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Prefeito é sepultado e Goianésia quer respostas

O prefeito foi executado a tiros na noite de domingo (24), quando participava do velório de outra pessoa, na Rua União, Centro da cidade. Amigos, parentes e cidadãos passaram pelo velório que aconteceu na Câmara Municipal de Vereadores, entre 11h15 e 17 horas.

O clima no município é de perplexidade, já que até o momento ninguém sabe o que pode ter motivado a execução ou quem seriam os autores do crime, que pegou a todos de surpresa. Muito abalados, os filhos e a esposa da vítima, Senir Fernandes – que também foi baleada na perna e chegou mancando ao velório – velaram o corpo sem falar com a imprensa, alegando não estarem em condições de conceder entrevistas.


O vice-prefeito, Antonio Pego, o Tonhão, declarou luto oficial de três dias em Goianésia do Pará e a partir do meio-dia a maior parte do comércio fechou as portas, não voltando a abrir durante a tarde. O vice, aparentando estar abatido, conversou rapidamente com o CORREIO. Para ele, este é um momento de muita tristeza para todo o município. “A perda, da maneira que foi, é o mais massacrante. É difícil”, lamentou. Questionado acerca do que espera do futuro, ele disse que o objetivo inicial é dar continuidade ao trabalho que vinha sendo desenvolvido pelo prefeito morto.

Tonhão afirmou, ainda, que toda a comunidade aguarda solução para o crime, ao contrário do que aconteceu no caso do ex-secretário de Administração do Município, Eduardo dos Santos, 59 anos, também assassinado em Goianésia em outubro passado. “Já não é o primeiro crime, mas nós vamos aguardar que a Justiça faça a parte dela e que puna os culpados”, disse. Questionado pela Reportagem se sente medo de assumir o cargo, após a execução do prefeito, o vice não disfarçou a preocupação: “De certa forma, sim”.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Flávio Barbosa dos Santos, o Baianinho, diz que todos os 13 vereadores locais receberam a notícia de forma consternada. “Sabendo que um grande desafio vem à frente. Foi algo que abalou toda nossa cidade e mexeu com toda a população, pois ninguém esperava isso nesse momento. Todo mundo está preocupado. É um momento crítico, um momento de violência e um momento que necessita de resposta”, declarou.

Ele também citou o recente crime cometido contra o ex-secretário, cobrando respostas. “Que as autoridades competentes façam todos os procedimentos, a investigação. A gente espera que seja o mais rápido possível solucionado esse caso, não pode ficar impune. Há poucos meses tivemos a morte do ex-secretário e até o momento não temos resposta”, desabafou. Ao ser questionado se acredita que a morte tenha motivação política, o vereador disse apenas não ter essa informação. “Não sei quem, infelizmente, possa ter vindo a cometer um crime de natureza bárbara. É algo que apenas as autoridades poderão descobrir”.

O presidente destaca que a situação política de Goianésia passa a ser delicada a partir de agora. “Com certeza o trabalho vai paralisar e isso deve atrapalhar, infelizmente, a cidade de modo geral porque. Provavelmente a cidade vai sofrer com isso. Apesar disso, a gente deve tentar se apegar à Deus e voltar ao trabalho o mais rápido possível”. Sobre o relacionamento entre o prefeito morto e a Câmara de Vereadores, ele observou que se dava de forma natural. “Tinha alguma oposição, mas em questões políticas era o que é o normal em qualquer cidade. A relação era harmônica e pessoalmente ele nunca se desentendeu com nenhum dos 13 vereadores”, finalizou.

SAIBA MAIS

Natural de Barras, no Piauí, João Gomes da Silva, o Russo, tinha 63 anos e era empresário quando se candidatou, pelo Partido da República, pela primeira vez ao cargo de prefeito de Goianésia do Pará, vencendo as eleições com 6.070 votos, ou 34,811% do total. Anteriormente, ele havia sido candidato ao cargo de vereador, em 2008, no município de Tucuruí, mas sem conseguir se eleger. O vice-prefeito, Antônio Pego, o Tonhão, de 54 anos, que assume o cargo, é do Partido Social Cristão (PSC), natural de Aimorés, do Estado de Minas Gerais.

Conhecido afirma que boatos falavam de morte

O corpo do prefeito, que foi necropsiado no Instituto Médico Legal de Tucuruí, foi liberado na manhã seguinte ao crime e chegou ao local do velório sendo acompanhado por muitas pessoas a pé, em carros e motocicletas, além de ser escoltado por viaturas da Polícia Militar. João Maranhão, que foi coordenador geral da campanha do prefeito assassinado, esteve no local falou com tristeza sobre o caso.

“Pra gente aqui em Goianésia está sendo complicado. apesar de qualquer coisa ele sempre foi pessoa de bom coração e que queria fazer a diferença. A gente tinha metas, planos para executar e as ações dele sempre eram com boa vontade de desenvolver o município. Na batalha do dia a dia era incansável, era muito presente em tudo”, afirmou.

A impressão geral da comunidade e o que todos repetem acerca do prefeito, era que ele era pessoa considerada às vezes rude, porém sempre pronta para ajudar a quem necessitasse, praticando política assistencialista no município. “Era cidadão muito humano, ajudava muito as pessoas carentes e nada justifica alguém tirar a vida de um ser humano”, observou o coordenador da campanha.

João diz que em alguns momentos boatos davam conta de que o prefeito poderia ser morto, porém nunca se comprovou a origem do assunto ou qual seria o motivo de um possível assassinato. “Sempre havia boatos na cidade, que a gente não sabe de onde vêm. Ele (Russo) sempre tinha uma preocupação com a segurança dele, porém falava que poderia até morrer, mas morreria dentro do seu trabalho. ‘Eu vou cumprir com o meu dever’, ele dizia. Ele tinha medo”, diz.

Apesar disso, afirma João, nunca foram feitas ameaças diretas ao prefeito. “Eram boatos que corriam na cidade e ele absorvia. Os parceiros dele ficavam preocupados, mas ele dizia que iria trabalhar e deixar na mão de Deus porque era um homem de muita fé”, finalizou. Pessoas da comunidade também lamentaram o assassinato, Milson Araújo, pastor da Igreja Batista, fez questão de passar o velório para se despedir do prefeito.

“É uma notícia estarrecedora para a cidade, principalmente para os moradores pelo fato como tudo aconteceu. É algo que nunca havia acontecido aqui e, pelo fato de ele ser nosso prefeito, isso deixou o povo muito triste. Já ouvi de várias pessoais que elas estão revoltadas por que isso comprova a falta de segurança e a maldade e desrespeito que há. Caracteriza a frieza de quem mandou e fez, há muita crueldade”, lamentou.

Reportagem: Luciana Marschall / Grupo Correio de Comunicação

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