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Microrregião tem mais gado que 8 estados, mas homem do campo é esquecido

Neste mês de setembro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem divulgado várias pesquisas sobre a agropecuária do país, em âmbito municipal, e a microrregião de Parauapebas está alheia a tudo isso.

Na manhã de hoje, quinta-feira (27), o instituto soltou dados sobre a produção pecuária dos municípios brasileiros, segundo o quais o efetivo bovino dos cinco municípios que compõem a microrregião (Parauapebas, Água Azul do Norte, Canaã dos Carajás, Curionópolis e Eldorado do Carajás) chegou a 1.572.674 cabeças no pasto. A microrregião possui apenas 317.861 habitantes, logo, a média é de cinco bois ou vacas para cada morador.


Parauapebas e entorno são tão ricos em gado que o rebanho chega a ser maior que o de oito estados brasileiros, sem contar que o efetivo de Água Azul do Norte, composto por 644 mil cabeças, está entre os 20 maiores do Brasil. Além disso, a microrregião tem produção expressiva de galinhas (248 mil cabeças) e é importante berçário de cavalos e porcos (ambos rebanhos com 25 mil animais). No município de Parauapebas, por exemplo, o rebanho suíno disparou impressionantes 164% de 2016 para 2017, saltando de 2.700 cabeças para 7.115.

Apenas em produtos de origem animal (leite, ovos e mel de abelha), a região movimentou R$ 77 milhões ano passado, quase R$ 7 milhões acima de 2016. Foram R$ 74 milhões em leite, cerca de R$ 2,5 milhões em ovos e quase R$ 650 mil em mel.

Toda essa riqueza, no entanto, passa ao largo da geração de postos de trabalho no setor agropecuário por falta de investimentos dos governantes na cadeia produtiva, pela baixa atratividade de negócios e pelas dificuldades logísticas da região, além das limitações geográficas e da legislação ambiental.

Em nível agrícola, apenas o município de Parauapebas produziu mais de R$ 130 milhões em produtos vegetais, sendo que apenas a mandioca já movimenta mais de R$ 65 milhões por ano, seguida da banana, que rende cerca de R$ 36 milhões em divisas. Parauapebas também tem produção considerável de milho (R$ 7 milhões), melancia (R$ 7 milhões), mamão (R$ 4 milhões), tomate (R$ 3 milhões), açaí, coco-da-baía, soja e maracujá (todos na faixa dos R$ 2 milhões).

HOMEM DO CAMPO DESPREZADO

Para Frank James, candidato a deputado federal pelo PRTB, a preocupação com as benesses advindas da mineração é tamanha, que outras fontes de geração de emprego e renda, como a agropecuária, acabam sendo menosprezadas e, por isso, tornando-se invisíveis na cesta de produção de riquezas.

Com sua assessoria, o candidato levantou dados da agropecuária na região e concluiu que o homem do campo padece de incentivos e políticas públicas. Por conseguinte, segundo ele, a região perde com a falta de beneficiamento de produtos da cadeia agrícola e se omite na geração de postos de trabalho. “Os cinco municípios estão atolados com 85.500 mil desempregados, metade deles em Parauapebas, e os gestores não são capazes de criar planos de ação voltados ao campo”, destaca. “A maioria das prefeituras fica à mercê da indústria mineral, especificamente dos impostos que ela gera e dos royalties. E assim estamos criando uma cadeia viciosa muito perigosa. E quando não houver mais recursos minerais para jogar dinheiro em caixa?”, questiona o candidato, destacando que, na Câmara dos Deputados, vai direcionar recursos para investimento na agropecuária e na agricultura familiar.

 

AGROINDÚSTRIA É PODEROSA

Frank esclarece que o Censo Agropecuário realizado pelo IBGE no final de 2017 e cujos resultados preliminares foram divulgados em julho deste ano mostram que Parauapebas e entorno possuem 25 mil pessoas ocupadas no campo, trabalhando ou residindo em sete mil fazendas, sítios, chácaras e afins. A agroindústria rural, da qual muitos desses trabalhadores garantem o sustento, já conta com mais de 1.400 estabelecimentos espalhados pelos cinco municípios.

As casas de farinha, as unidades de processamento de polpas de frutas e as fabriquetas de queijo, requeijão e outros derivados do leite movimentam milhões de reais e têm potencial de gerar muitos empregos.
“Falta investimento. É preciso chamar o produtor da agroindústria rural para conversar e expor suas demandas, suas dificuldades e suas necessidades. Temos muito mais que minérios. O produtor rural precisa de apoio. E, sendo eleito, vou sacudir a Câmara Federal atrás desse apoio para garantir o estrelismo que nossa região possui e que precisa estar na supervalorização do ser humano, e não de recursos que são esgotáveis”, reflete Frank James.

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