Coluna do Lima Rodrigues – 10 de novembro de 2021

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

O Dia de Campo sobre Cacau será destaque do Conexão Rural no próximo fim de semana

Paragominas começa a intensificar produção de cacau

De acordo com a Agência Pará, mais da metade do cacau produzido no Brasil é, literalmente, fruto paraense. Em 2020, a produção do fruto no Pará foi de 144.663 toneladas, o equivalente a 52% da produção nacional. Em 2019, o Estado produziu 130 mil toneladas contra as 105 mil produzidas na Bahia, que segue na vice-liderança.


O cultivo do cacau no Estado é acompanhado pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), responsável pelo planejamento e execução de atividades que promovam a sanidade e a qualidade da produção agrícola. Cerca de trinta mil produtores atuam com a cacauicultura no Estado, em 29 municípios. Medicilândia, Tucumã e Tomé-açu lideram o ranking de produção paraense e agora Paragominas também quer se fortalecer na produção do fruto. Agora, Paragominas, começa a intensificar a produção de cacau, visando também se destacar na produção desse fruto, considerado ouro na Amazônia.

O começo

Tudo começou com o pioneiro Hiroshi Okajima há mais de 10 anos e depois com o sobrinho dele, Cláudio Okajima, que se juntou aos também pioneiros José Carminati e Micândio Gouveia, com o apoio da técnica em mineração Rosângela Perriche, que foi coordenadora regional em Paragominas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca – SEDAP. “Apesar de a Ceplac dizer que Paragominas não é adequada para o plantio do cacau, eu corri atrás e junto com os pioneiros Okajima, Carminati e Micândio, conseguimos desenvolver um projeto de produção de cacau no município e hoje a secretaria de Agricultura da atual administração está dando continuidade ao projeto”, disse Rosângela.

Cláudio Okajima administra a propriedade da família, onde o cacau é plantado há mais de dez anos em consórcio com o mogno em uma área de 200 hectares. São 50 mil plantas de cacau.

Cláudio Okajima disse que se sente “muito feliz em saber que outras pessoas agora estão querendo produzir cacau em Paragominas”. A mesma coisa pensa o produtor rural Micândio Reis Gouveia. “Começamos a produção de cacau sem nenhuma orientação técnica, meio perdidos, mas fomos levando adiante a ideia e o projeto acabou se fortalecendo e hoje ganha corpo com orientação técnica e o apoio da prefeitura municipal”, disse ele.

O presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais da colônia Putiritá, também conhecida como colônia Independência, Rivelino Ângelo Ribeiro, afirmou que “o apoio dado pela prefeitura de Paragominas tem sido fundamental para a produção de cacau no município e agora a tendência é o projeto se fortalecer cada vez mais e gerar emprego e renda, para esses produtores da agricultura familiar que vinham produzindo mandioca”, ressaltou Rivelino.

1 milhão de toneladas

Segundo o engenheiro agrônomo da secretaria municipal de Agricultura de Paragominas, Abimael Pereira, “o município de Paragominas produz hoje 240 toneladas de cacau por ano, mas a meta é chegar a 1 milhão de toneladas em cinco anos, já levando em conta o início do projeto em 2018”.

Abimael Pereira reconheceu o esforço dos pioneiros e da Rosângela Peniche e disse que “a secretaria de Agricultura está dando continuidade ao projeto porque ele é muito bom e a produção de cacau é viável no município”.

Dia de Campo sobre cacau

E dentro da programação da 54ª Feira Agropecuária de Paragominas, no Pará, a Agropec 2021, realizada de 23 a 31 de outubro, ocorreu também um Dia de Campo sobre a cultura do cacau.

Deixamos Paragominas, a 310 km de Belém, e pegamos a PA 256 que dá acesso ao Rio Capim e ao município de Tomé Açu. Percorremos uma estrada de chão e de cara vimos muita plantação de cacau na região.

Nosso destino era o sítio Nova Era, do produtor rural Ivan Barbosa, que mora há 21 anos no Pará e há quatro anos,  em uma área de três alqueires, ele planta 5 mil pés de cacau consorciado com açaí em apenas 1 alqueire da propriedade.

