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Índios Xikrin acusam Vale de contaminar Rio Cateté

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Os índios Xikrin do Cateté denunciam que estão sendo aniquilados aos poucos pela mineradora Vale. Em denúncia, feita com exclusividade aos veículos do Grupo CORRREIO de Comunicação, os representantes das aldeias Ôôdja, Cateté e Djudjê-Kô, que compõe a reserva, localizada na região oeste da Floresta Nacional de Carajás, distante cerca de 400 quilômetros de Parauapebas, afirmam que a atividade mineral da empresa contaminou o Rio Cateté, principal curso d’água das aldeias, o que tem causado diversos danos à saúde deles.

Eles denunciam ainda que a Vale, mesmo já tendo sido condenada a pagar mensalmente R$ 1 milhão a cada aldeia, pelas compensações pelo projeto Onça Puma, se nega a pagar, vindo recorrendo da sentença há mais de ano. Em setembro passado, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região ordenou que a empresa deposite mensalmente R$ 3 milhões para as três aldeias.


De acordo com a decisão do desembargador Antonio Souza Prudente, a Vale tem que depositar mensalmente esse valor, que deverá ser repassados até que a mineradora cumpra as obrigações de compensações ambientais relativas ao empreendimento, que aliás, nunca foram efetivadas. A decisão atende pedido das associações indígenas Xikrin e teve parecer favorável do Ministério Público Federal.

Aldeias sitiadas

Segundo os índios, as três aldeias Xikrin da região do Cateté, entre as cidades de Ourilândia do Norte, Parauapebas e São Félix do Xingu, foram cercadas por quase todos os lados por projetos minerais da Vale. Ao menos sete deles estão fincados dentro das reservas, como o S11D, Sossego, Salobo e Onça Puma.

O projeto de extração e beneficiamento de níquel, em sete anos de atividade, segundo o cacique Karangré Xikrin, contaminou com os resíduos de metais o Rio Cateté, causando, segundo ele, a morte lenta do seu povo, cuja população atual está estimada em 1.600 pessoas.

Luta

Iran Xikrin lembra que desde que era pequeno seu povo vem lutando com a Vale para receber o que tem de direito pelos danos que a mineradora causou e está causando a sua reserva. Ele diz que sua aldeia, a Djudjê-Kô, é uma das mais afetadas pela contaminação, porque está bem próxima do projeto Onça Puma. “Vou lutar, para que meus netos possam viver com mais dignidade”, afirma.

Assim como eles, os guerreiros Bepdjô Xikrin, Oukrai Xikrin e Pirenhoro Xikrin relatam as dificuldades vividas nas aldeias, como as péssimas condições das estradas de acesso e que interligam as comunidades, moradia e transporte.  Segundo o cacique Karangré, os estudos feitos pela Universidade Federal do Pará e Instituto Federal do Pará apontam o alto grau de contaminação do rio.

“Como vamos proibir nosso povo de usar o rio, se é nossa cultura tomar banho no rio, pescar e fazer outras atividades inerentes aos nossos hábitos. A Vale se acha muito poderosa, mas não temos medo dela e vamos seguir buscando os nosso direitos ou então ela que saia da nossa terra”, avisa.

Vale rebate acusações

Em nota enviada ao CORREIO ainda na noite desta sexta (14), a Vale diz que Há anos vem tentando executar as ações do Plano Básico Ambiental (PBA) no interior da Terra Indígena Xikrin do Cateté, mas  enfrenta uma resistência injustificada por parte dos indígenas, que mantêm a negativa de acesso da empresa, mesmo após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para execução das ações ambientais. Segundo a empresa, já foram apresentou estudos técnicos demonstrando que as atividades em Onça Puma não geram poluição do Rio Cateté.

A Vale informa, ainda, que obteve decisão no  Supremo Tribunal Federal (STF) suspendendo os repasse de valores aos Xikrin ( incluindo os R$ 3 Milhões), e reitera que continua aguardando a autorização dos Xikrin para acessar a Terra Indígena, a fim de  implantar as ações definidas no PBA  já aprovado pela Funai, bem como a indicação de técnico pelo MPF para acompanhamento do monitoramento da água do rio Cateté.

Reportagem: Tina Santos

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