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Governo Valmir Mariano: o jogo dos 12 erros

Adianto que o intuito deste artigo não é, como se diz no jargão popular muito utilizado na política: “chutar cachorro morto”. Primeiro, mantenho o respeito ao atual prefeito que irá encerrar o seu mandato no fim deste ano. Não tenho objetivo de atacar ou denegrir a sua imagem. Fiz diversas críticas a sua gestão, todas de cunho público, nunca no âmbito pessoal. Não trabalho nesta linha. Apesar de saber que se enveredasse por tal caminho teria muito mais acessos em meu blog. Mas como venho sempre afirmando, quero qualidade nos acessos, no debate e contribuir com Parauapebas, município que escolhi morar e criar meus futuros filhos.

Irei pontuar em diversos segmentos da atual gestão (levando em consideração que cheguei em Parauapebas no fim de 2014, portanto, acompanhei in locu, metade do governo. De resto foram pesquisas e análises à distância).

1 – Início ruim de Governo

Inegavelmente, mesmo que haja transição entre gestões, iniciar um governo não é fácil. As forças políticas que chegam ao poder ainda estarão se acomodando em seus espaços e construindo uma unidade gerencial que muitas das vezes não é possível ou não acontece em sua plenitude. O início do governo Valmir foi muito complicado. A montagem foi realizada de forma atropelada e que estavam sendo influenciadas por fatores externos. Retrato das composições e acordos políticos na campanha e que precisavam serem cumpridos. Isso explica as “tropeçadas” sucessivas e certa inércia administrativa no Palácio do Morro dos Ventos. Os dois primeiros anos foram complicados e pesaram na avaliação geral da atual gestão.

2 – Troca-troca no 1º escalão

Não há dúvida que o governo que se encerra bateu um recorde entre todos que assumiram a prefeitura da “capital do minério”: mudanças no secretariado. Até o processo de descompatibilização exigido pela justiça eleitoral para os que pretendiam se lançar candidatos nestas eleições, haviam sido trocados 55 secretários. Qual gestão ou política pública (independente de área) sobrevive ou consegue realizações positivas com tantas mudanças? Exemplo disso foi a secretaria de cultura, a maior “moeda de troca” da gestão Valmir. Nove pessoas assumiram a pasta. Resultado pode-se perceber na produção cultural do município, quase inexistente.

3 – Governo ruim na articulação política

Toda e qualquer gestão deve primar por sua articulação política. Em um sistema presidencialista, onde o Executivo torna-se refém do parlamento, ter um bom articulador político é fundamental. Por exemplo, a chefia de gabinete do prefeito Valmir até o momento foi trocada quatro vezes. O que demonstra claramente descompasso na referida área. O atual Wanterlor Bandeira, que assumiu a função há pouco mais de um ano, melhorou a relação com a Câmara de Vereadores e acordos que deixavam de serem cumpridos. Mas tal mudança positiva poderia ter sido tarde, como de fato foi.

4 – Governo sem identidade social

Não há como negar que o governo municipal realizou muitas obras, sobretudo, as estruturantes, seguindo o perfil do prefeito. Deixará um legado de infraestrutura e avanços na mobilidade urbana, acessibilidade, transporte público, etc. Mas errou em não produzir políticas públicas sociais, como a gestão anterior fez. Pelo contrário, as desmontou. Não houve políticas públicas municipais para ação e promoção social em um município em crise econômica. Isso é mortal eleitoralmente. O que foi mantido é o modelo assistencialista com recursos federais. Neste sentido a sociedade, sobretudo, os mais necessitados, não se sentiram representados. Não viram ou perceberam no governo o cuidado, zelo em “acomodar” ou tentar diminuir a crise social e econômica.

5 – Governo de perfil exógeno

Não se precisa fazer esforço analítico para ter a concepção que o governo Valmir foi muito mais “para fora” do que “para dentro”. Ou seja, deixou de lado programas ou ações de dentro da gestão para serem realizadas ou produzidas por pessoas ou empresas do município, ou seja, gerando renda local e que não fossem enviadas para além da cordilheira de ferro que contorna a cidade. Isso criou sentimento parecido com o abordado no tópico acima.

