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Índice de mortes no trânsito de Parauapebas aumentou mais de 100% em cinco anos

Saia da frente e salve-se quem puder: nos mapas de violência divulgados entre 2009 e este ano, o número de acidentes de trânsito fatais se manteve praticamente estável no município de Marabá e mais que dobrou em Parauapebas. As estatísticas apresentadas no Mapa da Violência 2014 revelam que, no Pará, o crescimento do total de acidentes em um ano é da ordem de 13,8% e, no Brasil, de 1,4%.

Em Parauapebas, o crescimento da frota foi ainda mais rápido e assustador. Apesar de o município ter perdido vigor no emplacamento de veículos em relação ao que apresentou outrora (entre 2007 e 2012, a “Capital do Minério” só perdia para a capital paraense em número de veículos novos nas ruas diariamente), sobrou-lhe como herança uma sede urbana estreita demais para tantos veículos em circulação e, como consequência, o crescimento de 109,48% no número de mortes no trânsito, inacreditavelmente o maior e pior entre todos os municípios paraenses nos últimos cinco anos – nos últimos três anos, Parauapebas perde a “majestade mortal” para Altamira e Canaã dos Carajás, que destrambelharam no enxerto de veículos novos nas ruas e, por isso, tornaram-se cidades de trânsito violento.


Atualmente, Parauapebas tem – ou melhor, tinha em junho passado – 61 mil veículos em circulação, conforme o Denatran. O mesmo município possuía 57 mil veículos seis meses atrás. Ou seja, em apenas um semestre, Parauapebas recebeu cerca de 4.000 novos veículos, uma média de quase 700 por mês (e olha que essa média já chegou a ser de 1.000 mensais). Só entram nessa conta veículos com placas locais; se forem considerados aqueles que circulam pelo município com placa de fora, a situação se torna mais complexa e crítica.

Todo esse potencial de consumo, que tornou a “Capital do Minério” a quinta de maior frota do Pará, em parceria com a imprudência de alguns condutores e a falta de educação no trânsito de muitos outros, conduziu sua mobilidade urbana à insustentabilidade nos horários de pico. E olhe que nem de muito longe Parauapebas tem o movimento de tráfego igual ao de Marabá, município com frota maior e cujas terras são cortadas por quatro rodovias de intenso movimento – as BRs 230, 222, 155 e 158.

Em Parauapebas reinam diariamente batidas de carro com carro, carro com moto, moto com moto, além do racha escancarado de vanzeiros, que põem as vidas deles próprios e alheias em risco.

Hoje, Pebas tem o nono trânsito mais perigoso do Pará e o 249º do Brasil. E para quem esteve fora dos 500 lugares mais violentos no trânsito, a “Capital do Minério” está indo como muita sede ao pote (ou ao topo). É nela, aliás, onde morrem, em média, 40 pessoas no trânsito em cada grupo de 100 mil – a média mundial é de 18 por 100 mil, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Se fosse um país, Pebas teria o terceiro pior e mais assassino trânsito do mundo, atrás da Namíbia e da Tailândia.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Anderson Souza

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