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Mais um caso desvendado: Filha reencontra o pai após quase 40 anos

Lima Rodrigues – Jornalista

Emocionante. Assim foi a reação da professora Francisca Raimunda de Oliveira, de 45 anos, moradora de Tianguá (CE) ao receber a informação de que eu havia localizado seu pai, Vicente Pedro de Oliveira, de 71 anos, que mora na Vila Rio Branco, depois da Palmares II, na zona rural de Parauapebas (PA).

Ela ficou mais feliz ainda ao conversar por telefone (e com vídeo) com o irmão dela por parte de pai, Francisco Maciel, de 20 anos, que é técnico em agropecuária. Primeiro, conversei com o jovem Francisco e perguntei se o pai dele e família tinham interesse em conhecer a dona Francisca. “Sim. Inclusive tínhamos interesse em procurá-la e você facilitou esse reencontro”, disse ele, ressaltando que seu Vicente ficou também muito feliz e emocionado.


Dona Francisca Oliveira, que mora em Tianguá (CE), na tarde desta terça-feira, quando falava por telefone com o irmão dela, Francisco Maciel, que mora na Vila Rio Branco, em Parauapebas

 

Por enquanto, pai e filha ainda não conversaram por telefone. No local que ele mora ainda não pega celular. Francisco e a mãe dele, Glauciete, foram até uma área urbana e fizeram a ligação para o Ceará, após me pedirem o número de dona Francisca, que pretende visitar o pai em julho ou no Dia dos Pais ainda este ano.

O pai de dona Francisca, Vicente Pedro, um belo dia saiu de casa para ir à feira e nunca mais voltou. Isto já faz quase 40 anos. A mãe dela, dona Raimunda Antônio do Nascimento Oliveira, nunca mais se casou e resolveu dedicar todo o tempo da vida na criação dos filhos.

O irmão mais velho de dona Francisca, Francisco Maciel, tem 20 anos e é técnico em agropecuária

 

Emocionada, a professora Francisca enviou a seguinte mensagem por telefone, direto de Tianguá, no Ceará:
“Eu não tenho palavras para lhe agradecer. Olha, todo dia em que eu falar com Deus para agradecer pela sua atitude, vai ser pouco. Você nem sabe o quanto eu sou grata. Eu já sabia que na terra tinha anjos. Eu tinha certeza que eu tinha anjos aqui na terra para me ajudar e você é um deles. Esse momento foi emocionante. Me deu um frio na barriga ao falar com meu irmão Francisco e a com a mãe dele (Glauciete). Estou criando coragem para enviar um áudio para o meu pai, sem tremer a voz, o que acho difícil. E se Deus quiser e tudo ocorrer bem, você terá a oportunidade de registrar tudo sobre o nosso reencontro em julho ou no Dia dos Pais este ano. Sou muito grata a Deus e a você por realizar meu sonho de reencontrar meu pai aí no Pará”.

O agricultor Vicente Pedro de Oliveira ficou muito feliz ao saber que sua filha está bem no Ceará

 

A história

Após ter encontrado a família do ex-andarilho Gabriel Costa de Carvalho no ano passado em Goiás e em Brasília, recebi inúmeros pedidos de ajuda de pessoas para localizar parentes desaparecidos. São casos de vários estados e os mais complexos, mas estou investigando todos.

No caso do agricultor Vicente Pedro de Oliveira a situação foi diferente. Ele mora no município de Parauapebas e a filha que o procurava reside no interior do Ceará. Dona Francisca entrou em contato comigo e fez o apelo para que eu localizasse o pai dela. A partir daí, publiquei o caso nas minhas redes sociais e no Portal Pebinha de Açúcar e uma pessoa que compartilhou reconheceu seu Vicente e comunicou o fato ao filho dele, Francisco, que entrou em contato comigo. Por isso, faço questão de repetir: as redes sociais são fundamentais para meu trabalho de localização de pessoas. Muito obrigado a todos que compartilharam, curtiram ou comentaram a postagem sobre o seu Vicente.

Além do Francisco Maciel, o casal Vicente e Glauciete tem ainda mais dois filhos: Antônio Maciel de Oliveira, 15 anos, e Maílson Maciel de Oliveira, 12 anos. Com a irmã Francisca Raimunda de Oliveira, agora a família está completa.

Já o agricultor Vicente, além de dona Francisca, tem mais três filhos no Ceará: Maria de Lourdes de Oliveira, Francisco Vicente de Oliveira e Maria José de Oliveira, do casamento que ele teve com dona Raimunda Oliveira, hoje com 70 anos e que mora em Guaraciaba do Norte, também no Ceará.

A hoje professora Francisca Oliveira disse que aprendeu a ler com cinco anos de idade ao ouvir todo dia meio dia, lá em Tianguá, o pai dela, seu Vicente, repetir inúmeras vezes as seguintes estrofes de um cordel denominado “Juvenal e o Dragão”, cujo autor ela não lembra o nome:
“Quem ler esta história toda do jeito que foi contada, verá que o falso é viu e nunca nos serve de nada. A honra e a felicidades são sempre recompensada. Morava um camponês no subúrbio de um ducado. Já fazia sete anos que ele tinha enviuvado. Só ficou com dois filhinhos no que mais tinha cuidado. O velho adoeceu muito conhecendo que morria. Um casebre e três carneiros só era o que possuía. Deu de herança aos seus filhos e morreu no outro dia. Ficaram ambos sozinhos: uma moça e um rapaz. Disse ela ao irmão a partilha: você fique lá com os três carneiros que no valor são iguais”.

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