Pesquisar
Close this search box.

Justiça Federal condena mais um integrante do assalto histórico ao ouro da Vale em Parauapebas

Crime ocorrido em 1999 envolveu o roubo de 289 quilos de ouro no aeroporto da Serra dos Carajás; prejuízo hoje ultrapassa R$ 200 milhões

A Justiça Federal condenou mais um integrante da quadrilha responsável por um dos maiores assaltos já registrados no Pará, ocorrido há 26 anos, em Parauapebas, no sudeste do estado. A decisão atendeu a pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e se refere ao roubo de 289 quilos de ouro pertencentes à mineradora Vale, que estavam sendo transportados em um helicóptero estacionado no aeroporto da Serra dos Carajás.

Na sentença assinada no último dia 22, o réu foi condenado a 10 anos e 11 meses de prisão, a serem cumpridos inicialmente em regime fechado, pelo crime de roubo majorado. A pena foi aumentada em razão do uso de arma de fogo, da atuação em conjunto com outros criminosos e da restrição da liberdade das vítimas, já que pilotos foram obrigados, sob grave ameaça, a conduzir uma aeronave até uma pista clandestina. Ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), com sede em Brasília (DF).

À época do crime, em novembro de 1999, a carga roubada estava avaliada em R$ 4,8 milhões. Considerando a cotação atual do ouro, estimada em cerca de R$ 840 o grama, o prejuízo atualizado chega a aproximadamente R$ 200 milhões.

Réu foi localizado mais de duas décadas depois

O condenado foi localizado em 2023, na cidade de Goiânia (GO). Conforme os autos, outros integrantes da quadrilha já haviam sido condenados em processos judiciais decorrentes da denúncia apresentada pelo MPF, enquanto alguns ainda permanecem foragidos, mesmo após mais de duas décadas do crime.

Como ocorreu o assalto

De acordo com as investigações, o assalto aconteceu no dia 5 de novembro de 1999, quando um grupo formado por vários homens, trajando roupas camufladas, encapuzados e fortemente armados, ficou escondido em um matagal nas proximidades do aeroporto da Serra dos Carajás.

Os criminosos surpreenderam a equipe responsável pelo transporte do ouro da então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) e retiraram os 289 quilos do metal precioso de um helicóptero da mineradora, transferindo a carga para outra aeronave que faria o segundo trecho do transporte até Brasília (DF). Durante a ação, os assaltantes efetuaram disparos de arma de fogo contra vigilantes da empresa responsável pela segurança da operação.

Além disso, a tripulação da aeronave foi sequestrada, sendo os pilotos obrigados a voar até uma pista clandestina em uma fazenda no município de São Félix do Xingu (PA). No local, o ouro foi descarregado e, em seguida, os criminosos ordenaram que a tripulação decolasse novamente. Após novos disparos para o alto, o grupo fugiu inicialmente em uma embarcação do tipo voadeira até a cidade de São Félix do Xingu, dando continuidade à fuga em um automóvel.

Atuação considerada essencial pela Justiça

Na denúncia, o Ministério Público Federal destacou que o condenado teve participação ativa e estratégica na execução do crime. Segundo o MPF, ele era o responsável pelo transporte de armamento pesado utilizado na ação criminosa, além de ceder sua residência para reuniões de planejamento do assalto.

A sentença reforçou que a atuação do réu não se limitou a um apoio secundário. “Sua participação revelou-se essencial à estrutura logística da organização criminosa, sendo responsável pelo transporte do armamento necessário à execução do assalto”, destacou trecho da decisão judicial.

O caso segue como um dos episódios mais emblemáticos da história criminal do Pará, tanto pela ousadia da ação quanto pelo alto valor do prejuízo, que ainda hoje impressiona autoridades e a população da região de Parauapebas e do sudeste paraense.

Ação Penal nº 0000937-74.2003.4.01.3901

Consulta processual

Deixe seu comentário