6 – Governo sem comando central

Em diversos textos abordei tal questão. Valmir não governava ou se fizesse tal ação, era de longe, à distância, acompanhando em segundo plano o que estava sendo realizado. Existia um núcleo gerencial, o prefeito acompanhava e autorizava as deliberações. Não existia a sua presença, sua condução. Isso politicamente é ruim, arranha a imagem. A população espera no prefeito, participação, liderança, ação e fiscalização efetiva sem e seus subordinados. Uma gestão no “piloto automático” é mal avaliada.

7 – Falta de carisma do prefeito

Este ponto o levantei respeitando o perfil. Valmir Mariano não é político e nem sabe fazer política. Trato desta questão há dois anos. Mesmo não tendo característica carismática, deveria ter sido melhor trabalhado isso. Foram quatro anos para que essa “qualidade” pudesse ter sido melhorada, embutida no prefeito. Valmir se fechou em seu espaçoso gabinete e estava nas ruas esporadicamente, quando, por exemplo, tinha que inaugurar obras. Não tinha boa comunicação (oratória péssima). Repito, não estou criticando o prefeito por não ter essas características. Isso é do perfil de cada um. Critico aos que não o tornaram menos ruim nas questões apresentadas.

8 – Denúncias de corrupção

O governo Valmir foi atingido em cheio com uma avalanche de denúncias de suspeitas de desvios de verbas públicas e desmando na gestão em prol de interesses pessoais dos que estavam à frente de pastas e órgãos públicos. A operação “Filisteus”, o Gaeco, MP, que estavam quase permanentes em Parauapebas, criaram um desgaste muito grande a imagem do prefeito e de sua gestão. Seus adversários fizeram bom uso das situações negativas. O processo ainda prossegue, mas sem avanços.

9 – Crise econômica

Não há como negar que a atual crise econômica vivida por Parauapebas, baixa cotação do minério de ferro no mercado internacional, ocasionou queda significativa na arrecadação, o que tornou a administração da máquina municipal e o atendimento de demandas mais complicado. Aliado a isso a falta de habilidade fiscal e descontrole dos gastos, fazendo com que a prefeitura deixasse de cumprir seus compromissos com prestadores de serviços e contratos em dia. O termo “caloteiro” foi muito vinculado a imagem do prefeito Valmir.

10 – Falta de cumprimentos de acordos e instabilidade em decisões

Uma das principais marcas do governo Valmir. O próprio prefeito ficou marcado por decidir e depois voltas atrás de suas decisões. Outra marca negativa e que pesa na avaliação da sociedade

11 – Alta rejeição

Vinha afirmando desde o início do ano corrente que a rejeição ao prefeito Valmir era alta e que isso seria um grande obstáculo ao processo de reeleição. Quem trabalha em campanha política sabe que mesmo com bom marketing e peças publicitárias bem construídas, rejeição é um desafio, voto quase perdido. A campanha eleitoral do prefeito foi muito bem feita, a melhor. Isso refletiu em diminuição da rejeição e aumento da porcentagem das intenções de votos, mas não foi o suficiente.

12 – Falta de comunicação institucional

Neste quesito, o governo Valmir errou muito. A relação com a imprensa local não foi bem costurada. A Ascom pecou em muitas situações. Se resumiu ao envio de matérias aos rementes da imprensa. Não promoveu melhor relacionamento e a exposição de obras do governo foi muito deficiente. Melhorou no último ano com o reforço de pessoas de Belém. Isso é comprovado na prática. Um governo que fez muito, mas perdeu eleição e manteve alto índice de rejeição.

Finalizei em 12 pontos. Claro que poderiam ter sido mais, até mesmo que leia esse texto vai apontar ausências, mas penso que essa uma dúzia reflete bem de modo geral o processo como um todo. Meu objetivo é promover reflexão sobre a gestão pública e a relação de poderes em Parauapebas. De resto é politicagem gratuita.

  • Henrique Branco é Professor de Geografia e Estudos Amazônicos das redes municipal e particular de Parauapebas. É especialista em Geografia da Amazônia: Sociedade e Gestão dos Recursos Naturais e editor do Blog do Branco – Reflexões e Provocações.
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