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Exportações despencam quase 50% em 2015, maior queda da história

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Parauapebas se cansou de ser “bacana” com o resto do Brasil, carregando nas costas parte do lucro do país nas transações com o exterior. O saldo do município na Balança Comercial despencou de 7,49 bilhões de dólares em 2014 para 3,85 bilhões de dólares em 2015. Em linhas gerais, caiu à metade. Mesmo assim, segue líder entre todos os municípios brasileiros por apresentar o maior superávit comercial, que é quando o valor das exportações supera o das importações. As informações são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e foram divulgadas nesta quarta-feira (6), dia em que exatamente caiu na conta-corrente do município cerca de R$ 16,52 milhões em royalties pela extração de minério realizada em novembro.

Embora lidere a Balança Comercial em termos de superávit, o desempenho do município só foi o melhor porque o dos outros grandes exportadores foi, na média, péssimo. Para se ter ideia do poço em que Parauapebas se afunda, em 2015, foram exportados 4 bilhões de dólares em commodities, valor 47,44% menor em relação aos 7,62 bilhões de dólares exportados pelo município em 2014.


Em decorrência disso, perdeu a ostentação de maior exportador do Brasil, cetro que carregava com orgulho desde 2011; agora é o quinto – atrás de São Paulo (SP), Angra dos Reis (RJ), Rio de Janeiro (RJ) e São José dos Campos (SP) – e pode desabar para décimo lugar, matematicamente, se o preço do minério se mantiver na casa dos 40 dólares a tonelada, o dólar a menos de R$ 4 e se a China continuar comprando menos.

MAIS MINÉRIO, MAIS FOSSO

O minério de ferro é o carro chefe da pauta comercial de Parauapebas e, por isso mesmo, o consagra “Capital do Minério”. Em 2015, 97,8% das exportações municipais foram desse produto, seguido de muito longe do minério de manganês, que representou 2,2%.

Quando, porém, se diz que “Parauapebas exportou minério”, em verdade implica dizer que a mineradora Vale, a única que extrai ferro e manganês no município, ficou com o bônus das exportações. Caem na conta da empresa os bilhões de dólares movimentados pela indústria extrativa no município, que, por seu turno, vai ficando com um fosso (tanto físico quanto social) cada vez maior e mais fundo, decorrente das milhões de toneladas lavradas, mandadas de trem ao porto de São Luís e que, de lá, fazem um belíssimo cruzeiro rumo ao oriente. Enquanto o minério local movimenta bilhões de dólares, a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) aponta que Parauapebas regride em desenvolvimento social, prova cabal de que o lucro escandaloso proporcionado pelo minério se concentra nas mãos da empresa, que também tem pagado pecados por conta da desvalorização de “seu” principal produto.

No ano passado, devido à queda do preço do minério de ferro no mercado transoceânico, Parauapebas também sofreu bastante. Em 2015, apenas em minério o município vendeu 3,92 bilhões de dólares, montante demais inferior aos 7,47 bilhões exportados em 2014.

Em compensação, a extração física de minério de ferro das entranhas do município aumentou de 110,13 milhões de toneladas para 121,97 milhões de toneladas no mesmo período. Ou seja, a Vale aumentou a voracidade de sua extração em 10,75%, de acordo com o MDIC. Apesar disso, a empresa só deve revelar seu balanço de produção física referente a 2015 no mês que vem – e confirmar ou não os dados do Ministério, já que as estatísticas da Vale nunca batem com as oficiais, do MDIC.

CHINA REDUZ FOME DE FERRO

Não obstante o aumento da produção, a China, maior parceira comercial da mineradora Vale, freou seu consumo. Em 2014, o país asiático comprou 57% do minério parauapebense; no ano passado, o consumo diminuiu para 46%, queda expressiva que aponta os caminhos difíceis que o principal produto local pode enfrentar, caso seu maior mercado consumidor continue a dar sinais de desaceleração econômica.
O ano só não foi pior para as exportações oriundas de Parauapebas por conta da disparada do dólar, que valorizou parcialmente as transações comerciais feitas com o minério, mesmo ele em queda brusca.

Para acentuar as frustrações, analistas de mercado e bancos internacionais preveem que 2016 será um ano ainda mais difícil para o minério de ferro, que não deve romper a casa dos 50 dólares e pode acabar afogado em seu próprio excesso de oferta. A entrada em operação do projeto S11D, no vizinho Canaã dos Carajás, despejando mais 90 milhões de toneladas de minério a custo muito mais baixo que o produzido em Parauapebas, vai pressionar o mercado e, por tabela, aumentar a pressão sobre o produto da “Capital do Minério”.

Tecnicamente, um projeto como S11D demora pelo menos cinco anos para se consolidar e provar que tem gana para dar retorno a tantos investimentos e expectativas. Mas, com o mercado de ferro melindroso como atualmente e diante da necessidade de produzir cada vez mais a baixo custo, S11D não tardará a suprir os anseios mais urgentes da Vale: fazer caixa e segurar-se em meio às concorrentes australianas.

Em todo o caso, se a pressão continuar sobre os preços do minério de ferro, Parauapebas, o maior produtor do país atualmente, será o município mais afetado do Brasil. Para as praças financeiras do país de base mineral, 2016 será um ano extremamente difícil.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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