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Parauapebas é melhor município do Pará em ranking da Firjan

Mais um incansável ranking sobre desenvolvimento socioeconômico vem à tona no início desta semana e coloca Parauapebas no topo do Pará. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), por meio de seu Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), avaliou o desempenho de 5.565 municípios brasileiros existentes em 2011 nas áreas de Emprego & Renda, Educação e Saúde e constatou: a “Capital do Minério” bombou três anos atrás e deixou para trás Belém, capital paraense e tradicional dominadora do primeiro lugar na lista.
Por sinal, o pódio de Belém já tinha sido tomado em Parauapebas tanto no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), quanto no Produto Interno Bruto (PIB), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No IDHM divulgado ano passado, Parauapebas apresentou a melhor qualidade de vida paraense com base nos dados coletados durante o Censo 2010. No levantamento do PIB revelado também em 2013, com dados referentes a 2011, a “Capital do Minério” avançou para o pelotão das 25 maiores praças financeiras do Brasil.
Agora, a Firjan mostra que o IFDM parauapebense é 0,7711 – numa escala que vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1, melhor. Belém vem em segundo lugar, com índice 0,7020, seguido de muito perto de Canaã dos Carajás, com IFDM de 0,6961, e Altamira, com IFDM de 0,6915. Estes dois últimos municípios foram os que mais evoluíram no ranking por óbvios motivos e nas teclas dos quais o Blog Pesquisas Acadêmicas vem batendo há algum tempo. Canaã dos Carajás começou a viver um surto em geração de empregos, de 2011 para cá, conta do projeto S11D, justamente no ano em que a Firjan vasculhou a vida do município. Altamira, por seu turno, tem vivido desde 2011 sua melhor performance em se tratando de empregos formais – temporários, é verdade – em razão da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

 


POR TRÁS DO ÍNDICE
‘Pibão’ alheio à vida da população carrega Pebas na pesquisa

Se o IFDM fosse atualizado no ato (por exemplo, para 2014 em vez de 2011), a situação de Parauapebas não seria das melhores. E por que não? Simples: o que confere ao município o primeiro lugar geral no Pará – e a longínqua 604ª colocação entre todos os municípios brasileiros – é o peso decisivo do indicador Emprego & Renda. E de 2011 para cá, muita coisa mudou na realidade da terra da prosperidade, particularmente nos cinco quesitos avaliados pela Firjan para o indicador mencionado, o mais importante da conjuntura socioeconômica local.
A geração de emprego formal tem caído drasticamente; a absorção de mão de obra local não é mais superavitária; a geração de renda formal não consegue se manter de pé em decorrência da competitividade de projetos locais com outros em ascensão na região; os salários médios dos empregados estacionaram face aos preços exorbitantemente praticados em nível local; e o crescimento da desigualdade social vem se ampliado em números absolutos, o que é ainda mais grave, haja vista Parauapebas apresentar dinâmica demográfica incomum para seu porte urbano.

Entre 2007 e 2012, a “Capital do Minério”, hoje com 184 mil habitantes, viveu seu auge na geração de empregos, com números impressionantes e que deixam tímidos quaisquer outros municípios do Pará, inclusive o gigante Belém, que se aproxima de 1,5 milhão de residentes. Nesse período, consultado o acervo do IFDM, é possível verificar que Parauapebas sempre esteve entre os dez municípios mais socioeconomicamente desenvolvidos do Estado.
Não obstante, os dados do Ministério do Trabalho, divulgados mensalmente e com balanços anuais, não mentem acerca do que a Firjan traz com defasagem de três anos. Entre 2007 e 2008, o número de trabalhadores com carteira assinada em Parauapebas saltou de 25,1 mil para 35,4 mil. A essa época, município algum do Brasil evoluiu tanto, proporcionalmente, em criação de postos de trabalho. De 2008 para 2009, a crise financeira mundial derrubou a geração de empregos, mas foi quase imperceptível seu efeito deletério, já que o estoque venceu a crise com 35 mil postos garantidos.
De 2009 para 2010, novo apogeu de Parauapebas: de 35 mil trabalhadores com carteira assinada, o município avançou a 38 mil. De 2010 para 2011, de 38 mil para 44,6 mil. E em 2012, o batalhão de trabalhadores foi fechado em 48,5 mil. Ponto final.
De 2013 para frente, a população trabalhadora começou a decrescer. Desliga daqui, descontrata dali, demite acolá, e a “Capital do Minério” encerrou o ano passado como o município com o segundo pior saldo de trabalho do Brasil. Nos seis anos anteriores, ocupou justamente posições triunfais.

ERA UMA VEZ 2011…
No brilhante ano de 2011, quando a produção de riquezas de Parauapebas foi recorde, já que seu PIB atingiu R$ 19,9 bilhões, destronou Belém e se tornou o 25º maior do país, o município produziu sua maior ruma de minério de ferro da história: 109,8 milhões de toneladas, um número jamais ultrapassado. É da mineração, também, o recorde de maior movimentação de trabalhadores em Parauapebas. De janeiro de 1984 até março deste ano, a indústria extrativa mineral instalada no município, por meio da Vale, garantiu sustento a 92 mil pais e mães de família, que chegam, que partem ou que aqui fincaram raízes.
Além de ter sido a maior empregadora histórica da “Capital do Minério”, com abertura de oportunidades próprias ou por meio de terceirizadas, a Vale é dona de 87,46% do PIB de que tanto o município se orgulha. E é titular, também, do grande volume de exportações de minérios, em dólares, que botam Parauapebas na dianteira nacional da balança comercial. O lucro da população, em meio ao festival de números – muitos furados – é, quando muito e tão somente, orgulho. E só.

Como o PIB faz uma trajetória contábil que não chega diretamente ao bolso da população, a impressão que ele confere às entidades de apuração estatística é de que, no lugar onde é gerado, se vive em mil maravilhas. Mas, na realidade nua e crua, não se vive.
Hoje, 2014, quando se vê ilustrado com o “melhor desenvolvimento do Pará”, o município de Parauapebas contabiliza mazelas de população gigante. Continua a desempregar sem parar, com saldo negativo em mais de 500 postos de trabalho apenas no primeiro trimestre deste ano, e a assistir a aglomerações humanas se formarem em órgãos públicos, portas de empresa ou avenidas na peregrinação por uma oportunidade qualquer naquela que foi a “Meca” do emprego nas décadas de 1990 e 2000.
A seu lado, a 72 quilômetros, Canaã dos Carajás apresenta sucessivos recordes de admissões – mas que ninguém de lá se iluda: não haverá postos de trabalho para a eternidade. Apenas nos primeiros três meses deste ano, foram mais de 800 contratações, um número impressionante e equivalente a 12% de toda a massa trabalhadora que Canaã tinha em 2011.
O crescimento demográfico acelerado põe em risco na contemporaneidade o progresso social de Parauapebas, a estrela mais brilhante da produção de minério de ferro do Brasil.

Reportagem Especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

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