Confirmados
27.650
Recuperados
18.995
Óbitos
190

 Publicidade

Canaã é um dos 10 municípios que mais geram emprego, diz Ministério do Trabalho

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

A um mês de completar 21 anos, o município de Canaã dos Carajás, parido de Parauapebas em 1994, está refazendo todo o percurso econômico que sua mãe fez na década passada.

No início de 2000, exatos 16 anos após a primeira mina de ferro entrar em operação, enquanto Parauapebas crescia financeira e populacionalmente no período da implantação do Projeto Ferro Carajás, na Serra Norte, Canaã lutava para sobreviver, sem qualquer perspectiva de prosperidade e abandonado por quem lhe deu origem.


Em 2004, houve o primeiro “boom” em Canaã, com o “start-up” do projeto Sossego, para extração de cobre. As ações da mineradora multinacional Vale ali fizeram o então anônimo e paupérrimo município entrar para a geografia midiática e sensacionalista do Brasil, ainda que a comunidade existisse administrativamente desde dez anos antes e historicamente desde a década de 1980. Mais uma década, e agora Canaã dos Carajás é um lugar em ebulição no mapa nacional.

Em 2015, Canaã, ou “Terra Prometida” na linguagem bíblica, aumenta tudo e mais um pouco em decorrência do Projeto S11D, na Serra Sul, o maior investimento da Vale e da própria indústria extrativa mineral.

Na tarde de ontem, sexta-feira (22), quando foram divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) os números mensais da criação de vagas formais no Brasil referentes a julho, Canaã ganhou evidência nacional por estar entre os dez municípios do país que mais criaram postos com carteira assinada este ano, com saldo líquido positivo entre quem arranjou emprego e quem ganhou as contas.

O município hoje brilha num Brasil que está chegando ao fundo do poço, ao menos no tocante a vagas com carteira assinada: o país viu perder 157.905 empregos apenas em julho, o pior mês para se arranjar emprego desde 1992. No acumulado de janeiro a julho, já são quase 500 mil pessoas a mais desempregadas e despejadas no país.

As frentes de trabalho para erguer o S11D, no entanto, arregimentaram este ano, direta e indiretamente, cerca de 9.800 trabalhadores, praticamente um quarto da população local atual. O saldo líquido de empregos é de 2.438 postos com carteira assinada. Tecnicamente, nos sete primeiros meses deste ano, Canaã já alcançou a marca de empregos criada durante todos os 12 meses do ano passado. E 2015 nem acabou.

O maior recorde de empregos foi o ano de 2013, com saldo de 4.646 postos formais, mas as projeções para 2015 podem surpreender, já que o município tem previsão de criar entre 1.700 e 2.500 novas vagas de trabalho até o último dia de dezembro, preservando o estoque que já possui.

ESPINHOS

Mesmo num município tão promissor, como Canaã, nem tudo são flores. Com o desenvolvimento econômico, cuja fofoca se espalha rápido, a cada dia surgem novos desafios tão imensos quanto o crescimento demográfico. É que muita gente chega, diariamente e desesperada, a Canaã atrás de emprego, mas não tem vaga para todos. Nem mesmo para quem é nascido e criado lá.

Quem chega atrás de trabalho, enxotado de outros lugares onde a crise está realmente pegando até pela sombra, traz consigo sonhos, mala e, não raro, família, mudança, cachorro, gato, papagaio e agenda com nome de outras pessoas, para ligar e convidar: ‘Vem, que aqui tá bombando’.

Para quem é de fora, chegar a um lugar pequeno, dinâmico e protagonista do maior vuco-vuco, é de suspirar e dizer ‘Ó, minha nossa!’. Já para quem é de dentro, novos moradores esperançosos e entusiasmados sempre representam mais problemas. A violência tende a aumentar; vão faltar escolas e postos de saúde para atender todo mundo; e alguém, em algum lugar de Canaã, vai ficar sem água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo. Crescimento econômico nem sempre traz progresso social. E no Pará, menos ainda.

COBIÇA

Alheios aos problemas sociais e endoidecidos pelo movimento que corre nas contas bancárias de Canaã dos Carajás, os bancos faturam. Atualmente, são cinco agências – loucas com o movimento da terrinha – para atender os 35 mil habitantes estimados para 2015. E olha que tem trabalhador de Canaã que tem operações bancárias apenas em Parauapebas, e não lá.

Parauapebas, aliás, apesar de todo o seu crescimento financeiro, só possuiu suas primeiras cinco agências quando já tinha 140 mil habitantes, quatro vezes mais do que Canaã. Hoje, Parauapebas possui 14 agências bancárias (incluídas as do Núcleo Urbano Carajás), mas para se igualar à média de Canaã, de uma agência para cada grupo de 7.000 habitantes, a “Capital do Minério” deveria ter o dobro, ou seja, 28 agências para atender a seus 190 mil habitantes.

Ainda assim, é a Canaã que as grandes instituições financeiras miram, tanto é que ao menos quatro têm em seus planos de negócios abrir novas agências lá até o final de 2016, período que vai coincidir com o encerramento da etapa de implantação do S11D para, então, o empreendimento entrar em operação.

A 72 quilômetros da praça financeira que mais cresce no Pará, Parauapebas, que um dia deu à luz a “Terra Prometida”, chupa o dedo. E Canaã, por seu turno, repete seus passos de crescimento desordenado, carestia, problemas sociais e um grande projeto minerário para assoprar e fechar os olhos a todas as demandas urgentes.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

Publicidade

Veja
Também