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O sonho da Alpa, acabou?

O referido projeto nasceu de uma grande disputa nos bastidores. O então presidente Lula e a ex-governadora Ana Júlia Carepa, ambos do PT, cobravam da mineradora Vale a implementação de uma planta industrial no Pará que verticaliza-se a produção do ferro, agregando valor ao produto. Meses e meses de negociações entre os referidos governos e a empresa, chegou-se a um acordo. A Alpa seria uma realidade, construída em Marabá, ao custo de 5 bilhões de reais (valores da época).

Terreno foi concedido pelo governo do Estado à mineradora, que construiria naquele lugar a siderúrgica. As primeiras expectativas indicavam que a obra seria inaugurada em 2010, ainda nos governos que negociaram a sua construção. A hidrovia Araguaia-Tocantins seria a contrapartida do governo federal para criar o “corredor” de escoação da produção da siderúrgica. Anos se passaram, houve troca de comando na presidência da mineradora, mudanças nos governos federal e estadual (no Pará com o retorno do PSDB ao Palácio dos Despachos) e nem os poderes públicos citados e nem a empresa cumpriram as promessas.

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Alpa alimentou e ainda alimenta o sonho das pessoas que residem no sul e sudeste paraense, especialmente os habitantes de Marabá que viam e ainda veem na obra, a esperança de dinamizar a economia daquele município e de toda a região. A força política em cobrar a implementação do empreendimento parece a cada dia diminuir. Já se vão sete anos entre o lançamento do projeto e os dias atuais. O que a Assembleia Legislativa do Pará está fazendo sobre o assunto? E o governo estadual?

A Vale parece não mais se importar com o assunto. Não se percebe esforços por parte da mineradora em tornar a Alpa uma realidade, justificando a inércia sobre o caso pela falta de cumprimento dos acordos por parte dos governos. Os poderes públicos envolvidos parecem não fazerem maiores esforços para que o empreendimento seja erguido e comece a “virar a página” na forma como se desenvolve economicamente a região.

Alpa é muito mais do que mais um projeto de muitos já implementados na Amazônia, representa (se vier ainda a ser uma realidade), a quebra da lógica perversa do modelo de desenvolvimento pensado e imposto na Amazônia desde a década de 1980. A tão sonhada e esperada verticalização mineral ficará – mais uma vez – na retórica? Até quando continuaremos a exportar minério em seu estado bruto, sem agregar valor, penalizados pela Lei Kandir? Até quando iremos manter o modelo de desenvolvimento colonial que concentra riqueza e deixa gigantesco lastro de pobreza por onde passa?

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Por: Henrique BRANCO – professor de geografia da rede pública municipal de Parauapebas, atuando também no ensino privado da referida cidade. Especialista em Geografia da Amazônia – Sociedade e Gestão de Recursos Naturais. Escreve diariamente no Blog do BRANCO: http://henriquembranco.blogspot.com.br/


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