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Prefeito de Curionópolis é acusado de coagir testemunhas

Duas audiências realizadas no Fórum de Curionópolis nos dias 26 e 27 de março, respectivamente, trouxe à tona a polêmica administração do prefeito daquele município, Wenderson Azevedo Chamom, o popular Chamonzinho. O citado foi eleito em 2008, sucedendo o temido Sebastião Curió, do qual vivia às queixas pelos atos que, o próprio Chamonzinho o qualificava como “Ditador”. Porém tão logo assumiu a administração daquele município o novo prefeito passou, segundo grande parte da população, de perseguido para perseguidor.

Mesmo com toda truculência, Chamonzinho foi mantido no cargo de prefeito se reelegendo nas eleições de 2012 com mais de 50% dos votos válidos. Mas tão logo passou o período eleitoral foi dado ingresso na justiça a algumas ações pedindo a cassação da legitimidade da vitória daquela chapa, sob denúncias de compra de votos e distribuição de favores como, por exemplo, cestas básicas e promessas de empregos. Porém na audiência que deveria ocorrer no dia 26, quarta-feira, nenhuma das testemunhas compareceu. Uma delas, Shirlene Pereira de Sousa, que havia feito declarações na Polícia Federal, retirou seu testemunho formalmente. O que foi interpretado pelo denunciante, Adonei Sousa Aguiar, candidato a prefeito nas eleições 2012 pelo DEM, como coação feita pelo denunciado Wenderson Chamon.


De acordo com o denunciante, a ex-candidata a vereadora, Shirlene, foi abordada pelo grupo de Chamonzinho que lhe ofereceu uma quantia de R$ 15,000,00 (quinze mil reais); valor que deveria ser usado na comprar de 50 votos de eleitores de determinada comunidade no distrito de Curionópolis. Cada voto sairia ao preço de R$ 300,00 (Trezentos Reais), e do valor total os indícios apontam e testemunhas comprovam que foram repassados à aliciadora de eleitores R$ 5.000,00 (Cinco mil reais). “Já na véspera da audiência liguei para todas as testemunhas arroladas e todas estavam com os aparelhos de telefone celular desligado; fui ás suas respectivas residências e nenhuma delas foi encontrada. Na hora da sessão, em face do não comparecimento delas, na frente do juiz, liguei para todas e com o telefone na viva voz provei a ele que todos os celulares estavam desligados”, narra Adonei.

Já na audiência do dia 27, quinta-feira, todas as testemunhas compareceram, mas de acordo com o denunciante, Adonei Sousa Aguiar, os métodos para o insucesso da acusação foi outra. Ele conta que no início da sessão o denunciado, Wenderson Chamon, o Chamonzinho, saiu várias vezes da sala de audiência e fez ameaças explícitas às testemunhas arroladas e presentes: Rozana Borges dos Santos, Roseni Borges dos Santos, Sebastião Borges dos Santos, e Francisco Borges dos Santos. “Hoje vai sair muito nego preso daqui”, foi o que, segundo as testemunhas, contam ter ouvido do acusado; tudo dito, ainda segundo eles, em um misto de ameaça e ironia. A primeira a dar seu testemunho foi Rozana Borges que diz ter ficado desestabilizada em face das ameaças dado ao fato de estar grávida, período em que normalmente as mulheres ficam mais suscetíveis às emoções. “Emudeci diante das perguntas do representante do Ministério Público, ficando muito nervosa”, conta a testemunha, que recebeu do juiz voz de prisão sendo imediatamente conduzida á Delegacia de Polícia Civil.

Diante deste transtorno as demais testemunhas, da mesma família, saíram em socorro de Rosana deixando o recinto da audiência. Rosana Borges dos Santos foi liberada mediante pagamento de fiança e confirma a proposta feita por Magno Araújo Santos, representante do então candidato a reeleição Wenderson Chamon. Ela narra que Magno foi à sua residência e lhe propôs um emprego e dinheiro caso ela e seus familiares votassem a favor da reeleição de Wenderson Chamon. “Ele prometeu que em troca do apoio de minha família me daria uma vaga de professora. A negociação foi retomada por Marinete Silva dos Santos, professora do município que entregou santinhos e R$ 300 e ratificou a promessa de emprego”, confirma Rosana, trato que, segundo ela, foi cumprido pelas partes, porém seu pai, Francisco Ribeiro, recomendou que se denunciasse a fraude.

