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Vale bate recorde de produção com minério de ferro de Parauapebas

Vale bate recorde de produção com minério de ferro de Parauapebas
Foto: Arquivo

Uma de cada três toneladas de minério de ferro que a mineradora multinacional Vale produz no Brasil e vende ao exterior sai das entranhas da Serra Norte, no município de Parauapebas. Daqui, em 2015, foram retiradas 127 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro de um total de 129,55 Mt, que incluem cerca de 2,6 Mt produzidas na mina de Serra Leste, no município de Curionópolis. Em 2015, a produção de minério total da Vale foi de 345,9 Mt.

A lavra em Carajás – que na técnica comercial da empresa compõe seu Sistema Norte de produção – perfaz um recorde 8,3% acima do mesmo volume de 2014. As informações fazem parte do “Relatório de Produção no 4º Trimestre de 2015” (ou apenas RP4T15) e foram apresentadas pela mineradora a investidores na abertura das bolsas de valores na manhã desta quinta-feira (18).

Apesar de comemorar com pompa e circunstância os números de produção, essa não é especificamente a notícia mais aguardada por donos de banco e investidores em geral do ramo de commodities. Isso porque, mesmo com produção física recorde, o preço do minério de ferro – carro-chefe do portfólio de produtos da Vale – afundou em 2015. No caso particular de Parauapebas, que depende do ferro, o impacto da queda do preço só não foi pior porque, por sorte, o dólar subiu bastante frente ao real.

O preço do minério de ferro vendido em mercados consumidores importantes, como a China, chegou à mínima de 38 dólares a tonelada em dezembro de 2015, valor mais baixo desde que os preços diários da commodity passaram a ser divulgados.

Diante dessa conjuntura, para o mercado financeiro, o dia mais importante será a próxima quinta-feira (25), ocasião em que logo cedo a mineradora vai apresentar seu “Resultado da Vale no 4º Trimestre de 2015” (ou simplesmente RF4T15), com previsão de prejuízo nas contas, motivo pelo qual seus funcionários devem ficar sem receber a tão aguardada Participação nos Lucros e Resultados (PLR) referente ao exercício de 2015.
Mesmo hoje, quando a empresa revelou produção recorde, banqueiros do BTG Pactual alertaram que a produção da Vale veio 5% menor que o esperado.

MINAS DE PARAUAPEBAS
Em 32 anos, minério de ferro local já rendeu 60 bilhões de dólares

Em 1984, ano em que a primeira mina de Carajás (N4E) começou a operar, a produção da então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) foi de apenas 350 mil toneladas de minério de ferro, praticamente 350 vezes menos que a produção de 2015. Naquele ano, em que a moeda nacional era o Cruzeiro, o preço da tonelada do minério chegou a 19 dólares a tonelada vendida à Europa, principal consumidor do produto parauapebense.

A Vale investia pesado na implantação do Projeto Ferro Carajás, em Parauapebas, após consolidar o Brasil, na década de 1970, como maior exportador mundial de minério de ferro para a Europa. Naqueles tempos, a empresa sueca LKAB perdeu sua posição de liderança para a Vale nas operações do preço de referência europeu com os produtores de aço alemães. As mineradoras australianas negociavam com as siderúrgicas japonesas.

No ano de 1988, quando Parauapebas, enfim, emancipou-se de Marabá, as minas de Serra Norte produziram 36,59 Mt, volume 10.350% superior ao começo da operação, em 84. À época, a pequena cidade – do tamanho de Eldorado do Carajás hoje – empregava 1.250 pessoas nas atividades de mineração, uma quantidade muito elevada e que, nos anos seguintes, explodiria.
Naquele 88, o minério de ferro tocou seu preço mais baixo desde que os primeiros carregamentos comerciais começaram a ser registrados: 10 dólares a tonelada, com a moeda brasileira sendo o Cruzado.

DÉCADA DE 90

Em 1994, ano em que o Real entrou em vigor no Brasil, a Vale retirou de Parauapebas 48,66 Mt de minério, vendendo-as por 16 dólares, em média, a tonelada. A China preparava terreno para se tornar importante parceria comercial do Brasil, experimentou, gostou e viciou no minério de melhor pureza do mundo.

