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VEÍCULOS : Parauapebas tem 5ª maior frota do Pará; Canaã, maior crescimento do Brasil

De um ano para outro, o trânsito desorganizado e fora do controle em Parauapebas recebeu mais de 10 mil novos veículos e se tornou a quinta maior frota do Pará, posto pertencente a Castanhal até setembro de 2013. Os dados são do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) que acabam de sair do forno.
São, agora, 56.322 veículos emplacados no município ante 45.930 um ano atrás para aglomerar nas vias de passagem cada vez mais estreitas para tantos carros e motos, a maioria criada há mais de 20 anos e pensada para um município que tivesse área urbana pacata para não mais que 25 mil habitantes.
Hoje, Parauapebas acomoda como pode 177 mil cidadãos, o que confere média de um veículo para cada grupo de três moradores. São 15.278 carros de passeio, 29.331 motos e 11.713 veículos de outros tipos se espremendo loucamente Parauapebas adentro, ocasionando até cinco quilômetros de congestionamento nos horários de pico – nada visto em qualquer outro município da região, nem mesmo em Marabá, que tem um
Redenção inteiro de tamanho à frente de Parauapebas.
Frágil, a malha viária urbana local sofre tanto quanto pedestres e condutores. Caminhões de abastecimento e ônibus de empresas privadas detonam o asfalto e contribuem para abertura de crateras, responsáveis por danificar carros pequenos e, não raro, por ocasionar acidentes, alguns deles fatais.
Parauapebas, hoje, é o município do sudeste paraense com o maior número de veículos extragrandes (caminhões, ônibus, carretas, reboques, etc.) na área urbana. São 1.765 zanzando diuturnamente. Cada um, carregado com suas prioridades, pesa em torno de 12 toneladas. Na prática, circula pelo castigado asfalto urbano uma avalanche de 21.180 toneladas, o equivalente a colocar mais 300 mil pessoas adultas nas ruas de Parauapebas pulando corda no asfalto.

É exatamente por isso que, nos últimos anos, a textura do revestimento da pavimentação mais parece borra de café. Não se fixa de jeito algum por muito tempo. Aliás, esse é um problema mais de ordem de consumo e menos técnico enfrentado, também, por muitos outros municípios brasileiros.
Para piorar, além da frota registrada pelo Denatran, para carros emplacados, há veículos de outros lugares que circulam em Parauapebas. Não há controle estatístico sobre estes, mas numa contagem de meia hora, nos principais pontos de acesso a Parauapebas (PA-275 e PA-160), é possível estimar que, num único dia, cerca de 10 mil veículos de outros lugares transitem pela “Capital do Minério”, embora o escape de veículos a partir de Parauapebas para Canaã tenha mais que triplicado.


Atualmente, apenas Belém (373.846 veículos), Ananindeua (101.062), Marabá (83.314) e Santarém (73.935) estão à frente de Parauapebas em frota. Apesar do espantoso crescimento, nos últimos três anos o movimento para aquisição de novos carros por moradores de Parauapebas caiu, uma vez que, entre 2000 e 2010, a “Capital do Minério” só perdia para a capital paraense, e agora está atrás de Ananindeua e Marabá. São emplacados em Parauapebas cerca de 800 veículos por mês. O consumo, apesar de ainda ser grande, tem dado sinais de desaceleração.

MUNICÍPIOS VELOZES
Altamira e Canaã têm maiores aumento de frota no Brasil

Os dois municípios brasileiros que mais crescem, proporcionalmente, em número de carros novos são paraenses: Altamira e Canaã dos Carajás. Além de terem se tornado os dois maiores polos recentes de atração populacional na Amazônia (Altamira por causa da Usina Hidrelétrica de Belo Monte e Canaã dos Carajás por causa do projeto S11D), a economia desses locais passou a aquecer uma nova dinâmica de consumo por automotores.

