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Canaã dos Carajás

FLAGRA ANIMAL: Pantera ‘visita’ projeto S11D e deixa todo mundo de cabelo em pé

Dê um zoom para aproximar a imagem. Aproximou? Viu um ponto negro atravessando a estrada acolá? Pois bem. É ela mesma: a onça!

Uma baita de uma onça-preta — com alcunha na ciência de “Panthera onca” — deu o ar da graça no final da tarde desta sexta-feira (24) na portaria do projeto S11D, por meio do qual a mineradora multinacional Vale explora minério de ferro no município de Canaã dos Carajás.

De acordo com trabalhadores da vigilância da portaria de acesso à mina que flagraram a rainha das matas, a gatona caminhava tranquilamente e inspecionava os serviços. Sem prancheta ou caneta em patas, a pantera-negra apenas observava o movimento e, ao perceber que estava tudo tranquilo e favorável, foi embora sem dar sequer um esturro como “até logo”. Muito corajosa numa área de segurança armada, ela não estava usando seu Equipamento de Proteção Individual (EPI) e, por isso, perambulou por três minutos e se mandou, antes que fosse pega pela fiscalização da indústria extrativa.

“Eu me ‘arrupiei’ da cabeça aos pés quando vi aquela bitelona zanzando de um lado para outro na estrada, pertinho de nós”, contou um dos vigilantes, que pediu para não ser identificado, adicionado que já tinha presenciado outros animais silvestres na barreira, como pacas, tatus e cutias, menos a manda-chuva das redondezas.

E ela nem precisa dar satisfação do que faz ali. Na verdade, os incomodados que se mudem, uma vez que, antes de a empresa e os homens chegarem com suas máquinas, a pantera já reinava absoluta, embora tenha sido obrigada a procurar refúgio em outro lugar para dar espaço ao “progresso”. Agora, a dama desfardada continua com usocapião das cercanias de S11D.

QUEM É A MOÇA DA FOTO?

Solteira, livre e desimpedida. Não tem apego a macho algum. Moderna, ela simplesmente pega e não se apega porque sua vida é curta (em média, 15 anos de libertinagem) para se arrepender. À procura? Talvez — mas só se for de comida.

A onça-preta da imagem é, no fundo, no fundo, pintada por natureza. É símbolo sexual, em tempos de relações e prazeres meteóricos; símbolo de perseverança e resistência em tempos de desmatamento; e símbolo de força e poder, em tempos da supremacia do “ela”. Muito intensa e independente, terminou de dar de mamar aos filhos e os ensinou a buscar o pão de cada dia (geralmente os filhotes vão embora de casa perto dos dois anos), ela cai no mundo, sozinha, atrás de novas aventuras.

Chamada de pantera por causa de seu gênero (“Panthera”, na grafia em latim), que inclui os primos tigre (“Panthera tigris”), leão (“Panthera leo”) e leopardo (“Panthera pardus”), ela não tem parentes do gênero no continente americano. No Brasil, além da espécie da imagem, há outra variedade de onça (a suçuarana ou onça-parda, “Puma concolor”) que, no entanto, não se enquadra como pantera.

A cor negra é seu charme. Como se fosse um status raro e supremo, a pelagem escura atua como pano de frente num fundo pintado, tal como é a onça-pintada comum. Esse preto brilhante e que fez o vigilante “arrupiar” até “uzói” decorre do melanismo, característica que confere excesso de melanina (cor preta) à pelagem. O contrário disso seria equivalente ao albinismo (cor excessivamente branca).

E tem mais: para quem pensa que onça é tudo igual, de norte a sul do Brasil, diversos artigos científicos especializados no felino apontam que não. O exemplar visto nesta sexta, da Amazônia, é menor que o exemplar do Pantanal. Os hábitos também se diferem por conta das condições geográficas, planialtimétricas, climáticas e tróficas de cada região. Na Caatinga, por exemplo, as onças-pintadas são mais atrevidas em razão da escassez de alimentos, enquanto no Cerrado elas são mais tímidas por causa da exposição e disposição dos arbustos, à sombra dos quais o grande gato tira um cochilo, vez por outra.