Lima Rodrigues entrevistou produtores rurais, autoridades e especialistas sobre a produção de cacau em Paragominas

 

O secretário de Agricultura de Paragominas, Renan Oshe, e o vice-presidente do Sindicato dos Produtores Rurais do município, Bruno Lombardi, e centenas de produtores rurais da região participaram do Dia de Campo no sítio Nova Era.

O engenheiro agrônomo Manuel Severino, da secretaria de Agricultura, saudou os participantes do evento.

O palestrante foi o engenheiro agrônomo Ivan Costa e Sousa, aposentado da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira – CEPLAC. Ele tem mais de 50 anos de experiência na área de extensão rural e assistência técnica no cacau e já desenvolveu diversos projetos voltados para elevar as taxas de produtividade das lavouras de cacau na Bahia. Na CEPLAC Ivan fez parte da equipe de implantação do Projeto 500Arrobas, que visa elevar a produção para 500 arrobas de cacau por hectare. Ivan Souza explicou como aumentar a produtividade de cacau e baixar o custo de produção, como deve ser feito o plantio correto e o que deve ser evitado na hora de plantar o cacau. Os produtores rurais fizeram perguntas e tiraram suas dúvidas.

Em seguida, os participantes foram até um plantio de cacau para aprender um pouco mais sobre a maneira correta de se fazer a poda nas plantas de cacau. Os produtores rurais ficaram satisfeitos com os aprendizados adquiridos no Dia de Campo sobre Cacau. O proprietário do sítio Nova Era, Iran Barbosa, também destacou que o Dia de Campo trouxe bastante conhecimento para todos os produtores rurais.

O vice-presidente do Sindicato Rural de Paragominas, Bruno Lombardi, e o secretário de Agricultura do município, Renan Ohse, fizeram uma avaliação positiva a respeito do Dia de Campo sobre cacau.

O engenheiro agrônomo Ivan Costa, especialista em cacau, afirmou que o município de Paragominas tem todas as qualidades para produzir o fruto e gerar emprego e renda na região.

À noite, o consultor Iran Souza fez palestra na Agropec 2021 para centenas de produtores rurais sobre “A cultura do cacau  e suas tecnologias”.

Destaques do Conexão Rural

A produção de cacau em Paragominas será destaque do Conexão Rural no próximo fim de semana.

Em destaque, também, uma entrevista exclusiva com o secretário de Agricultura do Maranhão, Sergio Delmiro. Ele fala sobre as potencialidades agropecuárias do estado e sobre as perspectivas para 2022.

O programa trará ainda o comentário do jornalista Antônio Reche, de São Paulo, especialista em agronegócio e fará homenagem à cantora Marília Mendonça, que morreu vítima de acidente aérea dia 5 de novembro no interior de Minas Gerais. Também morreram no acidente: o tio e assessor da cantora Abicieli Silveira Dias, o produtor Henrique Ribeiro, o Henrique Bahia; o piloto Geraldo Martins de Medeiros e o co-piloto Tarciso Viana.

Vamos reapresentar as entrevistas que a cantora Marília Mendonça concedeu ao Conexão Rural em abril de 2016 em Parauapebas, e em setembro de 2019 durante a Feira Agropecuária de Xinguara, no Pará.

ACNB aperfeiçoa regulamento do Ranking Nelore e Nelore Mocho 2021/2022

Visando a valorização da raça e o incentivo à participação de novos produtores nas exposições oficiais, a Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) promove mudanças no regulamento do Ranking Nacional Nelore e Nelore Mocho 2021/2022, que está se iniciando.

“A cada ano procuramos inovar, motivar e fomentar a raça Nelore. Todos os ajustes que realizamos são feitos com a intenção de dar melhor condição para participação dos criadores e expositores”, declara Nabih Amin El Aouar, presidente da ACNB.

Como oportunidade para o nelorista de pequeno porte divulgar seu criatório, nas exposições oficiais do Ranking da ACNB, serão premiados os Melhores Expositores Iniciantes. Somente os criadores que não participaram de exposições oficiais em anos calendários anteriores ao atual podem participar dessa nova competição.

“Com esta nova premiação, procuramos inserir o criador iniciante nas exposições, incentivando sua participação. Num primeiro momento, queremos avaliá-los separadamente dos produtores mais antigos e criar uma competição exclusiva somente entre os mais novos. Assim, conseguimos ampliar o número de participantes do ranking”, completa o presidente da ACNB. (Texto Comunicação – SP).

veja também