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SABORES DA TERRA: Gringos ficam de água na boca pelo Pará e turismo dispara 85%

Quando o assunto é gastronomia, o sabor e o tempero do Pará são imbatíveis. Uma pesquisa do Ministério do Turismo realizada com viajantes de diversos países que visitaram alguns destinos brasileiros em 2016 revela que o conjunto de sabores da capital paraense, Belém, tirou nota máxima. Isso mesmo: a culinária paraense é referência nacional por conquistar 99,2% da preferência dos gringos, especialmente os franceses — que, diga-se de passagem, têm paladar bastante refinado.

Pato no tucupi, tacacá, maniçoba, moquecas, açaí, camarão, caranguejo, peixes, ervas (como o jambu), pimentas e a famosa farinha de mandioca paraense fisgam os turistas, que se rendem aos aromas e temperos vindos da Amazônia.
No cardápio das boas notícias e dos números referentes ao turismo paraense, o ministério também divulgou em julho deste ano o “Anuário Estatístico do Turismo 2017”, segundo o qual o Pará é a Unidade da Federação que mais cresce na atração de visitantes internacionais, passando de 20.708 turistas em 2015 para 38.238 em 2016.

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Apesar de seus inúmeros problemas sociais, o estado conseguiu manter-se atraente e ampliou sua carteira turística em 85% num cenário desafiador e meio ao qual metade dos estados sucumbiu, diminuindo o número de visitantes.

ANO DO PARÁ NA TV

Atualmente, o Pará é o 13º em recepção de gringos e tem grande potencial de crescimento, desde que haja investimento em suas potencialidades ― na culinária e no turismo ecológico, por exemplo. Os europeus são os que mais vêm ao Pará, com destaque para os franceses, que ampliaram a presença aqui de 7.738 para 16.613 entre 2015 e 2016.

Juntando estrangeiros com turistas nacionais, um total de 2,45 milhões de turistas embarcaram no Pará e 2,56 milhões desembarcaram. Além disso, o número de estrangeiros que embarcam e desembarcam em aeroportos paraenses também cresce anualmente, de maneira que o Pará já se posiciona como o maior receptáculo no Norte brasileiro de gente de fora.

Belém, atualmente, é o 14º principal município brasileiro ― e o mais badalado da Amazônia — na realização de eventos internacionais de grande repercussão.
Mas ainda há muito a ser feito. O Pará precisa se descobrir e se provar mais. Em 2017, considerado o ano do Pará na televisão, com pelo menos três produções da teledramaturgia fazendo alusão ao estado, além da exposição efusiva de Belém e da cultura paraense em programas televisivos de diversos formatos, é provável que haja ainda mais crescimento do turismo local, mas isso — e apenas isso — não basta.

DISSABORES DO PARÁ

O Pará precisa fazer intervenções cirúrgicas, em si mesmo, em áreas basilares e que historicamente são desprezadas por sucessivos governos estaduais e municipais: educação, saúde, saneamento básico e segurança. Em todos esses critérios, ou o Pará é o último, ou passa perto. E é esse péssimo cartão postal, distribuído no mesmo pacote da devastação da Amazônia, que tem peso preponderante nas estatísticas de desenvolvimento humano e que, fatalmente, mancham a imagem do estado.

Turista algum, que more bem, em ambiente seguro e de paz, retornará a lugares assemelhados a pocilgas urbanas, com esgoto a céu aberto e lixo espalhado nas esquinas, e onde uma miríade de criminosos está a postos. Não obstante, os paraenses também precisam conhecer o mínimo do lugar onde vivem para dar referências, como acontece nas cidades do Sul, nas quais boa parte dos moradores tem internalizadas as referências locais para repassar a quem interessar possa.

Já parou para pensar que os balneários existentes nos municípios paraenses, se investidos minimamente (em termos de limpeza, segurança, cardápio, infraestrutura e acessibilidade) podem gerar emprego e renda e transformar-se em paraísos de atração de gringos cansados de sua rotina onde moram? O Pará tem cerca de 600 balneários potencialmente atrativos e à espera de acontecer.

Reportagem: André Santos / Meu Pará de Todos

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