Publicidade

Coluna do Lima Rodrigues – 5 de junho de 2019

Mega projeto poderá transformar completamente a orla do Lago de Tucuruí

Nesta quarta-feira, 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, nada mais justo do que falar em agricultura sustentável e aumento da produção de alimentos com responsabilidade para contribuir com o fim da fome e da miséria no mundo.


ENTREVISTA – Emiliano Botelho, presidente da CAMPO

Em entrevista exclusiva ao programa Conexão Rural, que produzo e apresento na Rede TV de Parauapebas, o presidente da CAMPO, Emiliano Botelho, revelou como será o trabalho da empresa na implantação de projetos agrícolas na África e destacou como será o projeto de recuperação das margens do Lago de Tucuruí (PA). A entrevista na Rede TV irá ao ar no próximo domingo.

A CAMPO é uma empresa Nipo-Brasileira com uma história intimamente relacionada ao desenvolvimento do Cerrado Brasileiro. Sua trajetória tem início em 1978, com a implantação do maior programa de desenvolvimento agrícola do país, o Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados – PRODECER. A partir desta grande experiência, a CAMPO se tornou referência dentro e fora do Brasil, levando a tecnologia desenvolvida para países da América do Sul e Central, Ásia e África, além de novos projetos em diversos estados brasileiros

No início dos anos 2000, se organizou a CAMPO Holding permitindo a criação de três novas empresas: a Campo Consultoria e Agronegócios, Campo Biotecnologia Vegetal e Campo Tecnologia Agrícola e Ambiental.

Foi na gestão de Emiliano Pereira Botelho que houve a expansão nacional e internacional das experiências do PRODECER, além da criação dos laboratórios de biotecnologia, consultoria e prestação de serviços de análises químicas. Antes de presidir a CAMPO, Emiliano foi Diretor Superintendente da Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu e Diretor Presidente da mesma; presidiu a Câmara Franco Brasileira de Cooperativismo; além da Cooperativa de Crédito Rural dos Produtores do Vale do Paracatu – CREDIPROVALE. É formado em Contabilidade na Escola de Comércio Inconfidência Mineira.

Confira trechos da entrevista com o empresário Emiliano Botelho, presidente da CAMPO:

É uma honra entrevistá-lo e contar um pouco de sua história de contribuição ao agronegócio brasileiro.

Obrigado. A imprensa brasileira tem contribuído muito nesse processo novo do agronegócio. Precisamos parar com essa ideia de que a agricultura é uma desgraça. A imprensa tem dado destaque para aquilo que é importante para o Brasil. Nós precisamos parar de jogar a agricultura para a sociedade como uma desgraça. Nós sabemos que agricultura é a solução desse país.

Surgimento da Campo

A CAMPO surgiu em 1978, com a importante participação do ex-ministro  da Agricultura, Alisson Paulinelli, que teve contribuição fundamental na implantação do PRODECER e até hoje faz parte da nossa diretoria. Implantamos 21 projetos em sete estados, sendo que no Maranhão e no Tocantins eu estava como presidente da empresa e tive a honra de negociar no Japão todas as diretrizes e os parâmetros dos dois projetos. Os demais estados foram: Minas Gerais, Goiás, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, totalizando quase 600 mil hectares de terras. O PRODECER teve um apoio muito grande do Japão. O efeito multiplicador disso tudo é imenso. Nós fomos para a região de Balsas e implantamos 50 mil hectares de agricultura. Dois anos depois, já tinha mais de 200 mil hectares em volta do primeiro projeto e aí criou-se dois parâmetros muito importantes: o lado japonês tinha como objetivo aumentar a bolsa de alimentos no mundo. Como eles importavam tudo, ninguém tinha contrato para vender diretamente nada para o Japão. Desde que aumentasse a bolsa de alimentos, o país ia comprar alimento mais barato. Isso cresceu. Era para durar 10 anos e durou 25 anos.

Em 1992 houve a necessidade de se expandir a empresa e criamos o Departamento de Biotecnologia que hoje está localizado dentro da Embrapa no Centro de Mandioca e Fruticultura na Bahia. E temos cinco laboratórios em Minas Gerais, e houve um crescimento mais na área ambiental do que na área agrícola e cresceu muito essa empresa de consultoria. Nos últimos três anos voltamos os olhos mais para a África. A África tem um potencial muito parecido com o do Brasil.  É fantástico. Tem terras vazias. A África sofre pela necessidade de alimentos. Nós detectamos que o africano não come proteína animal ou come muito pouco. A Nigéria, por exemplo, que tem 2 milhões de habitantes, consome 900 gramas per capita de frango. No Brasil, isso chega a 40 quilos.  Para atingir 2 quilos, que é a média da África, a Nigéria tem que implantar 2 milhões de hectares de soja e de milho. Todo esse processo o Japão tem interesse em ajudar.

Segundo a FAO (A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, uma das agências da ONU, que lidera esforços para a erradicação da fome e combate à pobreza) nos próximos 15 anos temos que aumentar 820 milhões de toneladas de alimentos na cesta básica. A população vai triplicar em 20 anos. Espera-se que o Brasil faça 40% dessas 820 milhões de toneladas. Isso é mais do que o dobro do que o Brasil produz hoje.

