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Canaã dos Carajás é o 41º pior do Brasil para se empregar

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Não. Não é exagero: ao longo de 2016, impressionantes 6.809 trabalhadores foram demitidos no município de Canaã dos Carajás, cujo primeiro nome de sua assinatura remete à “Terra Prometida”. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referentes ao balanço final de 2016, revelam que, além de Canaã ter o 41º desempenho entre os municípios do país, ainda entra para os anais da história regional com o maior volume de trabalhadores com carteira assinada demitidos no período de 365 dias. O mais perto disso foi conseguido por Parauapebas, com 5.722 desligamentos em 2013. Apenas no mês de dezembro, 1.432 trabalhadores foram mandados “passear” na Terra Prometida.

O desempenho de Canaã, apesar de bater recorde negativo na história do sudeste paraense, não causa espanto, principalmente por se ter ideia de onde ele sai: da finalização das obras civis do projeto S11D, que, durante sua implantação, mobilizou mais gente (30 mil trabalhadores) que a própria população do município em 2010, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) contabilizou aproximadamente 27 mil residentes.


Na história de 22 anos de Canaã dos Carajás, o município só havia sentido desemprego acima de 500 postos nos extratos do Caged de 2004, exatamente o ano em que a implantação de seu primeiro projeto gigante (o Sossego, para extração de cobre) chegou ao fim. Há pelo menos sete anos, o município vinha numa sequência de criação de vagas de vento em popa, com o recorde de 4.646 oportunidades abertas em 2013.

Atualmente, as dez piores profissões onde procurar trabalho em Canaã são servente de obras, montador de estruturas metálicas, eletricista, mestre de obras, soldador, montador de máquina, pedreiro, motorista de caminhão, carpinteiro e faxineiro. Para esse pessoal, não há vagas.

TAXA DE DESEMPREGO

Considerando-se a população de 2016 estimada pelo IBGE, de 34.853 habitantes, 19,5% da população inteira estaria, agora, de cara para cima. Como o cálculo de taxa de desemprego não utiliza a população total (porque aqui entram bebês, crianças e adolescentes), mas sim a população em idade de trabalhar, a situação é ainda mais dramática: a taxa de desemprego sobe para 32% dos 21.400 habitantes economicamente ativos. Se serve de consolo, pela cabeça da prefeitura local passa uma população de, pelo menos, 52.862 moradores, a partir de dados colhidos por agentes de saúde ainda em 2014, o que minimizaria a taxa de desemprego para 21%.

Seja quanta gente for, o fato é que Canaã está se afogando nas mágoas do desemprego, nesta ressaca do “maior projeto de mineração do globo”, como sempre foi alcunhado o S11D. A vaidade e o orgulho agora mandam a fatura social à “Terra Prometida”.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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