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Denúncias de invasão e furto de documentos na COOMIGASP mobilizam polícia em Curionópolis

Disputa pelo controle da cooperativa ganha novos capítulos com depoimentos à Polícia Civil; diretores acusam grupo de ocupação ilegal e retirada de computadores com dados sigilosos

A sede da Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (COOMIGASP) voltou a ser o centro de uma intensa disputa política e jurídica. Na manhã da última sexta-feira (6), a Delegacia de Polícia Civil de Curionópolis, sob o comando do delegado José Aquino, tornou-se o palco de depoimentos que detalham uma suposta invasão à sede da entidade e o desvio de documentos e equipamentos essenciais.

Acusações de “força bruta” e invasão
Em entrevista exclusiva, o diretor eleito da COOMIGASP, Manoel Zacarias da Silva, relatou um cenário de instabilidade que teria atingido o ápice no início deste ano. Segundo Zacarias, no dia 5 de janeiro de 2026, um grupo liderado por um indivíduo conhecido como “Jacó” teria invadido a cooperativa utilizando “força bruta”.

“O Jacó não é presidente, não tem diretoria e não tem mandato judicial; ele entrou na cooperativa invadindo o local apoiado por um grupo que, na maioria, não são garimpeiros verdadeiros”, denunciou Zacarias, que reside na região desde 1980.

O “coração” da Cooperativa em risco
A denúncia mais grave apresentada à polícia refere-se ao suposto furto de bens da instituição. De acordo com o depoimento de Zacarias, na noite de quarta-feira (28/01), o advogado Márcio Silveira e outro indivíduo teriam sido vistos saindo do cartório da cooperativa levando dois computadores e uma pasta de documentos com cerca de 10 cm de espessura.

Zacarias classifica o ato como um “crime de desvio de bens”, ressaltando que esses aparelhos contêm o acervo histórico e o controle da cooperativa.

A defesa: “tudo foi esclarecido”
Por outro lado, o advogado Márcio Silveira da Silva, que acompanhou os depoimentos de outros envolvidos na delegacia, negou qualquer irregularidade. Segundo ele, as oitivas serviram para esclarecer questões sobre reuniões realizadas dentro da COOMIGASP que haviam sido questionadas.

Sobre o comando da entidade, o advogado confirmou que o mandato da ex-presidente Deuszuita venceu em março de 2025 e que, atualmente, o cargo está sendo gerido por uma comissão de signatários criada em 5 de janeiro de 2026. Silveira afirmou que a realização de novas eleições depende exclusivamente de autorização judicial.

Impasse jurídico
O histórico jurídico da COOMIGASP é marcado por sentenças e liminares. Zacarias lembrou que, embora uma sentença de fevereiro de 2025 tenha afastado a então presidente, um agravo de instrumento em Belém permitiu que ela retornasse como interina até o fim do mandato.

Atualmente, o grupo de diretores eleitos em 2021 afirma ter constituído comissões (Signatária, Eleitoral e Administrativa) para tentar organizar uma Assembleia Geral, mas enfrentam resistência do grupo que ocupa a sede.

A Polícia Civil de Curionópolis segue investigando as denúncias de furto e invasão, enquanto centenas de garimpeiros aguardam uma definição sobre quem possui, de fato, o direito legítimo de administrar os destinos de Serra Pelada.

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