NOSSA RAINHA DAS MATAS

O “Plano de Ação Nacional para Conservação da Onça-Pintada”, elaborado em 2013 por diversos pesquisadores e organizado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), revela como está a situação da onça-pintada no Brasil de maneira inédita. A Amazônia é o bioma onde a espécie se encontra em melhor estado de conservação, com, pelo menos, dez mil indivíduos maduros estimados.

As onças-pintadas que circulam pelas matas da região de Carajás estão razoavelmente bem preservadas. Numa área de florestas de 12.940 quilômetros quadrados, praticamente duas vez o tamanho do município de Parauapebas, o ICMBio estima haver 388 onças-pintadas adultas — há mais onças-pintadas perto das casas dos habitantes de Parauapebas, Marabá, Canaã dos Carajás e Curionópolis do que em toda a Mata Atlântica, bioma para o qual são estimados em torno de 250 indivíduos adultos.
Ainda assim, de acordo com o ICMBio, donzelas ou madames como a que aparece na foto sofrem muita pressão, notadamente em face dos projetos de mineração. A caça de onças, a caça de presas das onças, a transformação de seu habitat, a exploração madeireira e a ganância humana de invadir cada vez mais o espaço da pantera vulnerabilizam-na.

Num cenário sem desmatamento, nos próximos 100 anos, a possibilidade de extinção de onças na região seria de apenas 18%. Mas, se o desmatamento se mantiver nos mesmos moldes do que vem ocorrendo esta década, em 20 anos a chance de desaparecimento da rainha das matas sobe para impressionantes 45%. As florestas de Carajás, por incrível que possa parecer, de acordo com o apontado pelo Instituto Chico Mendes, são os únicos refúgios da Amazônia, entre quatro grandes áreas analisadas, em que a onça-pintada sobreviveria nas próximas duas décadas, mesmo com a intensificação do desmatamento.

Que a verdade seja dita, isso muito se deve aos cuidados que a mineradora Vale tem para com a Floresta Nacional de Carajás, uma das mais bem preservadas do mundo.

CURIOSIDADES DA BELA FERA

O maior exemplar de onça-pintada já capturado e de que há registro oficial tinha 158 quilos, bem maior que nossa personagem. Foi encontrado na região do Rio Paraguai, Mato Grosso do Sul, no século passado e viveu em cativeiro. Atualmente, um exemplar adulto de onça, na natureza, tem entre 60 e 90 quilos (praticamente o mesmo “corpo” de um homem adulto), embora haja registro de espécies com cerca de 130 quilos em cativeiro. Do chão aos ombros, uma onça pode chegar a ter 80 centímetros, e do focinho à ponta da cauda, um metro e 85 centímetros. As panteras adultas da Amazônia, como a flagrada pelos vigilantes, geralmente têm peso entre 50 e 70 quilos, sendo os machos mais erados.

A rainha das matas brasileira tem a mordida proporcionalmente mais potente entre todos os felinos, de deixar leão e tigre de boca aberta, literalmente. Uma onça-pintada tem cacife para enfrentar quatro cães da raça Pit Bull ou Rottweiler e matá-los todos sem grandes dificuldades, a mordidas e unhadas. A pressão e a potência da mordida de uma pantera tem o equivalente a 256 quilos, peso de um piano de cauda num abrir e fechar de boca, com presas que cortam como as navalhas mais perfeitas do mundo. Nem o jacaré-açu, com seus seis metros e sua bocarra monstrenga, conseguiria mais fortes emoções.

A mordida de um Pit Bull no auge de uma agressão não ultrapassa 106 quilos e um homem muito louco não conseguira morder, em boca livre, com força superior a 55 quilos.
Por todo o currículo técnico-operacional, seu e de seus pares, a pantera-negra que cuida de S11D é excêntrica e merece a admiração, e até os arrepios, de seus fãs.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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