Municípios do sudeste paraense somaram juntos mais de US$ 11,9 bilhões em exportações e colocaram a região de Carajás no centro da economia brasileira

O Pará voltou a se destacar no cenário econômico nacional ao registrar um superávit de US$ 21,5 bilhões na balança comercial em 2025, consolidando-se como a terceira maior balança comercial do Brasil, atrás apenas dos estados de Mato Grosso e Minas Gerais. Os dados fazem parte do Boletim de Comércio Exterior do Pará 2025, elaborado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa).
Entre os grandes protagonistas desse desempenho histórico estão os municípios de Canaã dos Carajás e Parauapebas, que juntos movimentaram cifras impressionantes e reforçaram a força econômica da região de Carajás no comércio internacional.
Segundo o levantamento, Canaã dos Carajás manteve a liderança como o maior município exportador do Pará, alcançando US$ 6,6 bilhões em vendas externas, valor que representa 27% de todas as exportações do Estado.
Logo atrás aparece Parauapebas, com US$ 5,3 bilhões exportados, consolidando-se como o segundo maior exportador paraense. Somados, os dois municípios atingiram a marca de US$ 11,9 bilhões em exportações, um número que evidencia o peso da mineração e da atividade econômica desenvolvida na região sudeste do Pará.
O estudo aponta que cerca de 90% das exportações paraenses estão concentradas em apenas dez municípios, sendo Canaã e Parauapebas os maiores responsáveis por esse desempenho.
O Pará fechou 2025 com US$ 24,2 bilhões em exportações, crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior e desempenho superior à média nacional, que ficou em 3,5%. Com isso, o estado passou a ocupar a quinta colocação entre os maiores exportadores do Brasil, respondendo por 7% das vendas externas do país.
A mineração segue sendo a principal força da pauta exportadora paraense. O minério de ferro liderou as exportações estaduais, movimentando US$ 11,6 bilhões, o equivalente a 48% de tudo que o Pará vendeu para o exterior. Em seguida aparecem os minérios de cobre, com US$ 3,6 bilhões, e a alumina calcinada, com US$ 1,9 bilhão.
Além do setor mineral, o agronegócio também ganhou espaço importante na economia paraense. As exportações de carnes bovinas desossadas cresceram 70,3%, alcançando US$ 1,2 bilhão, enquanto a soja registrou alta de 6,9%, somando US$ 1,6 bilhão.
O principal destino dos produtos paraenses continua sendo a China, que absorveu US$ 11 bilhões em exportações, equivalente a 45,6% de tudo que o estado vendeu ao mercado internacional. Entre os produtos mais exportados para o país asiático estão minério de ferro, soja, carne bovina, sulfetos de cobre e ferroníquel.
O boletim também destaca o avanço das exportações para a Europa, que cresceram 17,5% em 2025, enquanto os embarques destinados especificamente à União Europeia tiveram aumento de 10,8%.
De acordo com o diretor responsável pelo estudo, professor Márcio Ponte, o boletim representa uma importante ferramenta para o planejamento econômico do Estado e dos municípios.
Já o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, destacou que, embora a mineração e a agropecuária continuem liderando a economia paraense, o Estado também começa a abrir espaço para novos segmentos, especialmente ligados à bioeconomia e à inovação.
O levantamento ainda mostra que a economia paraense mantém forte dependência do comércio exterior. Em 2023, as exportações representaram cerca de 43,6% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, percentual muito acima da média brasileira, que foi de 15,5%.
Os números reforçam o protagonismo de Canaã dos Carajás e Parauapebas no cenário econômico nacional, consolidando a Região de Carajás como uma das mais estratégicas para o desenvolvimento do Pará e do Brasil.









