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Marabá, Canaã e Rondon preparam-se rumo ao topo das exportações

Ninguém imaginava que Marabá, a “Rainha do Tocantins”, fosse crescer tanto na balança comercial brasileira nos últimos dois anos. Tudo por causa da mineração, também.
Depois que a mineradora Vale passou a extrair cobre da mina de Salobo, na porção sudoeste do município, Marabá avançou da escondida centésima e alguma coisa em superávit para ocupar a posição de número 22 como o que mais lucro dá ao Brasil. Esta é a melhor performance da história do principal e mais populoso município da Mesorregião do Sudeste Paraense. Só para constar: no bimestre em que Marabá desponta nacionalmente como um dos principais polos de lucro do país, há 1.887 municípios no páreo, grande parte dos quais dando sucessivos prejuízos ao Brasil na balança comercial.
Em termos proporcionais, Marabá é o município exportador que mais cresceu na balança comercial e ocupa, hoje, o terceiro lugar no Pará, atrás de Parauapebas e Barcarena, como o fiel da balança, após ter destronado nos últimos dois anos os poderosos municípios de Canaã dos Carajás (tradicional exportador de cobre via Vale, patroa do projeto Sossego), Belém e Ananindeua (ambos exportadores de produtos e serviços diversos).
Nos dois primeiros meses deste ano, Marabá exportou US$ 128.225.347 (a maior parte em concentrado de cobre), importou US$ 5.623.280 e obteve US$ 122.602.067 de lucro. É um volume de negócios expressivo para um Brasil que começou 2014 comercialmente pior que no ano anterior.
Agora, Marabá – com seus 258 mil habitantes projetados para 2014 – segue firme e forte rumo ao topo, ameaçando ocupar lugares de poderosos exportadores, como as gigantes capitais São Luís, com 1,05 milhão de habitantes e detentora do porto mais movimentado da Amazônia; e Manaus, com 1,98 milhões de residentes, mais populosa cidade amazônica e detentora da Zona Franca. Se mantiver o pique de exportações, até junho Marabá deixa esses “milionários” municípios (de gente) para trás. É o interior paraense levando o resto do Brasil na cacunda.

PERSPECTIVAS
Derrocagem, S11D e Alumina Rondon colocarão municípios no topo nacional


Alguns municípios paraenses poderão avançar substancialmente na balança comercial brasileira e chegar ao grupo dos dez maiores superavitários (G10) com a entrada em operação de grandes projetos que estão previstos ou com implantação em andamento na região. O start-up de empreendimentos de mineração ou a estes vinculados deve potencializar as exportações de minérios e outras commodities a partir da ampliação da infraestrutura de transportes, tendo, particularmente, duas vias de escoamento como fator preponderante: a Estrada de Ferro Carajás (EFC) duplicada e o Rio Tocantins navegável.

MARABÁ
O derrocamento do Pedral do Lourenço foi, finalmente, anunciado pela presidente Dilma Rousseff esta semana, e o edital para botar o megaempreendimento para funcionar já está na rua. O derrocamento consiste em retirar 43 quilômetros de rochas submersas no Rio Tocantins para abrir alas ao funcionamento da Hidrovia Araguaia-Tocantins. O pedral impede a navegação nos períodos de seca, o que inviabiliza a hidrovia na prática, e para retirá-lo do caminho é preciso gastar, no mínimo, R$ 520,3 milhões, conforme apontou três anos atrás um estudo realizado pela Universidade Federal do Pará (UFPA).
Quando o derrocamento estiver concluído, haverá, consequentemente, melhoria das condições de escoamento pela hidrovia de toda a produção de commodities regionais (mineral, agrícola e pecuária) com destino ao porto de Vila do Conde, em Barcarena. A capacidade de transportes é calculada pelo governo em até 20 milhões de toneladas por ano.
Como entroncamento exportador, Marabá (que historicamente sempre ficou no meio do fogo cruzado de investimentos maciços na região e recebeu como prêmio todo o ônus) deverá turbinar a economia local e regional e, bem assim, chegar ao G10 dos superavitários, empurrado, ainda, pela operação da segunda etapa do projeto Salobo, que deverá ter dobrada a capacidade de extração – e exportação – de concentrado de cobre das atuais 100 mil toneladas para 200 mil.

