Pará fica cada vez mais rico, mas continua pobre de espírito

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Pelo segundo ano consecutivo, o Pará rouba a cena na geração de riquezas e desbanca uma Unidade da Federação. Na divulgação de Produto Interno Bruto (PIB) feita em 2014 (relativa ao PIB de 2012), o Pará derrubou o Ceará. Agora, em 2015 (com PIB relativo a 2013), o Pará deixou para trás o Espírito Santo. As próximas vítimas do crescimento econômico paraense – sustentado na exportação de produtos primários – deverão ser, em cinco anos, Pernambuco, com PIB de R$ 140,7 bilhões, e Goiás, com PIB de R$ 151 bilhões. O PIB paraense é, atualmente, de R$ 120,9 bilhões. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e foram divulgados na manhã desta quinta-feira (19), por meio do estudo “Contas Regionais do Brasil (2010-2013)”.

Na divulgação de PIB do ano que vem, referente a 2014, a produção de riquezas do Pará poderá encolher em razão da queda apresentada por um de seus principais motores econômicos, o município de Parauapebas, onde a mineradora Vale (maior exportadora privada do Pará e do Brasil) possui operações de minérios de ferro e manganês.


Em 2017, com a divulgação de PIB relativa ao ano de 2015, já é certeza que os números consolidados da economia parauapebense devam cair a pouco mais da metade do que se verifica hoje. Isso porque o preço do minério de ferro cotado a menos de 60 dólares por tonelada, na média deste ano, vai derrubar o valor final das exportações à metade do que se praticou em 2014, por exemplo, e isso, fatalmente, vai conferir a Parauapebas o título de detentor da maior tragédia econômica municipal verificada no Brasil, entre os atuais 5.570 municípios. Hoje, 84% da economia parauapebense giram em torno da indústria extrativa mineral e sem a qual dificilmente a “Capital do Minério” sobrevive, por não possuir sustentação financeira paralela.

Por conseguinte, a “quebra” parcial de Parauapebas, em 2015, vai derrubar o Pará, que tem na venda do ferro das minas de Carajás sua principal carteira de negócios – mas não a única.

Olhando para trás, particularmente o ano de 2013, o mesmo em que o Pará derruba mais um Estado a sua frente, não se visualizam rastros de desenvolvimento e progresso social que confiram, de fato, orgulho aos paraenses por esses tantos bilhões que jamais vão chegar à população que realmente precisa.

Não há algo muito além de se estar, teoricamente, na condição de 11ª praça financeira do Brasil. A realidade, nua e crua, das condições de vida e desenvolvimento humano no Pará é cruel.

Reportagem especial: André Santos – Colaborador do Portal Pebinha de Açúcar

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