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Crise no abastecimento: Águas do Pará atua em duas frentes para recuperar a ETA 02 em Parauapebas

Concessionária revela que muro de contenção construído indevidamente sobre adutora causou a pane; mais de 20 bairros seguem com fornecimento de água comprometido

A concessionária Águas do Pará, que assumiu recentemente a gestão do saneamento no município em substituição ao Saaep, emitiu uma nova atualização na manhã desta sexta-feira (6) sobre a parada emergencial da Estação de Tratamento de Água (ETA 02). O problema, que afeta mais de 20 bairros, tem mobilizado equipes técnicas em regime de plantão contínuo.

Segundo a nota oficial da empresa, a interrupção foi causada por um erro estrutural herdado de gestões anteriores. Uma obra realizada antes do início da operação da concessionária construiu um muro de contenção diretamente sobre a adutora da estação. O peso e a pressão da estrutura comprometeram a tubulação, exigindo a parada imediata para reparos.

A Águas do Pará informou que está trabalhando simultaneamente em duas frentes para normalizar a situação:

  • Retomada segura: Intervenções emergenciais para permitir que o sistema volte a operar o quanto antes, sem riscos de novos rompimentos imediatos.
  • Obra definitiva: O avanço na realocação da adutora. Esta medida visa retirar a tubulação debaixo do muro de contenção para evitar que novas falhas ocorram no futuro.

Medidas de mitigação
Enquanto o sistema não é totalmente restabelecido, a concessionária afirma estar realizando manobras operacionais para tentar equilibrar a distribuição de água nos bairros atingidos.

Além disso, áreas atendidas por poços artesianos estão recebendo atenção especial, embora possam apresentar variações no fluxo ao longo do dia. O atendimento a serviços essenciais (como hospitais e postos de saúde) está sendo garantido de forma prioritária através de caminhões-pipa.

Canais de atendimento
A população que enfrentar desabastecimento ou precisar de informações pode entrar em contato com a concessionária pelos seguintes canais:

  • Telefone e WhatsApp: 0800 091 0091
  • Atendimento presencial: Estação Cidadania (Karajás Shopping) ou Galeria Diamond (Parque dos Carajás, Sala 5).

Indústria paraense mantém trajetória sob influência do mercado internacional

A indústria do Pará atravessou o segundo trimestre de 2025 sob influência direta do cenário internacional das commodities, que segue determinante para o desempenho do setor no Estado. Levantamento do Observatório da Indústria da FIEPA, com base em dados da Fapespa, mostra que o comportamento do período esteve associado, sobretudo, às oscilações de preços no mercado externo, especialmente do minério de ferro, principal produto da pauta mineral paraense.

Entre abril e junho, segmentos relevantes da indústria apresentaram variações distintas, com destaque para eletricidade e gás e para a indústria extrativa, atividade de maior peso na composição do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do Estado. A extrativa, sozinha, responde pelo maior valor agregado da indústria paraense, somando cerca de R$ 8,28 milhões no período, o que faz com que qualquer movimento nos preços internacionais tenha impacto direto sobre o resultado agregado do setor.

O principal vetor dessa dinâmica foi o comportamento do minério de ferro. No segundo trimestre de 2025, o preço médio da commodity recuou para US$ 99,1, o menor nível desde 2024. A redução afeta o valor nominal da produção mineral, ainda que os volumes extraídos permaneçam em patamares elevados. Na prática, o desempenho do PIB industrial reflete mais a variação de preços do que mudanças estruturais na capacidade produtiva instalada no estado.

Segundo Felipe Freitas, gerente do Observatório da Indústria da FIEPA, o resultado deve ser interpretado dentro desse contexto internacional. “O que observamos no segundo trimestre é um ajuste conjuntural. A base produtiva da indústria paraense segue sólida, mas o valor do PIB é sensível ao comportamento das commodities. Quando o preço do minério recua, o impacto aparece nos indicadores, mesmo sem alteração relevante no nível de produção física”, explica.

Essa característica ajuda a entender por que a indústria não reproduziu, no mesmo período, o ritmo observado na agropecuária, por exemplo. Enquanto o agro é influenciado por fatores internos, como clima, safra e produtividade, a indústria mineral responde majoritariamente a ciclos globais de demanda e cotação. São lógicas distintas, que explicam movimentos diferentes entre setores sem indicar perda de competitividade industrial.

No campo dos investimentos, a construção civil manteve trajetória de expansão e registrou crescimento de 19,57% no segundo trimestre, impulsionada por obras de infraestrutura e pelos projetos associados à preparação do Estado para a COP30. O avanço do segmento sinaliza a capacidade de mobilização do ambiente produtivo local, ainda que seus efeitos se distribuam ao longo do tempo e não se concentrem em um único trimestre.