CANAÃ DOS CARAJÁS
Numa relação incestuosa, em que a Vale casou-se com Parauapebas e deu origem a Canaã dos Carajás, o município caminha para ser a esposa oficial da mineradora, ao passo que a “Capital do Minério” passará à condição de amante até tornar-se a mulher abandonada, com a inevitável exaustão das minas, pelo andar da carruagem – carruagem esta em que, aliás, Canaã já se assenta no banco mais confortável do carona rumo ao altar do casamento, por ser o centro receptor do maior investimento da história da mineração mundial: o projeto S11D, com seus cerca de US$ 19,5 bilhões injetados para erguer mina, usina, aeroporto, ramal ferroviário para fazer o minério chegar à Estrada de Ferro Carajás (EFC), cujos trilhos serão duplicados.
Quando todo esse investimento colossal for transformado em logística e operação, Canaã dos Carajás (leia-se: a Vale) faturará como nunca. Hoje, o município tem 31 mil habitantes. No start-up de S11D, nos próximos 36 meses, a projeção é de que esteja com 50 mil – basta andar pela sede urbana para perceber como ela se esparrama desesperada e loucamente, via loteamentos e invasões, pelos quatro pontos cardeais.
No primeiro bimestre deste ano, Canaã exportou US$ 100.807.992 em minério de cobre do projeto Sossego. Se, hoje, o S11D estivesse em operação com a capacidade total prevista, de extrair 90 milhões de toneladas por ano (Mtpa) de minério de ferro, Canaã seria o 2º maior exportador do Brasil – poucos dólares atrás de Parauapebas – com uma contribuição de US$ 1,4 bilhão à balança e, potencialmente, na condição de, também, o 2º maior superavitário do Brasil.
Se nada atrapalhar o cronograma de implantação e operação do projeto S11D, será apenas questão de tempo – no máximo, três anos – para o município chegar a esse posto. Segure-se, Parauapebas.

RONDON DO PARÁ
A fuzarca ainda não começou em Rondon do Pará, mas daqui a pouco a barulheira será grande. Hoje, o tímido e acanhado município de Rondon não contribui com uma cibalena sequer na balança comercial do Brasil. Mas nos próximos anos deverá se tornar a “menina dos olhos” da bauxita no país em razão da implantação do projeto Alumina Rondon, da Votorantim Metais.
A expectativa é de que o projeto Alumina Rondon entre em operação em 2017, com produção inicial de 7,7 Mtpa de bauxita lavada, lavrada a céu aberto e em tiras. Esses 7,7 Mtpa vão render 3 Mtpa de alumina. Em 2020, com a segunda fase, a capacidade de produção de bauxita extraída será ampliada para 15,4 Mtpa e a de alumina deve dobrar para 6 Mtpa. A expansão tornará Alumina Rondon a 2ª maior refinaria em atividade no planeta.
Nesse ritmo de exploração previsto pela Votorantim, haverá minério para 40 anos. As informações – que constam do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do empreendimento – são iniciais e para o planejamento de lavra dos primeiros dez anos. A partir daí, a depender da demanda e do mercado, a Votorantim pode ficar entusiasmada e acelerar o passo extrativo, o que pode diminuir a vida-útil da mina.
Quando o empreendimento estiver funcionando, Rondon do Pará despontará na balança comercial brasileira, trazendo a reboque o município de Dom Eliseu, onde está outra parte da reserva de bauxita medida e provada. É um investimento de R$ 6,6 bilhões que a Votorantim está fazendo para exportar, no mínimo, R$ 600 milhões por ano – o que lhe cobrirá os custos iniciais em pouco tempo.

Os municípios paraenses da Mesorregião Sudeste têm tudo para fazer a diferença econômica no Brasil. O que se espera de fato é que, socialmente, eles deem também tão bons exemplos ao país. Mas esta, por ser demais difícil e até duvidosa, é questão para outro debate.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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