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Pará tem a pior rede de esgoto do Brasil

“O Pará tem 2% de coleta de esgoto, é um estado inteiro que não anda”, a afirmação é do presidente do Instituto Trata Brasil, Edson Carlos, ao divulgar ontem dados do estudo “Benefícios da Expansão do Saneamento Brasileiro”, realizado em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável. De acordo com o estudo, pouco mais de 183 mil paraenses desfrutam de redes de esgoto em seu domicílio. É o pior resultado do Brasil. O abastecimento de água chega a apenas 30% da população, ou para 2.320.996 habitantes.

Considerando o número de moradias, o resultado é ainda pior: somente 1,4% dos lares paraenses têm acesso a esgotamento sanitário. O custo para atingir a universalização, ou seja, todos os domicílios abastecidos com água e esgoto é de R$ 16,289 bilhões, ou 18,4% do Produto Interno Bruto do Estado.


O trabalho mostra que, sete anos após o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado para a expansão do saneamento, o Brasil amarga a 112ª posição em um levantamento feito com 200 países.

“O país avança, mas é aquém do necessário. Passamos as décadas de 70 e 80 quase sem investimentos, e as cidades cresceram sem qualquer planejamento sanitário. Quando os investimentos começaram, foi criado um abismo, que nos dá dois brasis. Então, hoje, pior do que o avanço ser pequeno é o fato dele ser desigual” diz o presidente do Instituto Trata Brasil, em entrevista ao jornal “O Globo”, que divulgou com exclusividade o estudo.

Edson Carlos tenta explicar a queda no ritmo de expansão: “Temos melhorado cidades que já estão bem. Mas o Pará tem 2% de coleta de esgoto. O Maranhão tem índices de Região Norte, que é a pior do país. Então, mesmo com o avanço do Sul, puxado pelo Paraná, do Sudeste e do Centro-Oeste não foi possível manter ou melhorar o ritmo da expansão.”
O trabalho procura mostrar o prejuízo que as internações hospitalares decorrentes de doenças refletidas pela falta de saneamento, geram para o Brasil e para as 27 unidades da federação mais o Distrito Federal. Se o país já tivesse universalizado o saneamento, o número de internações por conta de infecções gastrointestinais cairia em 74,6 mil registros. Apenas nas regiões Norte e Nordeste, seriam quase 60 mil. Além disso, por conta de trabalhadores afastados por diarreia e vômito, em 2012, o Brasil teve um custo de mais de R$ 1 bilhão com horas não trabalhadas.

No Pará, o número de internações em 2013, segundo o Datasus foi de 40.703. Deste total, pelo menos 12.942 poderiam ter sido evitados, se o Estado tivesse universalizado os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. A economia para o Estado teria sido de R$ 5.797,885 milhões.

O que chama mais a atenção nos dados é o fato de que a maior parte das internações ocorreu justamente nas áreas com menor acesso ao esgotamento sanitário: Norte e Nordeste. Na região Norte foram registradas 16,8% das internações, uma participação extremamente elevada considerando que apenas 8,5% dos brasileiros habita na região. “Quando as pessoas sinalizam em pesquisas de opinião que desejam que a Saúde melhore no país, elas não fazem qualquer ligação com a falta de saneamento. Mas está tudo ligado. Esses dados da pesquisa podem ajudar a entender e a fazer com que a sociedade passe a cobrar também por saneamento. As Nações Unidas já fizeram a conta que mostra que a cada R$ 1 gasto em saneamento, poupa-se R$ 4 em Saúde. O Instituto fez um estudo que revela que no Brasil, em alguns estados, R$ 1 em saneamento poupa R$ 40 em Saúde”, explica Edison Carlos.

COSANPA
Em nota, a Cosanpa informou que tem cerca de de 1 bilhão de reais em investimentos de saneamento no Pará.
Entre os quais, destaca-se a Estação de Tratamento de esgoto de Marabá que vai atender grande arte da população e está em fase de conclusão. “Também se destaca o início da Estação de Tratamento do Una, a primeira fase já começou na rod Arthur Bernardes. Quando estiverem as 3 fases prontas, a obra vai atender mais de 500 mil habitantes”.
Outra grande obra citada e em fase de conclusão seria a da Estação de Esgoto do Bengui, que vai atender mais de 300 mil habitantes. “Além disso, está sendo construida uma estação de esgoto pelo consórcio Norte Energia em Altamira, que passará a ser administrada pela Cosanpa e deve atender 100% da população. Essas obras devem fazer com o que O Pará eleve seu índice de tratamento de esgoto”, informou a companhia.

Fonte: DOL

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