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Ganância ‘endoidou’ o clima e criou ilha de calor em Parauapebas

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Os diversos crimes ambientais registrados ao longo de décadas a fio na área urbana de Parauapebas podem ter contribuído para elevar, em até 4 graus, a temperatura local.

Queimadas, desmatamento urbano, detonação de morros e assoreamento de cursos d’água, aliados à insensatez, à ganância e à ação criminosa de muitos “cidadãos”, são os maiores responsáveis pela sofrência neste verão, que entra para a história como o mais quente do município.


Não é novidade que, desde 2010, a sensação térmica na sede municipal esteja mais elevada – e só piore. Desde 2010 porque foi de lá para cá que a população mais cresceu em números absolutos, o que exigiu mais casas, mais detonações, e condenou o ambiente a mais poluição, mais desmatamento, mais assoreamento.

Estudos realizados no município por consultorias ambientais diversas, para consubstanciar licenciamentos ambientais de projetos minerários, demonstram que a temperatura média anual subiu de 26,35 graus na década de 1980 para 27 graus hoje. Pode parecer insignificante esse quase um grau, mas é suficiente para modificar todo clima local e afetar profundamente a biodiversidade, provocando desastres ambientais. Imagine, então, o aumento das máximas em quatro graus.

RADIAÇÃO SOLAR

A cidade de Parauapebas é formada por relevo irregular, com sequências de morros e colinas. Portanto, existem faces de terreno com exposições e inclinações submetidas a diferentes regimes de incidência de radiação solar. Essas nuances topográficas condicionam ambientes diferentes num mesmo local e época do ano.

Para uma superfície inclinada, além da latitude e da declinação solar, a incidência dos raios solares é afetada pelo ângulo de inclinação, pela orientação da superfície e pelo azimute do Sol. Em linhas gerais, isso quer dizer que fatores topoclimáticos, aqueles relacionados à topografia da área urbana, são os que mais dizem respeito ao que vem ocorrendo em Parauapebas, acelerados, evidentemente, pelo processo de degradação ambiental.
A cada morro detonado, por exemplo, a incidência de raios solares vai atacar diretamente o asfalto e deixá-lo mais quente para quem mora à beira.

A configuração urbana inicial da “Capital do Minério”, modificada pelo crescimento demográfico desenfreado, e a sua exposição planialtimétrica acabaram por interferir no acúmulo de ar mais ameno, que poderia neutralizar a sensação térmica de se estar à beira de uma fornalha.

O Rio Parauapebas, nas cercanias da área urbana, e principalmente o Igarapé Ilha do Coco, via hídrica de penetração dentro da cidade, que naturalmente seriam caminhos de circulação de ar mais frio para minimizar o calor, acabaram sendo violentados de maneira bárbara. O caso do Igarapé, personagem mais importante para “refrescar” a ilha de calor urbana formada pelos prédios e pelo asfalto, ainda é mais grave: ele está sendo morto, de morte morrida, letalmente – com todo azar de redundância proposital.

Para piorar, a situação local é agravada pelo relevo regional, que, de Parauapebas até Curionópolis, sempre foi espécie de diversos ataques, como desmatamento e rebaixamento de colinas. Como o rigor da lei e a inconsciência são amigas íntimas, as consequências são sentidas por todos, de forma infernal.

Mas que ninguém se iluda: a conta tarda, só que não falha. Em breve, chegará a hora de o homem fazer sua opção entre acabar com a natureza para “crescer”, viver e morrer.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar
Foto: Arquivo

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