Mobilização reúne trabalhadores rurais de Parauapebas, Curionópolis e Canaã dos Carajás e deve culminar na Curva do S no dia 17 de abril

Teve início nesta segunda-feira (13) a mobilização de trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na região sudeste do Pará. Famílias de assentamentos de Parauapebas, Curionópolis e Canaã dos Carajás iniciaram uma caminhada rumo a Eldorado do Carajás, marcando o começo da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária Popular.
A mobilização deste ano carrega um simbolismo histórico: os 30 anos do Massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em 17 de abril de 1996, quando 21 trabalhadores rurais foram assassinados durante uma ação policial na Curva do S. O episódio segue como um dos mais emblemáticos da luta pela terra no Brasil e ainda é apontado por movimentos sociais como um símbolo de impunidade.
Com o lema “Em defesa da Reforma Agrária Popular: basta de violência contra os povos e a natureza”, a jornada segue até a próxima sexta-feira (17), reunindo uma série de atividades em todo o país. No Pará, as ações se concentram principalmente na Curva do S, local do massacre.
A caminhada iniciada hoje integra a marcha intitulada “A voz pela vida calará a ambição”, que deve reunir cerca de 3 mil participantes ao longo do trajeto até Eldorado do Carajás. A previsão é que os manifestantes cheguem ao local no Dia Internacional da Luta Camponesa, celebrado em 17 de abril, data que relembra a tragédia.
Além da marcha, também teve início o 20º Acampamento Pedagógico da Juventude Sem Terra Oziel Alves, que reúne cerca de 500 jovens. A programação inclui atividades de formação, oficinas e ações simbólicas, como a reconstrução do monumento em homenagem aos trabalhadores mortos.
Segundo o MST, a jornada deste ano busca não apenas preservar a memória das vítimas, mas também reforçar a necessidade de avanços na reforma agrária no país. O movimento denuncia a concentração de terras, a violência no campo e o que considera falhas do Estado na regularização fundiária e na garantia de direitos para trabalhadores rurais.
Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que mais de 90% dos assassinatos no campo no Pará seguem sem solução, o que reforça as críticas sobre a impunidade em casos de conflitos agrários.
As mobilizações também acontecem em outros estados. Na Bahia, por exemplo, mais de 2 mil pessoas participam de uma marcha de aproximadamente 120 quilômetros entre Feira de Santana e Salvador, reforçando o caráter nacional da jornada.
Outra ação destacada ocorreu no Tocantins, onde famílias ocuparam a Fazenda Prata, área pertencente à União que, segundo o movimento, já foi palco de resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão. O MST cobra a destinação da área para a reforma agrária, com base no que prevê a Constituição Federal.
No Pará, o movimento também chama atenção para o avanço de atividades como mineração e monoculturas em áreas rurais, apontando impactos sobre comunidades camponesas e o meio ambiente.
Três décadas após o massacre, a luta pela terra segue como uma das principais bandeiras do movimento, que reafirma a necessidade de políticas públicas voltadas à democratização do acesso à terra e ao desenvolvimento sustentável no campo.
A programação da jornada segue até o dia 17 de abril, quando está previsto o encerramento das atividades com atos na Curva do S, em Eldorado do Carajás.









