Confirmados
27.650
Recuperados
18.995
Óbitos
190

 Publicidade

Onda de assassinatos faz do município um dos mais violentos do Brasil

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp

O município de Parauapebas é a maior ilustração do legado deixado por grandes projetos que consolidam – além da exploração de nossas riquezas naturais – populações migrantes alvoroçadas. Depois de crescer desenfreadamente, o município sofre agora com índices de violência típicos da desordem de que foi espécie.

Em menos de 24 horas, de sexta-feira (27) para sábado (28), três pessoas foram liquidadas. De boa ou má índole, elas são causa e ou consequência da criminalidade, estando ou não a serviço do crime. E todos (ou qualquer um) cidadãos de bem podem ser vítimas dessa onda de violência estúpida e brutal.


Em 2016, em cada grupo de 10 mil parauapebenses, oito pessoas vão morrer por arma branca ou arma de fogo, conforme estudo mais recente do Mapa da Violência. É uma das mais elevadas taxas de homicídio entre os 5.570 municípios do Brasil – a 54ª, para ser mais exato.

Nove anos atrás, a taxa de homicídios de Parauapebas era de seis mortos a cada grupo de 10 mil e ocupava a 78ª colocação. Ou seja, de 2007 para cá, a violência cresceu mais rápido que a taxa de crescimento populacional e tem se agravado pelo fato de, nos últimos 16 meses, o município ter recebido 8.250 novos desempregados. A força de trabalho com carteira assinada decresceu terrivelmente por conta da onda de demissões.

Para piorar, a violência local prolifera e prevalece entre os jovens. Em cada grupo de 10 mil parauapebenses com idade entre 15 e 29 anos, 12 serão eliminados. É uma matança que coloca Parauapebas na 73ª colocação nacional. Nove anos atrás, o município via morrer por assassinato dez jovens, em média, e de lá para cá avançou 29 posições entre os mais violentos do Brasil, um verdadeiro horror.

Enquanto a violência reina no seio juvenil, Parauapebas tem 75% de seus jovens com idade de trabalhar de cara para cima e com a mente vazia – verdadeiras oficinas do diabo. A falta de ocupação favorece o contato com drogas, o convívio com criminosos e a “necessidade” da prática de delitos.

A situação é tão grave que, ao comparar a situação de Parauapebas com a de Marabá (que já chegou a figurar no topo da violência homicida do país), verifica-se que, nos últimos nove anos, enquanto as taxas de criminalidade de Marabá decresceram, as de Parauapebas trilharam o caminho inverso. Em termos de homicídio, os números de Marabá ainda são elevados, mas permaneceram estáveis nos últimos anos.

Hoje, se Parauapebas fosse um país, ostentaria o 2º lugar geral, atrás apenas de Honduras, cuja taxa de assassinato geral é de dez pessoas a cada grupo de 10 mil. Nem nos países do Oriente Médio, como Irã, Iraque, Israel e Palestina, é registrada proporcionalmente uma matança tamanha como na “Capital do Minério”. Parauapebas está em guerra diária, e o poder público em suas três esferas (Federal, Estadual e Municipal) não se dá conta.

Quem será o candidato que vai propor, neste ano de eleição, políticas públicas eficientes que resgatem a juventude (e seus 33.800 jovens eleitores) do caminho da perdição que se lhe oferece gratuitamente? A porta do caminho da perdição é muito mais larga que a do caminho da retidão e, em termos proporcionais, os jovens de Parauapebas tem escolhido o caminho mais largo.
Chega de impunidade e omissão. A sociedade espera medidas eficazes.

Reportagem: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

Publicidade

Veja
Também