Apagões, oscilações e prejuízos: População cobra soluções para crise no fornecimento de energia em Parauapebas

Audiência pública na Câmara Municipal reuniu moradores, empresários, entidades e representantes da Equatorial para discutir problemas que há anos afetam a cidade

A falta de energia elétrica voltou a ser pauta de um amplo debate em Parauapebas. Na noite desta quarta-feira (17), a Câmara Municipal realizou uma audiência pública para discutir os constantes problemas enfrentados por moradores e empresários em relação ao fornecimento de energia no município.

A iniciativa partiu do Requerimento nº 157/2026, de autoria do vereador Alex Ohana, e reuniu representantes da concessionária Equatorial Pará, Defensoria Pública, OAB, entidades empresariais, autoridades municipais e dezenas de moradores que relataram situações vividas diariamente em diversos bairros da cidade.

Durante o encontro, um sentimento foi praticamente unânime entre os participantes: a população está cansada dos frequentes apagões, das oscilações de tensão e da falta de respostas consideradas satisfatórias para um problema que se arrasta há anos.

Problema antigo e recorrente

Embora o município esteja entre os que mais crescem no Pará, a infraestrutura energética continua sendo alvo de críticas constantes.

Nos últimos anos, moradores de bairros como Cidade Jardim, Nova Carajás, Bairro da Paz, VS-10, Minérios, Guanabara, Palmares e diversos outros setores têm relatado interrupções frequentes no fornecimento, quedas de energia e oscilações que causam prejuízos financeiros e transtornos à população.

Durante a audiência, também foram lembrados episódios que marcaram a cidade, como o vendaval registrado em outubro de 2023, que derrubou postes e deixou diversos bairros sem energia por mais de 24 horas, além do princípio de incêndio ocorrido em uma subestação próxima ao Bairro Nova Carajás, em janeiro deste ano, que provocou um novo apagão de grandes proporções.

Comerciantes relatam prejuízos

Entre as principais reclamações apresentadas durante o debate estiveram os prejuízos causados a comerciantes e empreendedores.

Muitos relataram perdas de mercadorias, danos em equipamentos eletrônicos, interrupção de serviços e dificuldades para manter seus negócios funcionando diante das constantes oscilações.

Outro ponto destacado foi o impacto indireto no abastecimento de água. Como grande parte do sistema de bombeamento depende da energia elétrica, interrupções prolongadas acabam afetando também o fornecimento de água para milhares de famílias.

Equatorial reconhece demandas e anuncia investimentos

Representando a Equatorial Pará, o gerente de relacionamento com o cliente, João Pedro Gomes Silva, reconheceu que existem demandas a serem solucionadas e informou que a concessionária pretende ampliar o diálogo com a população.

Segundo ele, a empresa vem promovendo mudanças internas, treinamentos e supervisões para melhorar a qualidade do atendimento aos consumidores. Durante a audiência, a concessionária anunciou seis obras estruturantes previstas para Parauapebas ainda em 2026.

Entre as intervenções previstas estão:

  • Extensão e reforço de redes nos bairros Minérios, Cidade Jardim e Palmares;
  • Remanejamento de circuitos no Complexo Tropical e Vale do Sol;
  • Implantação de reguladores de tensão e bancos de capacitores;
  • Construção de aproximadamente oito quilômetros de novas redes para atender bairros como Explanada, Complexo VS-10, Guanabara, Bairro da Paz, Caetanópolis, Nova Vida II e Morada Nova.

Segundo a empresa, algumas obras exigirão desligamentos programados, mas a população deverá ser comunicada previamente.

Falta de mão de obra especializada

Outro anúncio feito pela concessionária foi a criação de um curso gratuito de formação de eletricistas em parceria com o Senai. A capacitação terá duração de quatro meses e contará inicialmente com duas turmas de 30 alunos, podendo ser ampliada conforme a demanda.

De acordo com a Equatorial, a iniciativa busca suprir a carência de profissionais especializados para atuar no setor elétrico da região.

“Os investimentos ainda são insuficientes”, diz vereador

Ao final da audiência, o vereador Alex Ohana avaliou que os relatos apresentados pelos moradores demonstram a gravidade da situação enfrentada diariamente pela população.

Segundo ele, as melhorias anunciadas pela concessionária ainda estão longe de atender a demanda de uma cidade que cresce rapidamente e necessita de uma infraestrutura compatível com seu desenvolvimento. “Os relatos desta audiência são de moradores que sentem na pele os problemas do fornecimento de energia. As melhorias apresentadas pela Equatorial não atingem nem 10% da nossa população. Precisamos de investimentos muito maiores para garantir um serviço de qualidade à cidade”, afirmou.

Expectativa por resultados concretos

Ao término da audiência, a principal expectativa dos participantes era que as discussões saiam do papel e resultem em melhorias efetivas.

Parauapebas continua entre os municípios que mais crescem economicamente no Pará, impulsionado pela mineração, pelo comércio e pela expansão urbana. No entanto, para muitos moradores, o desenvolvimento da cidade precisa ser acompanhado por investimentos mais robustos em serviços essenciais.

Enquanto isso não acontece, milhares de consumidores seguem convivendo com uma realidade marcada por apagões, oscilações de energia e incertezas sobre quando o problema será definitivamente solucionado.

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