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Policiais são acusados de estuprar menor em Marabá

Policiais são acusados de estuprar menor em Marabá

A história volta a se repetir no Pará. E traz a força de fatos gravíssimos, até mesmo infames, que não chegaram ao conhecimento do Ministério Público e do Conselho Tutelar, por longos 86 dias, quase três meses, depois dos acontecimentos. Os envolvidos são dois policiais civis, agentes públicos pagos pelos contribuintes para zelar pela segurança e demonstrar respeito por todos os cidadãos.

Tudo aconteceu na madrugada do dia 11 de janeiro passado. Amanhã, as dezenas de folhas que formam o inquérito policial, presidido pela delegada Dinilda Ferreira da Costa, chegarão à Justiça. São páginas que podem revelar dois crimes brutais: latrocínio, contra um taxista, e abuso sexual, contra uma menor de idade. O estupro, pasme o leitor, teria sido praticado por um escrivão de polícia, dentro do banheiro da delegacia onde ele trabalha, em Marabá.

Segundo a denúncia, a mesma garota seria estuprada por outro policial, ainda naquela madrugada, desta vez no quarto do hotel onde ele mora. A menina, para completar o enredo grotesco do caso, foi retirada da delegacia na viatura policial e levada para o local onde teria ocorrido o segundo estupro. Os nomes dos envolvidos serão preservados pela reportagem até que o inquérito chegue à Justiça. O investigador e o escrivão foram indiciados por estupro, mas continuam trabalhando normalmente como se não tivesse ocorrido. Se a delegada Dinilda, porém, entender que no decorrer da investigação os policiais estejam criando obstáculos ao trabalho ou fazendo ameaças à vítima poderão ter solicitada a prisão preventiva à justiça. Um outro suposto crime, citado no inquérito, passou batido: outro investigador lotado na mesma delegacia, teria exigido R$ 5 mil de um tio e da mãe da menor para liberá-la.

ASSALTO
O começo de tudo: um casal de jovens assalta um motorista de táxi. Ele reage, mas é morto. A renda do taxista é roubada. A polícia aparece na hora e prende os criminosos, levando-os para a delegacia. O casal é trancafiado em celas diferentes.

A garota de 17 anos, afirma na denúncia que fez contra os policiais que logo ao ser presa declarou que era menor e não poderia ficar atrás das grades. Aí começa o jogo de versões dos policiais. O delegado que comandava o plantão, diz que a jovem, ao dar entrada na delegacia, teria declarado que era maior de idade, por isso foi colocada na cela. Ela nega.

De qualquer maneira, talvez desconfiado de que poderia ter problemas, o delegado mandou que a adolescente fosse retirada da cela. Feito isso, a garota passou a perambular pelos corredores da delegacia, aguardando a chegada de familiares que iriam trazer sua documentação. Foi aí que o escrivão deu o bote sexual: mandou que ela o aguardasse no banheiro e lá mesmo a estuprou. O investigador ouviu a garota dizer que não era de Marabá, mas de Redenção e que queria voltar para sua cidade.

OMISSÃO
O policial disse que iria levá-la para Redenção. Fez a menor entrar na viatura da delegacia e em vez de dirigir-se para aquele município, levou a garota para o quarto do hotel onde reside há cinco anos e a estuprou. Na viatura, ele estava acompanhado de um outro investigador, que não teve participação no abuso sexual, segundo depoimento da própria menor.

Chama a atenção o fato de que, dentro da Polícia Civil, existe um provimento da corregedoria – escaldada pelo episódio ocorrido com outra menor, de 14 anos, que em 2007, presa na delegacia de Abaetetuba, foi estuprada por 20 presos durante 26 dias -, determinando cela específica para abrigar mulheres presas e que, no caso de menores infratores, a apreensão seja imediatamente comunicada à promotoria da infança e juventude do município e também ao conselho tutelar.

Ocorre que, no caso de Marabá, em nenhum momento os policiais civis que efetuaram a prisão da menor acionaram o Conselho Tutelar e a Promotoria da Infância e Juventude do município sobre a prisão da garota. Tanto o Conselho como a Promotoria vieram a saber do caso pelo repórter, na última quinta-feira, dia 3 de Abril. Uma omissão policial no mínimo indesculpável e que terá desdobramento nos próximos dias.

Fonte: DOL

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