O mau comportamento do denunciado, Wenderson Chamon, virou Boletim de Ocorrência registrado pela mãe da testemunha presa, que também testemunha no caso, Josefina Borges. Ela também foi alvo das ameaças do prefeito juntamente com as demais testemunhas. “Fiquei muito envergonhada, pois fui ao Fórum relatar a verdade e de lá saí como mentirosa e sob as vaias dos verdadeiros culpados”, lamenta Josefina, qualificando o prefeito Chamonzinho como semelhante ao anterior, o que faz, ainda segundo ela, o povo viver com medo.

O pai de Rozana, Francisco Ribeiro, também testemunha no caso, se diz muito envergonhado pelo ato do prefeito de sair da sala de audiência para afrontar e amedrontar as pessoas que levariam para o juiz e promotor o que qualifica como “a verdade sobre os fatos contra ele denunciados”. “Fiquei muito triste por ver minha família sendo chamada de mentirosa. E posso assegurar com os meus 66 anos de idade que não fomos ali para mentir. Estou aqui para desmentir isto”, afirma Francisco Ribeiro, narrando ainda que o grupo do Chamonzinho, durante a campanha eleitoral de 2012, comprou voto sim. Ele diz também ter certeza que não foi só de sua família, mas também de outras. “Ocorre que as pessoas temem denunciar com medo do poder ameaçador do prefeito Chamom”, emenda Francisco, qualificado a situação como péssima, pois diz ver o povo vivendo sob a correção e sem direitos ou expectativas.

O denunciante, Adonei Sousa Aguiar, diz que agora tentará reabrir os casos, pedindo anulação das audiências e buscando dar fim à injustiça e vexame aos quais foram expostos a testemunhas. Entenda o caso – Duas AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral) foram recebidas no Cartório Eleitoral de Curionópolis, contra os vereadores eleitos Magno Araújo Santos (Magno da COOPERALT) e Carlos Alberto de Oliveira Alencar (Carlos Alencar), respectivamente. As AIJE’s denunciam a capitação ilícita de sufrágio (voto) e pede a cassação de registro, não expedição de diploma eleitoral e ainda a declaração de inelegibilidade, sendo que na AIJE de Magno está citado também Wenderson Chamon Azevedo e Maria Iraíldes Campos da Costa, prefeito e vice prefeita reeleitos naquele município, respectivamente, pela coligação “O trabalho continua”.

As denúncias tentam provar que os dois vereadores eleitos agiram de forma ilícita na captação de votos, e isto sendo provado, os votos serão anulados, os registros cassados e os respectivos suplentes assumem os cargos. Conforme testemunhas, o candidato Magno, através de uma terceira pessoa, teria entregado em mãos a quantia de R$ 100,00 (cem reais) para cada membro de uma família no Distrito Morro do Alto Bonito, no município de Curionópolis. Consta ainda no processo que o Magno da COOPERALT teria prometido uma vaga de professora para uma daquelas pessoas, em uma escola pública naquela comunidade; conforme testemunhas arroladas dois dias após as eleições, essa pessoa passou a exercer a função de professora. O ilícito pode ser comprovado através do Diário Escolar além de fotografia da eleitora beneficiada dando aula. Nesse processo haveria o envolvimento do candidato Magno da COOPERALT, por que supostamente utilizou-se de terceira pessoa para entregar o dinheiro; e indiretamente do prefeito reeleito, Wenderson Chamon, uma vez que houve a efetiva contratação da professora caracterizando a promessa de cargo público.

Outro lado
A reportagem tentou contato com o prefeito de Curionópolis Wenderson Chamon, para responder sobre as acusações, porém, o mesmo não foi encontrado.

Reportagem e foto: Francesco Costa

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