Na comparação com o mesmo período de 2024, a leitura é mais favorável. A indústria contribuiu para a elevação do PIB do Pará em 5,72%, evidenciando que, apesar das oscilações de curto prazo, o setor mantém trajetória consistente no horizonte anual. A diferença entre o resultado trimestral e o anual reforça o peso do fator preço na análise econômica, sobretudo em economias com forte presença do setor mineral.

Felipe Freitas avalia que o segundo semestre tende a apresentar um ambiente mais construtivo. “As projeções indicam uma recuperação gradual dos preços do minério de ferro, o que deve se refletir no valor da produção e no desempenho do PIB industrial. Com esse movimento, a expectativa é de os números reflitam um fechamento de ano mais equilibrado para a indústria paraense”, afirma.

Os dados apontam para preços médios do minério em torno de US$ 104 no terceiro trimestre e US$ 107 no quarto trimestre, cenário que pode devolver maior tração ao setor industrial do estado ao longo de 2025.

Estado garante incentivos fiscais a empresas instaladas em território paraense

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), tem reforçado sua política de desenvolvimento econômico por meio da concessão de incentivos fiscais às empresas instaladas em território paraense.

O Estado conta com 223 empresas incentivadas, abrangendo as 12 Regiões de Integração (RI), ampliando o alcance da iniciativa em diferentes municípios paraenses. As modalidades de concessão de incentivos fiscais abrangem subsídios para implantação de novos empreendimentos, ampliação, diversificação e aquisição de imobilizado para o processo industrial de empresas já instaladas.

De acordo com dados da Secretaria Operacional de Incentivos Fiscais (Secop), no exercício de 2025 foram contempladas 18 novas empresas, abrangendo oito municípios distintos e sete regiões de integração. Entre elas estão: Guajará, representada por Ananindeua; Caeté, por Peixe-Boi; Marajó, por Anajás; Carajás, por Parauapebas; RI Guamá, por Castanhal; RI Tocantins, por Abaetetuba; e RI Araguaia, por Santa Maria das Barreiras.

Os resultados projetados pelas empresas incentivadas apontam para uma receita bruta estimada em R$ 585,2 milhões, a criação de 1.100 novos postos de trabalho diretos, recolhimento de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) na ordem de R$ 50,8 milhões e investimentos totais previstos de R$ 208,8 milhões.

No ranking dos municípios com empresas incentivadas, o destaque é Belém, com o maior número (29 empresas), seguida por Castanhal (24), Ananindeua (19), Barcarena e Benevides, ambas com 14, e Paragominas (9).

O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Paulo Bengtson, destacou o papel estratégico dos incentivos fiscais na atração de investimentos e na consolidação de um ambiente favorável ao crescimento econômico do Pará. Segundo ele, o Estado se posiciona como um dos mais promissores da região Norte na geração de emprego, renda e competitividade industrial.

A partir da concessão dos incentivos, as empresas beneficiadas são permanentemente avaliadas e monitoradas pelo Grupo de Acompanhamento de Projetos Incentivados (Gapi), que as analisa conforme as normativas no âmbito da concessão de benefícios fiscais.

A fim de verificar o andamento dos projetos aprovados e assegurar o cumprimento das condições estabelecidas pela Comissão da Política de Incentivos, ainda no exercício de 2025, foram realizadas visitas técnica a 10 empresas, com a participação de 26 técnicos designados pelos órgãos estaduais que compõem o referido colegiado no Grupo de Acompanhamento de Projetos Incentivados (Gapi).

As empresas que aderem ao Programa recebem incentivo fiscal de 50% a 90%, podendo chegar a 95% conforme a atividade estratégica. O prazo de fruição é de, no mínimo, sete anos e, no máximo, 15 anos, podendo ser prorrogado até o limite de mais 15 anos, totalizando 30 anos.

A Secop, abrigada na estrutura da Sedeme, é o órgão auxiliar de apoio logístico e administrativo da Comissão da Política de Incentivos, e tem suas competências normatizadas pelo Art. 11º do Decreto nº 5.743, de 20 de dezembro de 2002. É responsável pela gestão das políticas de incentivo, coordenando a análise, sugestão de aprovação e concessão dos benefícios fiscais, com o devido encaminhamento para a Comissão da Política de Incentivos ao Desenvolvimento Socioeconômico do Pará.

A Secretaria Operacional possui uma estrutura que inclui a Câmara Técnica, o Grupo de Avaliação e Análise de Projetos (Gaap) e o Grupo de Acompanhamento de Projetos Incentivados (Gapi). Integram a Comissão da Política de Incentivos órgãos governamentais, incluindo as secretarias de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), da Fazenda (Sefa), de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), de Planejamento e Administração (Seplad), a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), o Banpará e a Procuradoria Geral do Estado (PGE).

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