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Parauapebas é a 54ª cidade mais violenta do Brasil

Não está fácil para ninguém. Nem mesmo no município de maior Produto Interno Bruto (PIB) do Pará e 25º do Brasil, que possui apenas 26 anos de emancipação. Em Parauapebas, regionalmente conhecido como “Capital do Minério”, os 185 mil habitantes se veem às voltas com uma taxa de desemprego inimaginável e de assassinatos que corre tão rápido quanto o trem que manda as riquezas minerais de suas entranhas para o além-mar.

Na versão 2014 do primeiro mapa da violência do ano, Parauapebas já se encontra na posição de número 54 entre 5.570 municípios brasileiros. Juntamente com Altamira (44º no ranking) e com o vizinho Curionópolis (153º), a Capital do Minério desatou a sangria de sangue e registra uma morte brutal (a tiro ou à facada) a cada 48 horas. No Mapa da Violência de 2012, ano em que Parauapebas viveu seu apogeu de empregos – o maior da história, conforme dados do Ministério do Trabalho – antes de se afundar na crise de demanda por força de trabalho, foram registrados “apenas” 84 assassinatos.

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No estudo divulgado há duas semanas, um total de 131 pessoas foi liquidado. E como explicar o acréscimo de 47 pessoas mandadas ao cemitério, de maneira brutal, em apenas dois anos? A riqueza ou a cobiça pela riqueza pode ser uma das hipóteses.
Quem não se recorda do assassinato do comerciante Altamiro Borba, em 2013, que abalou profundamente o município de Parauapebas? Alvejado por “pilas” que lhe queriam tomar dinheiro, o comerciante, muito benquisto na cidade, acabou sendo privado do direito de viver.
Esse é apenas um dos tantos casos que entraram para a conta de Parauapebas, que nos últimos dez anos evoluiu do anonimato para a condição de um dos municípios mais violentos do país em decorrência do crescimento demográfico desenfreado e do acirramento das desigualdades sociais que a “Capital do Minério” atraiu para si, dada a fama de “terra de oportunidades” – hoje, cada vez mais escassas – que sempre ostentou.

JOVENS EM PERIGO
Parauapebas chegou a 2014 com a quinta maior população de jovens com idade entre 15 e 29 anos do Pará, atrás de Belém, Ananindeua, Santarém e Marabá. Deixou para trás Castanhal e companhia limitada. São aproximadamente 57 mil indivíduos nessa faixa etária, e é entre eles que mora o perigo.

Andando tranquilamente por uma rua qualquer, um jovem de Parauapebas tem, em média, duas vezes mais possibilidades de ser eliminado do que em qualquer outra parte do país. No Mapa da Violência 2012, 44 jovens haviam sido mortos; no de agora, 70, um absurdo crescimento de 59%. O município já é o 73º mais violento do Brasil para a juventude e o quinto do Pará, posicionado atrás do quarteto “fantástico” composto por Ananindeua, Marituba, Marabá e Altamira.

Os números de um Parauapebas mais violento para jovens do que no resto do Brasil revelados no Mapa da Violência 2014 confirmam os indicadores do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), por meio de seu Atlas do Desenvolvimento Humano, divulgados ano passado e segundo os quais, na “Capital do Minério”, o número de jovens desocupados cresceu acima da média.

Na comparação com o ano de 2000, com base nos dados censitários do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Parauapebas viu sua população com idade entre 15 e 29 anos ficar proporcionalmente mais ociosa. Quatro anos atrás, a taxa de ociosidade já superava a taxa nacional, o que implica mais jovens vulneráveis à incidência de criminalidade.

Hoje, 18,45% dos jovens do município com idade entre 18 e 24 anos estão de cara para cima – um percentual maior do que no restante do país, onde 15,07% da juventude se encontram nessa condição.

Para piorar, os dois maiores empregadores locais – a prefeitura municipal e a mineradora Vale – não dão conta de absorver essa demanda de jovens desempregados. E como a população não para de crescer, os efeitos tornam-se bola de neve, viram periferização e afetam todos os setores sociais, da segurança pública ao sistema de saúde. Eis o dilema de um município que está violentamente se estrangulando por ter sido demais anunciado como rico.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

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