalto finalmente vai chegar.
O atraso vem de longe. Só em 2009, as obras foram reiniciadas. Mas a empreiteira responsável por esse trecho faliu. Deixou as pontes novas. E o povo usando as de madeira. O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) refez a licitação e o asfaltamento começa este ano.
Em outros três trechos da BR-163, o Tribunal de Contas da União encontrou indícios de sobrepreço, superfaturamento e pagamento por serviços não executados.

O TCU aceitou a defesa de uma das empreiteiras. Para as outras duas, aponta potencial dano aos cofres públicos de R$ 31,4 milhões.
O Dnit exigiu das empresas garantias nesse valor, para não parar as obras até uma decisão final. Não pararam, mas atrasaram, como atrasa a viagem. “É bastante risco, porque é liso. O caminhão perde estabilidade. Falar que você tem segurança é difícil. A segurança é bem pouquinha”, conta José Roberto.

Economia
A estrada é importante porque reduz distâncias continentais.
Em vez de embarcados pelos portos do Sul, os grãos pela BR-163 chegam até o Porto de Santarém, de onde saem navios para China ou Europa.
Ainda mais barato é aproveitar o Rio Tapajós já desde Miritituba – 350 quilômetros antes de Santarém. De barcaça, a soja viajaria até Belém, para ser embarcada nos transoceânicos.
A Confederação Nacional da Indústria calculou que, com a estrada pronta, o agronegócio brasileiro economizaria R$ 1,4 bilhão por ano em frete. Ou seja, a obra se paga em pouco mais de um ano.
“Nós poderemos liberar os portos de Paranaguá, Santos, que são portos para manufatura. Os nossos custos serão melhores na medida em que eu desloque o produto da agricultura para o norte do país”, ressalta José Augusto Coelho Fernandes, diretor de Políticas e Estratégias da CNI. E a previsão hoje é que o asfalto fique pronto no fim do ano que vem. (Fonte/ TV Globo)

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