Foi nesse ano que políticos de Parauapebas entregaram o “ouro”, que, naqueles tempos, os poderes Executivo e Legislativo viam como grande “abacaxi”: Canaã dos Carajás. A mineradora Vale, por meio de suas pesquisas minerais, sabia – e manteve-se silenciosa até a década seguinte – que a maior parte de seu minério de ferro de alto teor ficaria na porção de terras que ganharia nova vida político-administrativa. A cordilheira mineral de Carajás, que à época se pensava ser apenas de Parauapebas, seria separada (a Serra Norte ficaria aqui e a Serra Sul ficaria em Canaã), e a classe política, totalmente desinformada, entregaria a cereja do bolo justamente à parte que renegou. Entregou, além do ferro, um cobre sem igual.

Ao discriminar o tamanho e o volume de suas jazidas nas quais mantém operações, a Vale informou em seu Relatório Anual 2014, entregue em março do ano passado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, que as reservas medidas, provadas e prováveis da Serra Norte, em Parauapebas, ainda guardavam 2.535,4 bilhões de toneladas de minério de ferro. A reserva de Serra Leste, em Curionópolis, abriga 305,6 milhões de toneladas. E, finalmente, a da Serra Sul, em Canaã dos Carajás, esconde 4.239,6 bilhões de minério de alto teor intocados.

A questão é que a capacidade de produção de Parauapebas anual é de 150 Mt, o que elimina seu minério em 2035. Já Canaã, que nem começou a operar – e, quando o fizer, terá capacidade de produzir 90 Mt –, tem projeção de exaustão estimada pela própria Vale para o ano de 2064.
Em 1997, quando a Vale, então estatal, fora privatizada, Parauapebas produziu 43,41 Mt de minério negociadas a 27 dólares. Nesse ano, foram gerados no município 901 postos de trabalho na indústria extrativa e as minas locais entraram para o topo do ranking nacional como algumas das mais produtivas.

DÉCADA DE 2000

No ano de 2004, já não tinha para ninguém: Parauapebas era o município queridinho do Brasil e se tornou a “Meca” dos empregos. A Vale passou a estabelecer metas audaciosas de produção visando, cada vez mais, ao empolgado consumo chinês e a sua sanha de alimentar a indústria siderúrgica. Na oportunidade, a empresa extraiu 69,38 Mt de minério de ferro da Serra Norte e, em contrapartida, abriu 1.903 postos de trabalho, que deixaram uma parte do Brasil eufórica e fizeram marchar para cá milhares de desempregados esperançosos. O preço médio do produto no ano ficou em 37 dólares.

Em 2010, pela primeira vez, a Vale rompeu a marca de 100 Mt de minério extraídas de Parauapebas – em verdade, 101,17 Mt. Para a empresa foi o ápice, ainda assim ela sempre queria mais. Com o preço nas alturas, de 140 dólares a tonelada, a mineradora vivia momentos de glória à custa da excelente produção e do magnífico teor da commodity local.
No ano seguinte, 2011, a média de preços ficou em 167 dólares, com pico de 191,70 dólares no dia 15 de fevereiro. Naquele ano, a Vale produziu a partir de Parauapebas 109,8 Mt de minério de ferro, um recorde que seria superado apenas em 2014, quando foram extraídas 117,4 Mt e vendidas à média de 96 dólares a tonelada.

Ano passado, quando foram produzidas 127 Mt nas minas de Parauapebas, o recorde da empresa, o preço médio da tonelada patinou em 55 dólares. A Vale atribui o aumento na produção física no município “ao ramp-up das minas de N4WS e N5S e à melhor utilização da capacidade da Planta 2”. O teor médio do produto de Parauapebas foi de 65,2% de minério de ferro, 1,8% de sílica, 1,4% de alumina e 0,063% de fósforo.

Ao longo de 32 anos de extração de minério de ferro em solo parauapebense, a Vale já extraiu 1,95 bilhão de toneladas de minério de ferro. Se o dinheiro das exportações do minério de Serra Norte – estimado em 60 bilhões de dólares – ficasse apenas com o município, seria suficiente para comprar a riqueza total de dois estados do Pará, com o dólar a R$ 4.

Além de minério de ferro, Parauapebas também rende minério de manganês na Mina do Azul. A produção dessa commodity aumentou 0,6%, passando de 1,7 milhão de toneladas (Mt) para 1,71 Mt. Ao menos em termos de produtividade, Parauapebas continua imbatível para a Vale, até segunda ordem.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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