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Mercado de trabalho de Parauapebas agoniza: 707 demitidos em março

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Às vésperas de seu “niver” de 28 anos, Parauapebas acumula uma das piores tormentas como presente de grego: o desemprego. O número de pessoas que passaram no RH das empresas para pegar as contas atingiu seu ápice e bateu todos os recordes em março deste ano. É o que apontam os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) na tarde da última sexta-feira (22).

No mês passado, assustadoramente 707 trabalhadores foram parar na rua, um número que supera até mesmo os piores pesadelos para um único mês. Na “Capital do Minério”, 35ª mais importante praça financeira do Brasil em termos de Produto Interno Bruto (PIB), um trabalhador com carteira assinada é demitido por hora. Não é muito tempo, considerando que um trabalhador qualquer leva, em média, oito meses para arranjar emprego após ser demitido. É de arrepiar, e a perspectiva, na análise dos números do Caged, vai de mal a pior.


Com os dados divulgados, Parauapebas totaliza exatas 1.100 pessoas demitidas apenas nos primeiros três meses de 2016. Em nenhum outro mês da história de praticamente 28 anos se viu volume igual de demitidos. No acumulado de 2016, apenas Altamira (com 2.223 demitidos), Belém (1.874) e Marabá (1.145) estão à frente no Estado.

O desemprego é geral, mas em março foi sentido com muito mais força na antiga “Terra do Trabalho”. Mês passado, Parauapebas tirou segundo lugar entre os municípios paraenses no quesito, atrás apenas de Belém – talvez pelo fato de a capital ter uma força de trabalho oito vezes maior que a parauapebense.

TEMPOS GLORIOSOS

Entre os anos de 2000 e 2012, Parauapebas foi o município que, proporcionalmente a seu tamanho, mais empregou no Brasil, escorado por projetos de mineração (abertura, implantação e ampliação de minas) da empresa multinacional Vale. Era um celeiro de oportunidades para engenheiros de quase todas as áreas, profissionais com formação técnica e outros trabalhadores arregimentados pela cadeia direta e indireta do setor mineral.

O município atraiu para si desde trabalhadores esperançosos e empreendedores a gente ambiciosa, que só queria tirar proveito do “boom”, mas jamais quis em Parauapebas estabelecer-se definitivamente e ajudar a tornar o lugar um centro urbano de referência em desenvolvimento e qualidade de vida.

Noutras palavras, Parauapebas cresceu sem, contudo, desenvolver-se para quem, mais tarde, passada a ressaca da bonança, decidisse ficar e permanecer em seu solo.
E como todo crescimento desenfreado traz consequências, a fatura começou a ser enviada. Por enquanto, em forma de desemprego, que já remete a uma carta maior: a da criminalidade. Não por acaso, os estudos mais famosos de violência do país destacam Parauapebas como o novo “eldorado” do crescimento da criminalidade, com índices proporcionais que superam – quem diria – os do vizinho Marabá.

TEMPOS MACABROS

Em março, 1.058 pessoas conseguiram arranjar emprego com carteira assinada em Parauapebas. O problema é que 1.765 foram mandados ao olho da rua. A coisa é tão feia, e grave, que pouquíssimas ocupações contrataram mais que demitiram. Apenas as profissões de zelador de edifício e embalador de supermercado tiveram saldo positivo de mais de dez contratações. É um histórico nunca antes percebido naquele que foi, outrora, um lugar de triunfo profissional e salarial.

Por outro lado, o festival de profissões que mais demitem que contratam é apoteótico. A lista é extensa, e a maioria dos cargos tem relação direta com a indústria extrativa mineral – mas não necessariamente com a Vale.
Quem quiser se empregar em cargos de montador de máquinas, caldeireiro, soldador e eletricista de manutenção pode desistir. Não é jogar um balde de água fria no desejo do candidato, mas é que as empresas estão praticamente fazendo uma faxina nos profissionais dessas áreas. Apenas esses cargos juntos acumularam cerca de 360 demissões em março. Somados a centenas de outras ocupações, fecha-se o número das 707 demissões processadas no mês passado.

A situação do mercado de trabalho em Parauapebas é praticamente a mesma de um paciente que está agonizando na UTI, respirando por aparelhos. O coração do município – que é sua gente trabalhadora e que produz aqui um superPIB superior ao de 14 das 27 capitais – está operando com marca-passo. Internado com bloqueio cardíaco, a cada mês sofre novo infarto com os dados do Caged. A questão é saber até quando resistirá a isso, já que as perspectivas de reversão não são visualizadas em curto e médio prazos.

Até o final de 2015, Parauapebas tinha em torno de 37 mil pessoas – maiores de 18 anos – desocupadas. Ganhou mais 1.100 nos primeiros três meses deste ano. E poderá encerrar o ano com 41 mil “rodados”. Tem mais: entre os jovens, com idade dos 15 aos 17 anos, 75% não trabalham.
Para piorar, quem não perdeu emprego está perdendo renda. As contratações que estão sendo feitas atualmente pagam salário até 50% menor que há cinco anos. E ressalte-se que, de cinco anos para cá, a inflação disparou de forma bestial.

Acostumado a despontar até pouco tempo atrás como um lugar de riquezas, sabidamente concentradas na indústria extrativa, hoje a pobre rica “Capital do Minério” revela sua identidade sofrível, por meio da qual se percebe que, para além de uma crise econômica, nada aqui tem sido sustentável. E não se trata de crítica ao lugar que a tantos, tão bem, acolheu. São os fatos, e contra os quais, na atual conjuntura, dificilmente haverá argumentos.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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