OAB de Parauapebas se manifesta sobre caso envolvendo suposta manipulação de IA no Judiciário

Guilherme Mello - Presidente da OAB Parauapebas

Subseção informou que adotará medidas institucionais e reforçou compromisso com ética e ampla defesa

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção de Parauapebas se pronunciou oficialmente sobre o caso que ganhou repercussão nacional após a Justiça do Trabalho aplicar multa de mais de R$ 84 mil contra duas advogadas do município por suposta tentativa de manipulação de uma ferramenta de inteligência artificial utilizada pelo Judiciário.

A nota oficial foi divulgada nesta quinta-feira (14), após o Portal Pebinha de Açúcar publicar matéria detalhando a decisão da 3ª Vara do Trabalho de Parauapebas, que apontou a existência de um comando oculto em uma petição judicial protocolada pelas advogadas Alcina Medeiros e Luanna Alves.

No comunicado, assinado pelo presidente da OAB Subseção Parauapebas, Guilherme Mello, a entidade informou que todas as providências institucionais já estão sendo adotadas diante da repercussão do caso.

Segundo a OAB, os fatos narrados envolvem a identificação de uma técnica conhecida como “prompt injection”, utilizada para inserir comandos ocultos capazes de influenciar sistemas de inteligência artificial utilizados pelo Poder Judiciário.

A entidade destacou que a situação será analisada de forma técnica e responsável, respeitando os procedimentos previstos no Estatuto da Advocacia, no Código de Ética e Disciplina da OAB e no Regimento Interno da instituição.

“A Subseção reafirma seu compromisso com a ética e a higidez do processo judicial”, destacou trecho da nota.

A OAB informou ainda que adotará as medidas cabíveis no âmbito da Subseção para posterior remessa ao Conselho Seccional da OAB Pará e também ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED).

Defesa e contraditório serão respeitados

No posicionamento oficial, a entidade também ressaltou que não irá se pautar por julgamentos precipitados ou pressão social em torno do caso.

De acordo com a nota, todo o procedimento deverá respeitar rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório.

“Nossa atuação institucional não será pautada no açodado e instantâneo julgamento social”, afirmou a OAB.

A Subseção de Parauapebas destacou ainda que seguirá acompanhando o caso com responsabilidade e rigor técnico, buscando preservar a dignidade da advocacia e a credibilidade das instituições.

Caso ganhou repercussão nacional

O episódio repercutiu em todo o país após a Justiça do Trabalho identificar um comando oculto em documento protocolado pelas advogadas durante um processo trabalhista.

Segundo a sentença assinada pelo juiz Luis Carlos de Araújo Santos Júnior, o texto escondido teria sido inserido em fonte branca sobre fundo branco e continha instruções direcionadas à ferramenta de inteligência artificial “Galileu”, utilizada para auxiliar magistrados na elaboração de minutas de sentenças.

As advogadas negam qualquer tentativa de manipulação e afirmam que o objetivo seria proteger o cliente da própria utilização da inteligência artificial.

O caso abriu debates nacionais sobre ética profissional, limites do uso de inteligência artificial no Judiciário e segurança das ferramentas tecnológicas empregadas no sistema judicial brasileiro.

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