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Parauapebas: Gigante em crise afeta todos os setores da economia

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Parauapebas enfrenta uma crise que já dura pelo menos oito meses e que tem preocupado empresários de todos os setores, além de trabalhadores que veem seu emprego em risco diante da onda de emissões que estão ocorrendo em todos os segmentos.

Daniel Lopes, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Parauapebas, concedeu entrevista exclusiva à reportagem e falou sobre a “crise comercial”, do setor imobiliário, do varejo e das especulações que levaram o município a essa situação.


“É uma situação preocupante. Sempre divulgamos aos quatro cantos do mundo nossos diferencias, um nível de crescimento maior que a China etc. E agora somos surpreendidos com uma Parauapebas comum, como as demais cidades do Brasil”, avalia Daniel, qualificando o fato como “um momento novo”.

Na opinião de Daniel, alguns pontos explicam isso: o fato de que o Brasil, segundo especialistas em Economia, vai crescer menos de 2% neste ano; a crise na Europa, que também influenciou; a queda da mineração no mundo todo; o preço do minério caiu; a Valem, que perdeu clientes; além da transição do governo municipal, que pôs fim aos contratos do governo anterior e os novos contratos ainda não foram licitados.

Com isso, segundo ele, “os vários milhões que deixaram de circular na cidade deixaram essa grande lacuna”. Construção Na opinião de Daniel Lopes, apesar de todos os setores da economia do município terem sido atingidos, o ramo da construção civil foi o que mais sentiu o abalo. “Há até bem pouco tempo a cidade tinha 22 lojas de material de construção. Hoje este número chegou a 176. Isso, para uma população de menos de 200 mil habitantes, fatia muito o faturamento”, avalia.

Os demais segmentos, de acordo com Daniel, tiveram queda acentuada nas vendas, alguns em torno de 50% no faturamento. “Para piorar, o comércio vive a maior inadimplência da história de Parauapebas, o que torna difícil a sobrevivência neste novo momento”, analisa ele.

“E, pasmem, a grande parte delas são empresas que acabaram de se instalar em Parauapebas, atraídas por notícia de que aqui se ganha muito dinheiro! Muitas delas abrem sem fazer uma consultoria e entram na briga do capitalismo e na ânsia de vender, abrem vendas a crédito sem análise e terminam fechando as portas em virtude da inadimplência e falta de movimento”, enfatiza Daniel. Inadimplência Ainda segundo a análise de especialistas de mercado, em períodos de crises, a inadimplência nasce naturalmente, alimentada pelo fato de que o consumidor varejista quer comprar a crédito, o comerciante quer vender para girar seu estoque.

“Resultado: ele vende o que tem, não recebe e assim não tem como repor seu estoque ficando inadimplente com seus fornecedores. No final de toda a somatória quem paga a conta é o varejo que sofre a inadimplência do grande para o médio, além do pequeno consumidor”, afirma o presidente da CDL.

Na análise de Daniel Lopes, Parauapebas nunca mais “entrará nos trilhos”, perdendo posição para Canaã dos Carajás, que hoje detém o maior projeto mineral do mundo, o S11D. Diante desse quadro, Daniel aconselha que os investimentos devem ser repensados, com o empresário apostando no que plantou no passado; no know-how, na carteira de melhores clientes e no bom atendimento.

“Esquecendo que somos um sul do Pará envolvido e investir em preços competitivos, fazendo uma reanalise cultual e torcer para se manter”. Prudência “As coisas vão melhorar, mas é bom esperar isso com muita sensibilidade e não fazer grandes planos”, lamenta Daniel, admitindo que no momento é preciso esperar que a Vale e grandes empresas que chegam para executar suas obras olhem para o município com carinho.

“Já se percebe a redução no número de investidores vindo para Parauapebas, de acordo com os registros da Jucepa (Junta Comercial do Pará) e ainda com o reflexo do mercado imobiliário, que apresenta queda nos valores de vendas e de locação de imóveis”, afirma ele. Quanto aos que já estão instalados no município, a recomendação da direção da CDL é de que neste momento se deve segurar o que tem, pagar seus fornecedores e torcer para que seu negócio se equilibre na crise. “Não adianta tratar isto como uma marolinha, pois não é”, adverte Daniel Lopes. (Francesco Costa)

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