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Ex-tesoureiro detalha esquema de propina na Câmara de Parauapebas na gestão de Josineto Feitosa

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A propina em dinheiro a vereadores de Parauapebas no período 2013-2014 da atual Legislatura era recebida em pleno Gabinete da Presidência da Câmara Municipal. A revelação é feita pelo próprio transportador da quantia e também tesoureiro do Legislativo à época, Pedro Nazareno Nascimento Costa em depoimento ao Ministério Público do Pará, por acordo de delação premiada.

O Grupo Correio de Comunicação, parceiro do Portal Pebinha de Açúcar teve acesso ao vídeo do depoimento completo do delator do esquema, reforçando que o líder da fraude era o presidente da época, vereador Josineto Feitosa e o dinheiro emanado do empresário Edmar Cavalcante, o “Boi de Ouro”.


Os desvios dos cofres da Câmara de Parauapebas por meio de licitações fraudulentas, superfaturamento e não entrega do material adquirido foram alvo da “Operação Filisteu” em 2015, porém o fato gerador foi ampla reportagem do CORREIO em 2014, listando gastos exorbitantes do Legislativo na compra de mantimentos que dariam para montar uma distribuidora.

Ao falar agora ao promotor de Justiça Hélio Rubens, Pedro Costa deu todos os detalhes de como o dinheiro era repassado do empresário Edmar, detentor de contratos de fornecimento de gêneros alimentícios e aluguel de veículos, aos vereadores. Ele mesmo, na condição de tesoureiro e cumprindo ordens de Herbert Herland Matias de Gomes, diretor administrativo da Casa, preenchia os cheques todos os meses ou fazia a transferência via TED.

Em seguida, cabia ao próprio Pedro acompanhar “Boi de Ouro” até a agência bancária, como forma de ter privilégio e não pegar fila. Ali mesmo o empresário separava a “cota” dos vereadores em um envelope e a colocava na mão do tesoureiro da Câmara, que regressava à sede. Na presidência, ele entregava o envelope a Josineto. Somente ele, ou o próprio Herbert Herland, que é seu concunhado, poderiam receber o pacote.

Questionado pelo promotor se alguma vez viu o destino que era dado ao dinheiro a partir daquele momento, Pedro Costa diz que não, pois o presidente o mandava deixar o gabinete.

O delator destaca, ainda, que quando o dinheiro era apenas transferido, ele tinha de ir buscar os valores no próprio supermercado de Edmar, “o Baratão”. Questionado por Hélio Rubens se vereadores também iam diretamente àquela empresa receber sua parte na propina, Pedro diz que sim, e cita nominalmente a Irmã Luzinete e o ex-vereador Odilon de Sansão.

O ex-tesoureiro confirma ter noção de que o que estava acontecendo era errado, mas defende que obedecia por serem ordens superiores e que se não fizesse “sofreria retaliação”.

VEÍCULOS

O promotor Hélio Rubens aproveitou também a experiência de Pedro Costa como servidor do alto escalão da Casa de Leis de Parauapebas naquele período para questionar sobre as compras que eram realizadas pela Câmara e gastos com aluguel de veículos, situações que são alvo da Operação Filisteus.

O depoente confirmou que eram apenas sete caminhonetes que eram usadas no dia a dia do Legislativo e nenhum carro pequeno, o que destoa dos altos gastos contratados junto à locadora.

“Nós já tínhamos várias peças (informações) que estavam bem montadas, mas com este depoimento do Pedro Nascimento Costa, todas elas se encaixam e a tese do Ministério Público se confirma”, destaca Hélio Rubens.

Outro lado

A reportagem tentou contato com as pessoas citadas, Josineto, Hebert, Edmar, mas desde que foram soltos, após período presos pela operação do MPPA, têm evitado a imprensa, assim como os vereadores Irmã Luzinete e Odilon Sansão também não foram localizados.

Reportagem: Grupo Correio de Comunicação

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