O que antes era objeto de desejo, agora é um problema social (haja vista a ruas esburacadas e intrafegáveis; população endividada em financiamentos a perder de vista) e uma espécie de sangria desatada que prenunciam cidades pandemônios num futuro não muito distante.
No final de 2012, Canaã dos Carajás tinha 7.670 veículos. No final de 2013, 9.710. Pode parecer pouco o aumento de duas mil unidades na frota, mas para um município que tem apenas 31 mil habitantes, sendo 25 mil deles na cidade, é um crescimento assustador de 26,6%, já que nem a população cresce a taxa similar. E a consequência disso é o repeteco do que hoje se visualiza às 8 horas da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde em Parauapebas.

A marcha rumo a Altamira é ainda mais cruel. Por dia, sobem Transamazônica acima 20 mil veículos, que ou passam pela cidade, ou vão e voltam, ou ficam por lá. Em todo caso, com 42.499 veículos, Altamira acelera velozmente para roubar o posto de Parauapebas como detentor de quinta maior frota. E como ambas as cidades não têm estrutura física para suportar o peso de tamanho prêmio, estar em quinto ou primeiro lugar não é vantagem.
Três anos atrás, por exemplo, Altamira tinha 23.985 carros e motos. De lá para cá, a frota explodiu quase 800%. E a “Princesinha do Xingu” só perde mesmo para a “Terra Prometida” no fenômeno de emplacamentos de carros.

Para se ter ideia do que era Canaã e do que está acontecendo, em 2000 havia apenas 429 carros trafegando pelas ruas de terra da então pacata vizinha de Parauapebas. Em 13 anos, a frota cresceu 2.163%. Em nenhuma outra parte do Brasil se viu algo dessa natureza.
Nos próximos três anos, a frota de Canaã atingirá 30 mil veículos. Isso não será motivo de comemoração em 2017, pelo contrário. Se hoje a malha urbana é de 74,5 quilômetros, em 2017, a julgar pelo crescimento demográfico, será de 109 quilômetros – sequer dobrará. Enquanto isso, a frota triplicará. Está instalado o caos.

NO EMBALO DO PARÁ
Estado é onde, proporcionalmente, mais se emplacam carros

Canaã dos Carajás, Altamira, Parauapebas, Marabá, Redenção e Belém são alguns dos municípios que mais cresceram em frota no país e ajudaram o Pará a ter a maior evolução no número de emplacamentos entre os estados, 12,84%. Depois do Pará, o Maranhão é onde, proporcionalmente, a população mais emplaca carros, com 12,58% de crescimento entre 2012 e 2013.
O Pará possui a 14ª maior frota nacional, com 1.428.355 veículos. Mas, diferentemente dos estados do Sul e Sudeste, por aqui imperam as motos, em vez de carros. Belém possui 373.846 veículos e detém a 14ª maior frota entre as capitais, tendo apresentado o sétimo melhor desempenho nacional em emplacamentos.
A cidade de São Paulo, sozinha, tem 7.010.508 veículos. É quase tanto carro quanto o número de moradores do Pará. Nem de muito longe a cidade do Rio de Janeiro, segunda maior do país, acompanha a “Terra da Garoa”. São 2.451.155 veículos em circulação na “Cidade Maravilhosa”.

A maior curiosidade está em Goiânia, capital de Goiás, que é pouco menor que Belém, ainda assim possui 1.045.796 veículos em circulação, o que dá uma média de praticamente um veículo por habitante, a maior do Brasil. Esse fato é explicado porque moradores das cidades da Região Metropolitana, como Aparecida de Goiânia e Senador Canedo, além de uma boa parte dos habitantes de Anápolis e até Brasília e Palmas, compram carros em Goiânia e vão embora com a placa de lá. Considerada no Centro-Oeste a capital dos preços baixos para aquisição de veículos, Goiânia lidera vendas de empresas como Hyundai e Mitsubishi, que têm montadoras em Goiás.

Reportagem especial: Andre Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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