Em discurso pautado pela transparência, Pedro Aderson apresentou gráficos que mostram redução de quase 50% na produção mineral desde 2017 e alertou para os riscos de um 2026 ainda mais desafiador
A coletiva de prestação de contas realizada na última sexta-feira (13) trouxe um “choque de realidade” para a população e para a gestão pública. O representante da mineradora Vale, Pedro Aderson, fez uma exposição técnica detalhada sobre o atual cenário operacional do Sistema Norte, revelando números que explicam a queda na arrecadação municipal.
Para Aderson, o momento exige “sinergia e coragem” para tomar decisões que garantam a sustentabilidade econômica da região, diante de um ciclo de exaustão e dificuldades burocráticas.
A queda livre da produção
Pedro Aderson utilizou dados históricos para traçar a jornada produtiva de Parauapebas na última década. O gráfico apresentado foi enfático:
- 2017: A produção girava em torno de 142 milhões de toneladas.
- 2025: O volume caiu para 75 milhões de toneladas, uma redução drástica que impacta diretamente o repasse da CFEM.
Apesar da produção vir caindo ano após ano, o representante explicou que o município viveu um “fôlego artificial” entre 2021 e 2022 devido à alta histórica do preço do minério e do dólar, o que camuflou a realidade da queda operacional.
Os gargalos: Licenças e exaustão
O representante da Vale foi questionado pelo prefeito Aurélio Goiano sobre o motivo de não produzirem mais, já que o município possui usinas com capacidade instalada para 145 milhões de toneladas. Pedro explicou que o problema é estrutural e jurídico:
- Exaustão das minas: Com 40 anos de operação, as minas estão cada vez mais profundas, o que torna a extração mais lenta e cara.
- Licenciamento ambiental: A obtenção de licenças e as restrições impostas pelo Decreto de Cavidades são os principais travamentos para o retorno dos grandes volumes de produção.
- Sazonalidade: O período de chuvas severas na região de Carajás reduz significativamente o ritmo das operações em pelo menos cinco meses do ano.
Projeção preocupante para 2026
O momento mais tenso da coletiva ocorreu quando Aderson revelou que o cenário para 2026 pode ser ainda mais restrito. Sem a liberação de novas licenças, a Vale trabalha com um orçamento conservador, o que gerou um alerta imediato na Secretaria de Fazenda (Sefaz).
“Se o preço do minério cair ou se mantiver estável com uma produção menor, a queda na CFEM será inevitável. Só nos dois primeiros meses deste ano, a perda em relação ao ano passado já soma milhões de reais”, pontuou o representante em diálogo com o prefeito.

Governança estratégica e parceria
Pedro Aderson defendeu a modernização da legislação e a articulação política nas esferas federal e estadual para destravar os projetos minerais. Ele destacou a parceria de R$ 100 milhões firmada com a prefeitura para obras de infraestrutura e saúde como uma forma de mitigar os impactos, mas reforçou que o foco deve ser o planejamento a longo prazo.
“O lado esquerdo do gráfico é a história, é o que já passou. O lado direito é o futuro, e ele depende da nossa capacidade de nos planejar e diversificar a economia agora, enquanto ainda temos tempo”, concluiu Pedro Aderson.