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Tia compra caixão e descobre sobrinho vivo após rebelião no AM

Dezenas de familiares acompanharam a transferência de 223 internos para a Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa durante a sexta-feira (3), em Manaus. O último grupo de detentos entrou no presídio por volta das 21h. Dentre eles, estava o sobrinho de Vinalda Pedrosa, interno do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), e sobrevivente do massacre. Ao G1, ela informou que a família comprou o caixão para o sobrinho, achando que ele havia morrido.

Segundo familiares que esperavam notícias na porta do presídio, o último caminhão com 26 detentos chegou por volta das 16h, mas eles foram liberados para entrar na cadeia por volta das 21h desta sexta. O motivo da demora não foi informado.

Dezenas de pessoas esperavam do lado de fora pela lista dos presos que foram transferidos para a cadeia pública. Entre elas estava Vinalda, que foi ver se o sobrinho havia sido transferido ainda nesta noite. Após gritar o nome do familiar, ela recebeu a confirmação de outros detentos de que o sobrinho estava no caminhão. Segundo ela, a família tinha certeza que o interno havia sido morto no massacre.

“Nós estávamos em casa e pensamos que ele tinha morrido né? Disseram que ele estava no IML, nós fomos lá mas não tivemos notícia, até que a assistente social ligou e falou pra gente que ele tinha sido um dos únicos sobreviventes, e nós fomos lá na cadeia. O pai dele achava que ele tinha morrido, compramos o caixão dele. Disseram para a gente que ele se escondeu em um bueiro e conseguiu sobreviver por causa disso”, contou Vinalda.

Outros familiares, como Socorro Teixeira, de 54 anos, já tiveram os parentes transferidos e contam sobre medo de mantê-los na cadeia pública. “Meu filho chegou ontem e eu vim para trazer as coisas para ele. Consegui entregar só roupa mesmo. Graças a Deus ele estava bem. A gente tem medo, né? Porque não tem segurança, e a gente teme que alguém de fora [do presídio] tente fazer alguma coisa”, disse.

Alguns contam ainda não ter informações sobre a localidade dos seus parentes. Uma mulher que não quis se identificar foi até a cadeia Raimundo Vidal Pessoa atrás de informações sobre o irmão, detento do Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), mas disse que não teve confirmação.

“Estou desde ontem atrás do meu irmão e não achei ele em nenhum lugar. Já fui no IML, nas três cadeias e nada. Só Deus sabe como está meu coração, não tenho mais lágrimas para chorar”, disse.

Entenda o caso – O primeiro tumulto nas unidades prisionais do estado ocorreu no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), localizado no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista). Um total de 72 presos fugiu da unidade prisional na manhã de domingo (1º).

Horas mais tarde, por volta de 14h, detentos do Compaj iniciaram uma rebelião violenta na unidade, que resultou na morte de 56 presos. O massacre foi liderado por internos da facção Família do Norte (FDN).

A rebelião no Compaj durou aproximadamente 17h e acabou na manhã desta segunda-feira (2). Após o fim do tumulto na unidade, o Ipat e o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM) também registraram distúrbios.

No Instituto, internos fizeram um “batidão de grade”, enquanto no CDPM os internos alojados em um dos pavilhões tentaram fugir, mas foram impedidos pela Polícia Militar, que reforçou a segurança na unidade.

No fim da tarde, quatro presos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste de Manaus, foram mortos dentro do presídio. Segundo a SSP, não se tratou de uma rebelião, mas sim de uma ação direcionada a um grupo de presos.

Reportagem: G1

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