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Baixo isolamento social no Pará torna cenário da Covid-19 imprevisível, dizem pesquisadores

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Foto: Arquivo | Elienai Araújo | Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

Com uma taxa de isolamento instável, o pico da pandemia da Covid-19 no Pará ainda não é visualizada por pesquisadores. Uma projeção feita por eles, que fazem parte de um grupo multiprofissional e interinstitucional, aponta que o estado pode chegar a 19 mil casos e 2 mil mortes até a próxima quarta-feira (20), mas esse ainda não será o início da recessão de notificações.

Ainda segundo o estudo, até o dia 20 de maio podem morrer de Covid-19, em média, 150 pessoas por dia. Os registros de notificações diários também devem subir. A média para o período é de 1.187 casos novos diariamente. Para se ter ideia do aumento, na semana anterior a essa projeção, que vai de 6 a 12 de maio, a média de óbitos registrada foi de 77 por dia; e a de novos casos confirmados era de 614.


Pesquisadores das Universidades Federal Rural da Amazônia (UFRA), Federal do Pará (UFPA), Federal de Viçosa (UFV) e do Hospital do Coração do Pará (HCor) passaram a divulgar semanalmente um boletim para informar sobre o comportamento do novo coronavírus.

Os pesquisadores estimam a evolução diária de infectados sintomáticos e óbitos a partir de dados oficiais dos governos estadual e federal, além da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A primeira estimativa feita pelo grupo foi no início do mês de abril, que apontou esta quinta-feira, dia 14 de maio, como sendo o pico da doença. Mas, segundo o professor Jonas Elias Castro, um dos pesquisadores da UFRA integrantes do grupo, essa previsão foi alterada devido aos baixos índices de isolamento social.

“Após o início de abril, começamos a ter uma redução no índice de isolamento, que tinha sido bom em março. Todos os modelos que usaram dados até meados de abril tendem a fazer projeções subestimando o valor real. O motivo é que isso se dá em função de um comportamento da sociedade, que antes era um comportamento de isolamento e depois reduziu.

Os resultados de previsão são totalmente dependentes do isolamento social em um horizonte de tempo de 14 dias. O pico pandêmico a gente ainda não conseguiu enxergar nas curvas. E falo isso porque acabamos de ter o decreto do lockdown. Então, ele vai começar a fazer efeito a partir de agora nos resultados de casos de confirmados e óbitos. E esses resultados vão novamente mudar a forma da curva, de como ela se comporta”, explica.

Apesar do lockdown, o índice de isolamento social no Pará reduziu. Apenas metade da população ficou em casa. Na última terça-feira (12), a taxa de isolamento foi de 50,11%. O índice de isolamento social em todo o estado do Pará foi considerado baixo ao longo do mês de abril e no início de maio. Devido a esse resultado, o pico da doença se distanciou do previsto.

“De domingo pra segunda a gente teve um crescimento absurdo, foram 140 pessoas mortas. Esse número era algo que a gente não estimava nem nas piores previsões. Um número muito alto que refletia uma população que não estava em isolamento.

Se os dados refletirem uma taxa de isolamento maior, o pico fica mais curto. Mas isso não significa que deixamos de ter contaminação e sim que a taxa de infecção e mortalidade começa a entrar em recessão. Assim que a taxa de evolução entre um dia e outro zerar, nós estaremos aptos a ter um nível de infecção bem menor”, diz o pesquisador.

1000 óbitos

Na terça-feira (13), o Pará ultrapassou a marca de 10 mil casos confirmados da doença e 1 mil mortes de pacientes. No dia anterior, o estado já tinha registrado o maior número de casos por dia desde o início da pandemia, foram 990 novas notificações. O Governo do Estado decretou luto oficial por três dias.

“Nós esperamos realmente que o lockdown dê resultado, que achate essa curva. Porque assim nós conseguiríamos ter limites dentro do estado para acompanhar essas pessoas no sistema de saúde público ou privado. Nesse momento não teríamos condição nenhuma de estar subsidiando, a demanda seria elevadíssima, algo próximo de 1000 leitos de UTI, num pico pandêmico, e aproximadamente 3 mil a 3.500 leitos comuns”, conclui o professor Jonas Elias Castro.

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