Single Posts
Confirmados
27.118
Single Posts
Recuperados
17.094
Single Posts
Óbitos
184

 Publicidade

Marabá: A vaca dos óvulos de ouro

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Marabá: A vaca dos óvulos de ouro

O que têm em comum Ronaldo Fenômeno, Dante, jogador da Seleção Brasileirade Vôlei, as duplas sertanejas Zezé di Camargo e Luciano e Bruno e Marrone, entre tantos outros famosos que passaram a investir na pecuária de elite no Brasil? Todos adquiriram embriões para terem filhotes da Vala, a vaca mais cara do Brasil, que pertence a um pecuarista marabaense.

Se fosse vendida hoje, Vala custaria cerca de R$ 8 milhões e leva a marca de José Francisco Diamantino, dono do Grupo Revemar. E não está a venda, apesar de ter 13 anos de idade e ser considerada “velha” no mundo do agronegócio.


Vala pode ser chamada de vaca dos óvulos de ouro. Cada inseminação produzida com óvulo dela chegou a ser comercializada por R$ 180 mil, dinheiro suficiente para comprar um caro esportivo de luxo, como Camaro. No auge de sua produção, o faturamento normal de Vala era de R$ 3 milhões por ano. Se a vaquinha em questão fosse uma mulher, com certeza estaria fazendo sucesso e fortuna nas passarelas mais importantes do mundo da moda. Mas como se trata de um animal, é nos leilões e nas feiras agropecuárias que a fama acontece. Agora mesmo, durante a 27ª Expoama, sua imagem é vendida entre os pecuaristas que criam nelore, mas os óvulos de Vala são comercializados mesmo no eixo Sul-Sudeste. Mais cara do que a Vala, atualmente, é a filha dela, denominada de Vala 4, que custa R$ 7 milhões.

“Vala” pertencia a dois criadores: Benedito Mutran Filho e José Francisco Diamantino, ambos de Marabá, e foi comprada pelo último que, como já era dono de metade da vaca, teve de desembolsar só a metade, pouco mais de R$ 1,5 milhão durante a realização de uma exposição agropecuária em Avaré, São Paulo, no ano de 2008. Naquele dia, foi batido o recorde mundial para um animal da raça nelore: R$ 3.640.000. Vala, mesmo que velha, ainda é a grande miss de toda uma geração de vacas que vivem para fabricar óvulos e embriões por inseminação artificial ou fertilização in vitro. Cada embrião obtido com um óvulo tem cotação alta e os bezerros são vendidos sempre acima de 100.000 reais. Esses bezerros seguirão a vocação da família. As fêmeas vão produzir embriões. Os rapazes, sêmen.

Como no mercado agropecuário, o que mais importa para os criadores é a genética do animal, que poderá render embriões de mesma qualidade e valor, muitos pecuaristas querem adquirir embriões de Vala, alguns pagam adiantado e a maioria fica na fila de espera. Diamantino especializou-se em criação de nelore e hoje é considerado o maior criador da raça no Norte, tendo conquistado “Medalha de Ouro Melhor Expositor Nelore do Norte do Brasil” e “Medalha de Ouro Melhor Criador Nelore do Norte do Brasil”. Rildo Caldeira, gerente das fazendas de Diamantino em Marabá, explica que Vala não fica em Marabá porque precisa permanecer próximo do laboratório onde são recolhidos seus óvulos, em Uberaba-MG, para reprodução. Além disso, os compradores em potencial daquela região, muitas vezes, querem ver a vaca famosa e ela precisa estar em um local de fácil acesso.

O pecuarista marabaense é respeitado Brasil afora e o gerente de suas três fazendas (juntas têm 15 mil hectares) explica que o patrão especializou-se em gado nelore porque investiu pesado em tecnologia com melhoramento genético, alcançando a marca de 20 mil cabeças de gado em Marabá. “Mas pela grande qualidade desses animais, podem valer mais do que 150 mil cabeças de gado comuns”, explica Caldeira.

As fazendas Bela Aurora e Taboquinha são as mais famosas e estão a menos de 20 km do centro da cidade. Ali, trabalham cerca de 100 profissionais, responsáveis por cuidar do gado, que se reproduz através de transferência de embriões, fertilização in vitro e genética de ponta. A fertilização in vitro é a campeã dos investimentos. Aproximadamente 2 mil embriões são coletados ao ano. E o resultado salta aos olhos. Diamantino é um dos poucos neloristas que conseguiu comercializar fêmeas por mais de R$ 1milhão, cada. Mas não é apenas da Vaca Zero que Diamantino sobrevive no mundo da pecuária. O boi Zero também é famoso, apesar de seu sêmen não valer tanto quanto um embrião da Vala.

Reportagem: Ulisses Pompeu

Publicidade

Veja
Também