Nós não temos dúvidas hoje que a África será esse grande ambiente, porque a não ser o Brasil, você só tem a África. Estados Unidos já plantou o que tinha que plantar. A Europa e a Ásia não têm nada novo. Mais tenho certeza absoluta que a África será a nossa redenção.

O senhor recebeu a visita de embaixadores africanos no estande da Campo durante a AgroBrasília. Qual foi o objetivo?

Há uma grande dificuldade na África na produção de alimentos, principalmente na extensão rural para o pequeno produtor. Nós assinamos um protocolo de intenções junto com a Emater-DF, que tem potencial para nos ajudar muito, especialmente na área de piscicultura e programas para o pequeno produtor, porque podemos, acredito que não devemos ir para a África ocupar a terra. Nós temos que integrar a população e trazer benefícios para aquela população dentro desse processo. E claro que numa escola muito menor isso aconteceu em Balsas, no Maranhão quando implantamos o projeto PRODECER lá na região. Quando chegamos lá, não tínhamos tratoristas e operadores de colheitadeiras. Com a ajuda do Senar (Serviço Nacional de Aprendizado Rural)  treinamos muita gente e foi um sucesso. Um dos projetos mais produtivos que a CAMPO implantou foi o de Balsas. Isso abriu outros espaços. Além desse desenvolvimento agrícola, gosto de falar disso, o programa contribuiu muito para o desenvolvimento regional. Veja o caso de Lucas do Rio Verde (MT) e Luiz Eduardo Magalhães (BA) e Cristalina (GO) e minha cidade, Paracatu (MG). Tudo isso teve uma transformação muito grande depois do programa.  Lucas do Rio Verde tinha 3 mil habitantes e nem tinha hotel na cidade. Hoje, a cidade tornou-se um modelo para o Brasil e tem uma população de quase 100 mil habitantes com jovens produtores. É uma segunda geração de médicos e engenheiros agrônomos e de outras profissões. Tudo isso contribuiu bastante para o desenvolvimento do Brasil. Hoje, o Brasil é o 2º maior país exportador do mundo

Além do Maranhão, o senhor conhece bem o Pará. Como foi a passagem da CAMPO pelo Pará?

Nós atuamos em Marabá, Redenção, Dom Elizeu e Paragominas para promover a agricultura e gerar carga para a Ferrovia Norte Sul e para o Porto de Itaqui, em São Luís. Fizemos isso durante 25 anos. A Vale mantém esse programa desse 1992. Junto com a CAMPO pelos bons resultados que o programa apresentou, o Porto de Itaqui está praticamente saturado pela eficiência desse trabalho que foi feito ao longo do Tocantins e do sul do Pará. Eu tenho o sul do Pará como um sonho. Tenho um amigo – Ricardo Carneiro, de Uberlândia (MG), que cria Senepol no sul do Pará. Ali vai ser o foco. Vamos fazer um leilão naquela região.

Fizemos uma reunião com o presidente da Faepa, Carlos Xavier,  com a presença dos presidentes dos 121 sindicatos rurais do estado  e apresentamos um programa de recuperação das margens do Lago de Tucuruí, incluindo projetos nas áreas de saúde, educação e manejo florestal. Já encaminhamos a solicitação de financiamento ao BNDES. O governador Helder Barbalho acompanhou a gente ao Rio e deu total apoio. Nós vamos transformar o Lago de Tucuruí, a exemplo do que foi feito em Itaipu (PR). Quando terminar essa negociação com BNDES vamos cumprir nossa missão de mudar a condição de vida daquela gente e o desenvolvimento social naquela região melhorará consideravelmente.

Desenvolvimento

Além de transpor o obstáculo de fazer da terra do Cerrado um celeiro extremamente produtivo, o PRODECER trouxe desenvolvimento a regiões antes isoladas pela pobreza e qualidade de vida aos pequenos agricultores e suas famílias. A coordenação do programa deu tão certo que a empresa expandiu seus horizontes.

Sustentabilidade

A empresa cresceu, se estabeleceu no mercado, conquistou grandes clientes e teve sempre em mente a busca pelo desenvolvimento sustentável, através de ações responsáveis. Desde o PRODECER a Campo alertou os agricultores para todo tipo de danos que poderiam estar causando à natureza, manteve 20% da área total como reserva legal, além de utilizar métodos como curvas de nível, a rotação de culturas e a conservação dos solos pelo sistema de micro bacias hidrográficas, propiciando a utilização das terras por várias gerações. (Com informações do site oficial da CAMPO, que tem sede em Brasília).

Compartilhe essa notícia

Tags

Veja também

All articles loaded
No more articles to load
Pebinha de Açúcar Comunicação e Marketing
LTDA-ME – CNPJ: 05.200.883.0001-05
Parauapebas – Pará – Brasil
(94) 99121-9293 (whatsapp) | (94) 98134-2558

Acompanhe o Pebinha nas redes sociais

Copyright © Pebinha de Açúcar – 2018. Todos os Direitos Reservados.

Fechar Menu