Apesar do saldo positivo de 5.125 novos empregos no acumulado do ano, encerramento de ciclos de obras em grandes polos do Sudeste Paraense impactou os números de dezembro

O mercado de trabalho formal no Pará, especificamente nos setores da indústria e construção civil, encerrou o ano de 2025 com um saldo positivo de 5.125 novas vagas com carteira assinada. Os dados, levantados pelo Observatório da Indústria do Pará com base no Caged, mostram que o estado manteve sua capacidade de geração de empregos, embora em um ritmo mais moderado (54% abaixo) se comparado ao excelente desempenho de 2024.
No entanto, o encerramento do ano trouxe um desafio sazonal já conhecido, mas que em 2025 foi sentido com mais intensidade nos principais motores econômicos da nossa região: Parauapebas e Canaã dos Carajás.
O impacto na nossa região
Historicamente ligados a grandes projetos de infraestrutura e à dinâmica da mineração, os municípios do Sudeste Paraense registraram baixas significativas em dezembro devido à conclusão de etapas contratuais:
- Parauapebas: Registrou a perda de 1.272 postos de trabalho em dezembro
- Canaã dos Carajás: Teve um saldo negativo de 942 vagas no mesmo período
Esses números acompanham a tendência da capital, Belém (-1.677), e refletem a desmobilização de grandes canteiros de obras. Por outro lado, Tucuruí, também em nossa região, conseguiu navegar contra a maré e fechou o mês com saldo positivo de 24 novas vagas, impulsionado possivelmente pelas demandas locais de fim de ano.
Construção civil: O setor que mais oscilou
A retração observada em dezembro foi puxada majoritariamente pela Construção, que perdeu 6.557 empregos no estado. As áreas mais afetadas foram:
- Construção de rodovias e ferrovias: -1.645 vagas.
- Construção de edifícios: -1.143 vagas.
Em contrapartida, o setor de Indústrias Extrativas (essencial para a nossa região) e serviços de Água e Esgoto mantiveram-se resilientes, apresentando saldos positivos mesmo no último mês do ano.
O “efeito COP30” e a sazonalidade
Segundo Felipe Freitas, gerente do Observatório da Indústria do Pará, o movimento de queda no último trimestre (outubro a dezembro) já era esperado e faz parte de um padrão histórico de encerramento de ciclos produtivos. “Em 2025, esse efeito pode ter sido mais intenso, especialmente por causa da dinâmica das obras ligadas à COP30, que concentrou muitas frentes de trabalho ao longo do ano”, explica Freitas.
Saldo positivo no acumulado
Apesar do “tombo” de dezembro, é importante destacar que, entre fevereiro e setembro, o estado viveu um período de forte estabilidade, chegando a um pico de mais de 15 mil vagas acumuladas em setembro. O saldo final de 5.125 vagas reafirma que o Pará, e especialmente o eixo industrial do Sudeste, continua sendo um polo gerador de oportunidades.
O desafio para 2026, segundo analistas, será reduzir a volatilidade provocada pelo fim de grandes contratos e ampliar a retenção da mão de obra qualificada que hoje atua nos grandes projetos da nossa região.
















