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BOMBA NAS MÃOS: Coordenador da Juventude de Parauapebas recebe taxa de homicídio 10x maior que a do Iraque

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No mesmo dia em que foi divulgado o decreto que alçou Shirlean Rodrigues da Costa ao cargo de coordenador municipal da Juventude, veio a bomba nacional: Parauapebas é a 6ª cidade mais perigosa para um jovem morar, entre todos os 5.570 municípios brasileiros. Quem diz, e afirma com uma enxurrada de números, é o estudo “Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade 2014”, elaborado pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), órgão vinculado à Secretaria-Geral da Presidência da República.

Essa é a pior das manchas no currículo da Capital do Minério, acostumada com grande repasse de recursos e que muito pouco ou quase nada tem feito ao longo de uma década para levar a prosperar, socialmente falando, a geração que compõe sua maior fatia da população economicamente ativa (exatamente a que produz bens e serviços e gera divisas ao município).


Em Parauapebas, de acordo com a SNJ, a possibilidade de um jovem qualquer ser assassinado é “muito alta” – superior, inclusive, à possibilidade de um jovem ser morto num país de guerra.

O Mapa da Violência 2014, com dados de 2012, intitulado “Os Jovens do Brasil” e elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo, mostrou que a taxa de assassinatos entre jovens do município era de 124 registros em cada grupo de 100 mil habitantes. Ou seja, um jovem parauapebense é fatalmente eliminado a cada aglomeração de mil pessoas, sem choro nem vela.

‘PARAUABALAS’

Se Parauapebas fosse um país, seria, de muito longe, o mais violento do mundo e seu cidadão jovem correria risco dez vezes maior de ser morto de maneira violenta que se morasse no Iraque, cuja taxa é de 12,5 mortes de jovens entre cada 100 mil pessoas. Os homicídios por arma de fogo lideram o número de casos, que, na interpretação do sociólogo Julio Jacobo e do Ministério da Saúde, tem se tornado uma verdadeira epidemia.

“Temos de mudar esse quadro. Parauapebas precisa dar um basta nessa série histórica de violência, que se agravou entre 2008 e 2012, com base nos dados do Mapa da Violência. Precisamos fazer valer aqui uma cultura de paz”, profetiza Shirlean.

Como coordenador, ele já está tomando pé da situação e se mostra ciente de que, para além de fazer as ações da pasta aparecer, moralizando o trabalho da CMJ e conduzindo os jovens de diferentes segmentos e orientações político-ideológicas a comungarem da cultura da paz, terá como seu maior desafio formular uma política pública eficiente e capaz de fazer a Capital do Minério desaparecer dos holofotes nacionais por estar no topo dos óbitos juvenis.

PREJUÍZO HUMANO
Em 4 anos, município perdeu 243 jovens e R$ 24 mi para a violência

A Reportagem do Pebinha de Açúcar fez um levantamento da exposição da juventude local na mídia e constatou que os Mapas de Violência colocam Parauapebas na liderança da falta de segurança nacional. Em 2011, por exemplo, o município figurou no estudo “Os Jovens do Brasil” como o 42º onde mais são registrados homicídios. Os dados eram relativos a 2009.

Em 2012, na pesquisa “A Cor dos Homicídios no Brasil”, com dados retroativos a 2010, Parauapebas se posicionou na 44ª colocação. No ano seguinte, 2013, o relatório “Homicídios e Juventude no Brasil”, com números de 2011, revelou que o município estava em 88º lugar nacional.

Já no ano passado, 2014, figurava na 73ª colocação por ter levado à cova em 2012, de maneira violenta, 70 jovens. Entre 2009 e 2012, Parauapebas sepultou 243 moças e rapazes, com idade entre 15 e 29 anos. Na ponta do lápis, a violência causou prejuízo de R$ 24,45 milhões – apenas com a morte de jovens – aos cofres do município num curto período de quatro anos. Em 2015, o título de Capital do Minério anda ameaçado para Capital da Violência Juvenil.

CÂMARA ACOMODADA

Na contramão dessa exposição nacional negativa, nada foi feito pela Câmara Municipal de Vereadores nos últimos anos, em nível de políticas públicas direcionadas à juventude e ao combate à violência juvenil. Os vereadores avalizaram a criação da Coordenadoria Municipal da Juventude, mas a abandonaram em seguida, relegando a juventude à própria sorte ou, na pior das hipóteses, ao azar da criminalidade.

A violência que explodiu município adentro é um megapepino que, ao que parece, Shirlean e o prefeito Valmir Mariano vão ter de buscar forças no além para descascarem sozinhos, tendo em vista que a maioria dos projetos apresentados pelos parlamentares locais versa sobre problemas miúdos e pontuais e não faz reflexão de demandas de maior abrangência, como o foco no combate à violência e a geração de emprego e renda, prioridades que, se atendidas a contento, por si mesmas são capazes de promover bem-estar social e mudar o status de Parauapebas, manchado a custa do sangue derramado de muitos jovens.

“Precisamos investir em nossos jovens a fim de transformarmos esse prejuízo humano de quase meia década em ganhos sociais, igualdade de direitos, oportunidades e capital cultural para nosso município”, destaca Shirlean, informando que um dos sonhos do prefeito Valmir é transformar Parauapebas num polo universitário de excelência, onde o desenvolvimento humano se destaque para além do valor dos bens minerais que fizeram a fama do município.

Reportagem: Bariloche Silva – Da Redação do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

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