Os motoristas que passaram pelos postos de combustíveis em Parauapebas nesta semana foram surpreendidos por um novo salto nos preços. Em alguns estabelecimentos, a gasolina (G) já é comercializada a R$ 7,18, enquanto o diesel (D) atingiu a marca de R$ 7,68, conforme registrado em totens da cidade.

O aumento local acompanha uma tendência nacional impulsionada pelo agravamento dos conflitos no Oriente Médio neste início de março de 2026. A guerra envolvendo potências regionais e ataques a infraestruturas petrolíferas fez o barril do tipo Brent disparar, chegando a flutuar próximo dos US$ 120.
O que dizem os consumidores
A indignação é visível nas filas dos postos. Entrevistamos moradores que sentem o impacto direto no orçamento familiar e no trabalho:
Ricardo Menezes, motorista de aplicativo: “Não tem como trabalhar assim. Toda semana é um susto novo. Saí de casa hoje achando que ia abastecer por R$ 6,50 e dou de cara com mais de sete reais. O lucro da gente está ficando todo no tanque, e o pior é que em Parauapebas o preço parece subir sempre mais rápido que em Belém ou Eldorado, Curionópolis e Marabá”.
Dona Maria do Socorro, comerciante: “Tudo sobe junto. Se o diesel sobe, o frete das mercadorias que eu recebo no meu mercadinho também aumenta. No fim das contas, quem paga a conta da guerra lá fora é o trabalhador aqui de dentro, que vê o preço do arroz e do feijão subir por causa do transporte”.
Cenário nacional: A “tempestade perfeita” em 2026
A alta não é exclusividade do Pará. Segundo dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo), o preço médio da gasolina no Brasil subiu de R$ 6,28 para R$ 6,30 apenas na primeira semana de março, mas em regiões periféricas e polos logísticos como o sudeste paraense, o repasse costuma ser mais agressivo.
| Fator de pressão | Impacto observado |
| Guerra no Irã | Barril de petróleo saltou 13% em apenas três dias no início de março. |
| Defasagem | Importadores indicam que o preço da gasolina nas refinarias está até R$ 0,29 abaixo do mercado internacional. |
| Câmbio | A incerteza global fortalece o dólar, encarecendo a importação de derivados. |
A Petrobras informou que monitora o cenário “dia a dia” para evitar repasses imediatos de volatilidade, mas analistas do setor alertam que, se o petróleo se mantiver acima de US$ 100, novos reajustes serão inevitáveis para manter o abastecimento nacional.








