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População de Parauapebas “explodiu” 336% nestes 25 anos

Em 2000, o censo do IBGE registrou 71.568 habitantes no município, um fabuloso crescimento de 80,91% com relação à população registrada em 1991. Entre os 1.388 municípios de sua safra de emancipação, o ano de 1988, apenas Palmas, capital do Tocantins, experimentou crescimento demográfico superior no período entre 1991 e 2000.
No ano de 2010, quando foi realizado o último censo oficial, Parauapebas viu sua população disparar 115,51%, a 16ª maior taxa entre todos os então 5.565 municípios brasileiros. No Pará, só quem cresceu mais entre 2000 e 2010 foram os municípios de São Félix do Xingu, o sexto colocado nacional; Canaã dos Carajás, o oitavo; Ulianópolis, o 13º; e Anapu, o 15º.
Com 153.908 habitantes em 2010, dos quais 138.690 na área urbana, Parauapebas deixou de ser um lanterninha anônimo no mapa do Brasil. É que, em 2000, era apenas o de número 348 entre os 5.507 municípios daquele ano; em 2010, subiu à metade da posição: 173.


Em dez anos, a Capital do Minério recebeu 82.340 novos moradores. Nenhum município brasileiro com mais de 100 mil habitantes cresceu mais no período, em termos percentuais, entre 283 unidades geográficas existentes à época do censo. Nos últimos três anos, de 2010 a 2013, Parauapebas recebeu ou viu nascer 19 mil habitantes. É como se pouco mais de uma cidade de Eldorado do Carajás inteira tivesse se mudado a Parauapebas nesse curto período. A cidade de Eldorado, segundo o Censo 2010, tinha 16.578 habitantes.

MIGRAÇÃO
Na Capital do Minério, o crescimento demográfico é acelerado por dois fatores: o número de nascimentos (em média, 3.394 por ano) e o número de migrantes que chegam anualmente (10.814 pessoas, em média, e delas, 5.887 de fora do Pará). Entre estes últimos, a maioria é do sexo masculino e tem mais de 18 anos – portanto, mão de obra em potencial.
Descontados os totais de pessoas que falecem e que vão embora, Parauapebas fica com saldo vegetativo de 8.234 novos habitantes por ano, ou ao menos 676 por mês, ou pelo menos 22 por dia. Só Belém e Ananindeua recebem ou veem nascer mais pessoas no Estado. Em toda a Amazônia, que tem 775 municípios, Parauapebas só fica atrás de Manaus, Porto Velho, São Luís, Belém, Palmas, Ananindeua e Cuiabá em recepção de novos moradores. No país, a Capital do Minério é o 54º polo de atração de migrantes, especialmente nordestinos, que tomam o rumo da sede urbana atraídos pelos projetos de mineração.

EM 2013
No dia em que completou aniversário de 25 anos, a população de Parauapebas chegou a 172.689 habitantes, de maneira que o número de pessoas que vivem na área urbana é 155.610. A população urbana de Parauapebas, a propósito, compreende a sede municipal, o Núcleo Urbano de Carajás e as sedes distritais das Palmares 1 e 2.
São, ao todo, 87.398 homens e 85.291 mulheres (há quase 2.107 sobrando) espalhados por 55 bairros e 24 distritos, vilas, povoados e demais localidades, nos quais a cada quilômetro quadrado é possível encontrar, no mínimo, 25 pessoas.

Em 2013, Parauapebas atingiu o posto de 165º município mais populoso do Brasil, avançando 15 posições em relação a 2010 e mantendo-se entre Ferraz de Vasconcelos (SP), com 172.222 moradores, e Angra dos Reis (RJ), com 177.101 residentes. O Brasil tem atualmente 5.570 municípios emancipados.
No Pará, somente Belém, Ananindeua, Santarém, Marabá e Castanhal são mais populosos que a Capital do Minério. Mas as projeções populacionais indicam que em até cinco anos Parauapebas ultrapassará Castanhal e acompanhará Marabá em 2026.

PRIMEIRO CENSO
Maranhenses são pioneiros e grupo populacional majoritário

Narrar o perfil migratório de Parauapebas como ciência no capítulo da Geografia da População é, inevitável e automaticamente, falar da população maranhense, a qual, desde o século 19, circula pelo território municipal, quando deixava sua terra natal expulsa, sobretudo, pela pobreza e pela concentração fundiária.
Mas é no final dos anos de 1980 que os maranhenses passam a se movimentar com mais velocidade e ampliam consideravelmente sua participação na conformação da população municipal.
Em 1991, quando, de posse das terras de Água Azul do Norte e Canaã dos Carajás, possuía 53.335 habitantes, Parauapebas já abrigava elevado número de migrantes. À época, apenas 9.867 pessoas – todas, praticamente, crianças – tinham “parauapebense” no registro de nascimento. O resto era de fora: 7.040 paraenses de outras cidades, a maioria de Marabá, Belém e Xinguara; e 36.428 pessoas de outros estados, destacadamente Minas Gerais, Tocantins, Goiás, Piauí e Maranhão.

Os mineiros, que chegaram a ser mais de 5 mil em 1991, rumavam a Parauapebas para trabalhar na mineração, não raro trazidos pela mineradora Vale. Tocantinenses e goianos, que compuseram juntos um batalhão de 4 mil pessoas, viam em Parauapebas uma porteira aberta para a fronteira agrícola, que estava subindo Pará adentro a partir de Conceição do Araguaia, Redenção e Xinguara.
Por seu turno, os piauienses, em número de 5 mil, eram os recém-desiludidos do garimpo de Serra Pelada, em Curionópolis, que procuravam continuar no ramo da mineração, ainda mais por saberem das reservas abundantes de minérios em Parauapebas. E os maranhenses eram aqueles que, tal como os piauienses, abandonaram garimpos em Serra Pelada e Itaituba, mas não só: outros – a maioria – tomaram o primeiro trem na Estrada de Ferro Carajás (EFC) e se mandaram para a Capital do Minério, fugindo das condições de extrema pobreza e da falta de oportunidade em seu lugar de origem. Em 1991, em número de 17 mil, os maranhenses já representavam 32% da população do então Parauapebas “grande” (com Água Azul e Canaã).

DÉCADA DE 2000
No segundo censo realizado em Parauapebas, em 2000, residiam no município – agora sem Água Azul e Canaã – um total de 24.292 maranhenses. Eram, disparadamente, o segundo grupo humano mais numeroso, atrás do Pará, e sua quantidade superava em cerca de cinco mil os filhos legítimos de Parauapebas: em 2000, havia apenas 19.381 nascidos no município.
Naquele ano, Parauapebas firmou-se como o 61º do país com a maior população de maranhenses. À frente dele estavam 53 municípios do Estado do Maranhão; as capitais Brasília (98.730 maranhenses), São Paulo (55.795), Teresina (53.530), Rio de Janeiro (48.323), Belém (38.821) e Boa Vista (36.961); mais o município de Marabá (33.535).
Seguindo a tendência, a maioria da população era nordestina: 32.665 indivíduos – número que superava em cerca de 1.500 a quantidade de nortistas.

Em 2000, o número de mineiros caiu pela metade em relação a 1991, bem como decresceu o total de piauienses, todos os quais retornaram para casa, o que caracteriza um movimento denominado, segundo o IBGE, migração de retorno. Por outro lado, aumentaram as populações de goianos, tocantinenses, bem como a de baianos.

Reportagem: André Santos

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