Desde o último sábado, 17 de dezembro, a mineração de ferro na região de Carajás nunca mais será a mesma. Em Canaã dos Carajás, a mineradora multinacional Vale inaugurou o Complexo S11D “Eliezer Batista”, o maior investimento da história da indústria extrativa mineral desde o Paleolítico e cujo nome de batismo homenageia um engenheiro civil que foi presidente da mineradora por duas vezes.

O complexo S11D (também chamado de Projeto Ferro Carajás S11D) é um empreendimento tão grandioso para o mercado financeiro e, sobretudo, para a balança comercial brasileira que até o presidente Michel Temer abriu espaço na agenda para contemplar seu start-up. Seria a primeira vez em que Temer colocaria os seus “imolháveis” pés em solo nortista desde que foi colocado no cargo de presidente da República.
Porém, alegando forte chuva na região de Carajás, o Palácio do Planalto desmarcou a presença do presidente ao evento em Canaã, onde populares o aguardavam prontíssimos e a postos para uma manifestação recheada de interdição de rodovia e fogo em pneus.

REFLEXÃO

Para além de seus números grandiosos, que a mídia do Brasil inteiro apenas replica dos releases distribuídos pela Vale, a operação de S11D é vetor de uma série de transformações que vão começar a ser percebidas, inicialmente de forma tímida, na região sudeste do Pará. A principal delas será socioeconômica.

Projeto pensado e executado com bastante esmero pela Vale, a empresa apostou todas as fichas em Canaã dos Carajás em 2006, até então um pacato município com 30 mil habitantes, que havia sido sacudido dois anos antes na implantação de outro projeto, o Sossego, criado pela mesma empresa para extração de cobre. Dez anos atrás, os primeiros estudos de capacidade técnica e viabilidade econômica apontavam que S11D seria um sucesso comercial.

Assim, para colocá-lo em atividade hoje, a Vale teve de fazer diversas renúncias, encerrar projetos abruptamente, realizar desinvestimentos, vender ativos e se endividar por acreditar num retorno certo e imediato. A empresa poderia muito bem abrir novas frentes de lavra na Serra Norte, porção de Carajás que se localiza em Parauapebas, onde já mantém operações, e explorar os corpos de N1, N2, N3, N6, N7, N8 e N9, platôs nos quais — embora dispersos — ainda há reserva total de minério de alto teor estimada em 854 milhões de toneladas. Mas não. Seria muito burocrático, custoso e sem um décimo do retorno projetado para S11D.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar