Pedido de exoneração foi assinado pelo próprio médico e direcionado ao prefeito Aurélio Goiano; ato publicado no Diário Oficial informou apenas a exoneração, sem mencionar que a saída ocorreu a pedido

Um documento obtido nesta terça-feira (29) pelo Portal Pebinha de Açúcar traz uma informação importante sobre a saída do médico Wallace André Pedro da Silva do comando da Secretaria Municipal de Saúde de Parauapebas (Semsa): foi o próprio secretário quem pediu para deixar o cargo.
Na segunda-feira (28), o Pebinha noticiou a exoneração de Wallace após apenas 53 dias à frente da pasta. O ato publicado pela Prefeitura estabeleceu efeitos retroativos a 25 de setembro, mas, conforme as informações constantes no decreto analisado pela reportagem, não indicava que a exoneração havia ocorrido a pedido do então secretário.
O documento ao qual o Pebinha teve acesso agora ajuda a esclarecer esse ponto, mas abre uma nova pergunta: o que levou Wallace André a pedir para sair de uma das principais secretarias do governo Aurélio Goiano com menos de dois meses de trabalho?
Pedido foi feito diretamente ao prefeito
O requerimento é endereçado ao prefeito Aurélio Ramos de Oliveira Neto e tem como assunto: “Pedido de exoneração a partir de 25 de setembro de 2026”.
No texto, Wallace é objetivo ao solicitar sua própria saída:
“Venho, respeitosamente, requerer minha exoneração, a pedido, do referido cargo, com efeitos a partir de 25 de setembro de 2026”.
O documento está datado de 23 de setembro de 2026 e possui assinatura digital de Wallace registrada em 24 de setembro.
O médico também agradece a confiança e a oportunidade de ter exercido a função de secretário municipal de Saúde, mas não apresenta no documento qualquer justificativa para a decisão de deixar o cargo.
Wallace havia sido nomeado por meio do Decreto nº 1.375, de 3 de agosto de 2026. Portanto, considerando os efeitos da exoneração a partir de 25 de setembro, sua passagem pelo comando da Semsa durou apenas 53 dias.
Por que o Diário Oficial não informou que foi “a pedido”?
Outro ponto que chama atenção é a forma como a saída se tornou pública.
O documento assinado por Wallace deixa expressamente registrado que se tratava de uma exoneração a pedido. Já o ato posteriormente publicado no Diário Oficial, segundo o documento analisado pelo Pebinha na segunda-feira, comunicou a exoneração sem explicitar essa circunstância.
A diferença não altera o fato administrativo de que Wallace deixou o cargo, mas é relevante para a compreensão do episódio: não se tratou simplesmente de uma decisão do prefeito de afastá-lo do comando da Saúde; havia um pedido formal do próprio secretário para sair.
O que fez Wallace pedir para sair tão rápido?
A pergunta que permanece sem resposta é o motivo.
Wallace chegou a Parauapebas no início de agosto para comandar uma das pastas mais complexas e pressionadas da administração municipal. Ainda em setembro, a Prefeitura divulgava ações da Semsa com participação direta do secretário. No dia 22, por exemplo, Wallace apareceu em publicação institucional sobre a construção da nova UBS Porte V no Nova Carajás.
Dias antes, também havia participado da divulgação de ações da Carreta da Mulher e de iniciativas da Atenção Primária.
Paralelamente, a Saúde enfrentava cobranças. Agentes comunitários de saúde e de combate às endemias iniciaram movimento grevista em setembro, após reivindicações relacionadas ao auxílio-transporte. O comunicado sindical havia sido encaminhado também a Wallace.
Como o pedido de exoneração não informa os motivos, não há elementos documentais, até agora, que permitam atribuir sua decisão a esses episódios ou a eventuais divergências internas no governo.
Saída ocorre em momento delicado para o governo
A mudança também acontece em um período de cobranças sobre diferentes áreas da administração do prefeito Aurélio Goiano e de questionamentos políticos sobre sua gestão.
Nesse contexto, a saída voluntária de um secretário que permaneceu somente 53 dias no cargo ganha ainda mais relevância. Ainda assim, seria especulativo afirmar que o pedido tenha relação com o cenário político ou com problemas específicos da Semsa sem uma manifestação do próprio Wallace.
O que está documentalmente comprovado agora é que Wallace André não permaneceu no cargo porque pediu formalmente sua exoneração.
A Prefeitura, inclusive, ainda mantinha Wallace identificado como secretário da Semsa em sua página institucional quando consultada, tendo Luiz Antonio Mendes Veloso como adjunto.
O Portal Pebinha de Açúcar deixa espaço aberto para que Wallace André Pedro da Silva explique os motivos que o levaram a pedir exoneração apenas 53 dias depois de assumir a Secretaria Municipal de Saúde, assim como para que a Prefeitura de Parauapebas esclareça por que o ato publicado no Diário Oficial não explicitou que a exoneração ocorreu a pedido e informe quem assumirá definitivamente o comando da Semsa.







