Castro, o seresteiro da Parauapebas antiga

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Castro, em sua casa no Rio Verde: “Em Parauapebas quero viver até meu último dia de vida”

Clave de Sol é um símbolo musical que indica a posição da nota sol em uma pauta, mas em Parauapebas (PA), Clave de Sol era o nome de uma banda musical que fez muito sucesso nas década de 1990 e 2000, comandada pelo exímio músico e excelente cantor Castro. A banda era formada por Castro, voz e teclado; Francelí, na guitarra, e Cláudia e Polak, cantores.  “Muitos casais se apaixonaram ouvindo eu cantor nas serestas em Parauapebas, Curionópolis e região”, disse ele, sorrindo, durante entrevista concedida em sua casa no Bairro Rio Verde, onde seu pai, o comerciante Teles, fez história.

Castro é músico autodidata. Ele começou a tocar teclado com apenas 14 anos de idade, praticamente sozinho. E nunca mais a música saiu de sua vida, com exceção de alguns anos que teve que pegar no pesado para sustentar a família. Tocou muito em Curionópolis e em Parauapebas. No auge das serestas em Parauapebas, outros dois músicos também se destacavam na cidade: seus amigos Bentinho e Genival. Aliás, o Genival chegou a tocar com ele em algumas festas.


O público adorava ouvir as músicas da banda carioca The Fevers, Roberto Carlos, da Jovem Guarda de um modo geral, além das músicas românticas de Altemar Dutra e Nelson Gonçalves e os ritmos paraenses. Mas o que eu gostava mesmo era de cantar as músicas do grupo Roupa Nova. Era maravilhoso. Oh, tempo bom”, afirmou Castro, ressaltando que a cidade era pequena, não tinha violência e quase todo mundo se conhecia. “Às vezes saía de um show e ia andando para casa de madrugada e só ouvia os cumprimentos das pessoas: Tudo bem, Castro? Andava despreocupado”, lembrou.

O músico e empresário disse que os locais que mais cantou em Parauapebas foram na Churrascaria Gaúcha e no Pit Dog do Jorge, dois grandes amigos dele até hoje. Atualmente, Castro só canta em reuniões de poucos amigos. “Meu tempo passou. Não me vejo mais cantando para uma multidão em uma festa. Às vezes, dou uma palhinha só em reunião de amigos em nosso espaço de festa no Vila Rica ou na casa de algum amigo”, destacou. Ele administra a loja da família – Casa Agro Teles – no Rio Verde e contribui com a economia do município.

 

Antes de vir morar em Parauapebas em 1990 e embalar as noites romântica dos pares apaixonados, Castro tocou e cantou em muitas festas em Curionópolis (PA), onde morou inicialmente. Até chegar a Parauapebas, Castro, o pai e os irmãos fizeram uma longa caminhada.

A história

José de Castro Silva nasceu em Caxias, no Maranhão, e em 25 de dezembro deste ano fará 68 anos de idade bem vividos. Teve uma infância tranquila. O pai, Abdenago Teles da Silva, era comerciante, com o apoio da esposa Gilda de Castro Silva. Seu Teles, hoje com 98 anos, mora em Anápolis (GO), com o apoio de filhos e de três cuidadoras de idosos. A mãe, Gilda, morreu aos 92 anos em outubro do ano passado.

Castro tem mais nove irmãos, que moram no Pará, Maranhão e no Goiás: Francisca Elvirane de Castro, Ana Vitória, João de Castro, Abdenago Júnior, Maria Bernadete, Paulo Henrique, Francisco Emanuel, Conceição de Maria e Evandro Carlos.

Castro animou muitas festas em Parauapebas e fez diversos casais felizes com suas músicas românticas

 

Construção de Brasília

O pai dele, Seu Teles, fã de Juscelino Kubitschek, saiu de Caxias (MA) e foi assistir à cerimônia de inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960. Na volta, se encantou com a cidade de Anápolis, que fica entre a capital da República e Goiânia e é a segunda maior cidade do estado do Goiás. “Aqui é o lugar onde vou morar com a família um dia”, declarou Seu Teles. E não teve dúvida. Ao chegar ao Maranhão ficou amadurecendo a ideia de um dia morar na cidade goiana. Seu Teles tinha um armazém em Caxias que vendia um pouco de tudo, especialmente produtos para o homem do campo, como facão, enxada, pá, rastelo, chapéu, botinas, arreios e muitos outros produtos. Em 1972 as vendas não iam bem em Caxias e ele decidiu se mudar para Anápolis. Seu Teles viajou em companhia de quatro filhos, entre os quais, o jovem Castro. Lá em Anápolis, eles vendiam produtos para garimpeiros, como pá, bateia, peneira, peças para motores, mangueiras, etc. Depois, foram a esposa Gilda e outros filhos.

