Estudos apresentados nesta sexta-feira (13) apontam redução na CFEM e reforçam necessidade urgente de planejamento para evitar impactos financeiros no município
A coletiva de prestação de contas do exercício de 2025, realizada na manhã desta sexta-feira (13) pela Prefeitura Municipal de Parauapebas, no Centro Cultural, foi além de um simples balanço administrativo. O evento revelou um cenário de preocupação crescente com a queda na produção mineral e seus reflexos diretos na arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), principal fonte de receita do município.
O encontro reuniu o prefeito Aurélio Goiano, secretários, técnicos, vereadores, representantes da Vale e especialistas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que apresentaram dados técnicos e projeções que indicam um novo momento econômico para Parauapebas.

Produção em queda e impacto na CFEM
Os gráficos apresentados durante a coletiva mostram uma redução progressiva na produção mineral nos últimos anos. Após picos registrados entre 2020 e 2021, a tendência observada é de declínio gradual.
Os dados técnicos indicam que:
- A produção mineral vem diminuindo ano após ano;
- A CFEM, que teve alta expressiva no período de valorização do minério, já apresenta retração;
- As projeções para 2026 apontam nova redução tanto na produção quanto na arrecadação.
Em um dos estudos exibidos, o chamado “divisor de águas da CFEM” marca o período em que o município deixa o ciclo de arrecadação elevada e entra em uma fase de ajuste fiscal.
A análise técnica aponta ainda que fatores como exaustão de minas, readequação de frentes de lavra, licenças ambientais e oscilações do mercado internacional influenciam diretamente a curva descendente.

Diagnóstico técnico da FGV reforça alerta
A participação da FGV trouxe um diagnóstico estruturado sobre a dependência econômica de Parauapebas em relação ao setor mineral. O estudo indica que o município vive um momento decisivo.
Entre os principais pontos apresentados:
- Elevada dependência da atividade mineral;
- Redução estrutural da produção;
- Tendência de estabilização da CFEM em patamares inferiores aos anos de pico;
- Necessidade urgente de diversificação econômica.
Os especialistas destacaram que o cenário exige planejamento de médio e longo prazo, com foco em sustentabilidade fiscal e desenvolvimento econômico alternativo.
A preocupação é evitar que a queda na arrecadação comprometa serviços públicos essenciais e investimentos estruturantes.
Prefeitura estuda medidas para proteger as finanças
Durante a coletiva, o prefeito Aurélio Goiano afirmou que a gestão já iniciou estudos e avaliações internas para adotar medidas preventivas.
Segundo a administração, entre as ações em análise estão:
- Revisão de contratos e despesas;
- Contenção e racionalização de gastos;
- Reorganização administrativa;
- Planejamento orçamentário mais conservador;
- Construção de estratégias para reduzir a dependência da CFEM.
O prefeito ressaltou que 2025 foi um ano de reorganização da máquina pública e que os próximos anos exigirão ainda mais responsabilidade fiscal.

Vale também reconhece novo cenário
Na oportunidade, Pedro Aderson representante da Vale, destacou que o cenário de produção passa por ajustes técnicos e operacionais, influenciados por limites de licenciamento e pela aplicação do decreto de cavidades, além de influências do mercado global. A empresa apresentou dados que mostram a redução gradual da produção e a necessidade de adequações estruturais.
A sinalização é clara: o ciclo de receitas extraordinárias ficou no passado, e o município precisa se preparar para uma nova realidade econômica.
Momento decisivo para Parauapebas
A coletiva deixou evidente que Parauapebas entra em uma fase de transição econômica. A queda significativa dos recursos minerais e o impacto direto na CFEM colocam o município diante de um desafio estratégico.
O diagnóstico apresentado pela FGV funciona como um alerta técnico: é preciso agir agora para evitar desequilíbrios futuros.
A Prefeitura afirma que seguirá pautada na transparência e no planejamento estratégico para garantir estabilidade financeira e continuidade dos serviços públicos.
O evento marcou não apenas a prestação de contas de 2025, mas o início de um debate mais amplo sobre o futuro econômico de Parauapebas.