Com apenas 16 anos, mas já um experiente trabalhador, Castro casou-se com a também jovem Valdenice. A família ficou em Anápolis e em 1977 ele foi “aventurar” no garimpo do Xingu, no Pará. Em 1981, com a fama do garimpo de Serra Pelada, no Pará, o pai dele, Seu Teles, decidiu abrir uma loja com produtos para garimpeiros no povoado de Curionópolis (PA), à época conhecido por “30”. Seu Teles abriu a loja, deixou o filho Castro administrando e retornou para Anápolis. Em Curionópolis, Castro trabalhava no comércio que tinha em sociedade com o pai durante o dia e nos fins de semana, à noite, tocava em festas, levando muita música romântica para os casais apaixonados.

Pai pioneiro

Em 1982 Seu Teles retornou de Anápolis para o Pará e em 1984 abriu uma loja (Casa Agro Teles) também no povoado Rio Verde, que anos depois se tornaria um importante bairro da cidade de Parauapebas. Comprou um terreno na Rua 24 de março, montou a loja – “que vende de tudo” – e com o tempo comprou os outros terrenos até chegar à esquina com a hoje Av. JK, no Rio Verde. “Ainda não existia a igreja de São Francisco de Assis e praticamente nada na área. Lembro que tinha muito mato aqui perto da loja. No local, onde hoje é a igreja católica, lembro de uma picada no mato. Meu pai contribuiu para a construção da igreja de São Francisco de Assis. A primeira cruz de madeira colocada em frente à igreja foi doada pelo meu pai. Eu vinha sempre por aqui, inclusive colaborei com o Movimento da Emancipação colocando meu carro de som à disposição para convidar o povo para as reuniões e até mesmo para os líderes falarem nas reuniões. Trabalhava com publicidade volante. Eu acreditava na emancipação do distrito, que era vinculado a Marabá. Mas em 1990 decidi deixar Curionópolis e mudar definitivamente para Parauapebas”, relatou o nosso homenageado.

 

Casamentos

Do primeiro casamento com Valdenice, nasceram quatro filhas em Anápolis: Cláudia, Carla, Cristina e Cássia. E em Parauapebas, nasceu o filho caçula Adriano Cássio. Do segundo casamento com Celiana Gomes, em Parauapebas, nasceram os filhos Wanderson, hoje com 18 anos, e Wallyson, de 8 anos.

Parauapebas

“Gosto bastante de Parauapebas. A cidade representa tudo em minha vida. Aqui ficarei até o fim da minha vida”.

Música

“A música é a minha vida”.

Futuro da cidade

“O futuro de Parauapebas é sem limite. A cidade ainda crescerá bastante. O que falta é apenas os governantes definirem outras matrizes econômicas e o município não ficar só dependente do minério”.

Eventos

Castro não canta mais profissionalmente, animando festas até de madrugada, mas as festas nunca saíram de sua vida. Ele é dono do Space Castro, na Rua Canadá, 186, no bairro Vila Rica, que aluga para festas, eventos e reuniões. “Sempre que posso pego o teclado e dou uma palhinha para os amigos, para matar a saudade”, afirmou.

O pioneiro Castro e a esposa Celiana Gomes: felicidade total

 

Por ter desbravado o então povoado de Parauapebas a partir de 1981 e ter mudado para a cidade definitivamente em 1990; ter feito a alegria de muitas famílias e casais apaixonados com suas serestas, onde tocava e cantava no comando da sua banda “Clave de Sol”; por amar esta cidade e por ser filho de pioneiro e por ele, os pais e os irmãos terem contribuído com o desenvolvimento e o crescimento de Parauapebas, Castro é o nosso homenageado de hoje no projeto “Entrevistas com Pioneiros”.

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